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Os fatos que transformaram a praia da Joaquina em uma das mais queridas de Florianópolis

Com ondas constantes durante todo o ano, a praia do Leste da Ilha recebe visitante o ano inteiro e reúne a galera descolada da cidade desde os principais campeonatos de surfe na década de 80

Michael Gonçalves
Florianópolis
13/01/2017 às 17H09

Com ondas constantes durante todo o ano, a Joaquina é a praia queridinha entre turistas, surfistas e moradores de Florianópolis. Desde o primeiro campeonato de surfe em 1974, a pequena orla no Leste da Ilha não parou de ganhar notoriedade nacional e internacional e recebeu o apelido de praia da moda. Para quem fez e ainda faz a história deste pequeno pedaço do paraíso, os campeonatos OP Pro e Hang Loose, em 1985 e 1986, respectivamente, levaram o nome desta praia para todos os cantos do mundo. Os melhores surfistas do planeta passaram e ainda passam pela Joaquina.

A praia ficou famosa na década de 70 e até hoje é referência para muitos turistas que visitam a cidade - Flávio Tin/ND
A praia ficou famosa na década de 70 e até hoje é referência para muitos turistas que visitam a cidade - Flávio Tin/ND



Quem viu tudo de perto é o comerciante Mauri Maurílio Nunes, 56 anos, filho do famoso Maurílio, proprietário do primeiro bar da Joaquina. A família do comerciante tinha um barracão de pesca de tainha e um bar. “Minha vida está enterrada nesta praia. Estou aqui há 46 anos e lembro a época em que não tínhamos nem energia elétrica. O bar funcionava com o gelo até o pai comprar uma geladeira a querosene. Apenas a família trabalhava e fazíamos somente camarão frito e ao bafo, peixe frito e pirão d´água”, recorda.

De lá para cá muita coisa mudou, mas o perfil dos frequentadores é o mesmo. Conhecida por ser o point dos jovens descolados nas últimas décadas, a praia que fica a 17 quilômetros do Centro ainda reúne essa galera que não envelhece. A água gelada, que o comerciante Mauri quer distância, é combustível para os surfistas.

Amigas desde o Colégio Catarinense, Tatiana Dias e Lia Fernandes curtem a Joaca desde a década de 80. “Conheci a Joaquina ainda criança, na companhia da minha tia. Essa praia reúne tudo de bom que existe na cidade”, diz a advogada Tatiana. “O astral daqui é sem igual. Com exceção dos turistas, todos são conhecidos. Na minha opinião, aqui é o pátio da escola”, brinca a servidora pública Lia.

A Joaquina tem uma das melhores estruturas da Ilha para receber visitantes. A praia conta com três estacionamentos, duchas grátis, sanitários pagos (R$ 2), dois hotéis, cinco restaurantes e 14 lojinhas.

O histórico do nome da praia da Joaquina é cercado de mistérios. Uma das lendas diz que por volta do ano de 1850, havia uma rendeira de nome Joaquina. Ela tinha por hábito fazer suas rendas na última pedra do costão daquela praia deserta (e ainda sem nome). Então levava para lá suas rendas, seus bilros, suas anáguas e ficava lá, horas e horas… Até que um dia, Joaquina (desligada pela magia do lugar), ficou com suas rendas o dia todo até a noite chegar e não percebeu que a maré subia. Aí então veio uma onda, e carregou Joaquina mar adentro. (Fonte: site Joaca.com.br)

Empresário cobra por melhorias viárias

Empreendedor na Joaquina, o empresário Júlio César Desjardins, o Julinho, 48 anos, é dono do Cris Hotel. O estabelecimento existe há 34 anos e foi um dos responsáveis pelo desenvolvimento da praia. No início, o hotel tinha movimento constante apenas do verão. “Quando comecei a ajudar o meu pai abri um bar e no inverno teve dias que não vendia nem um refrigerante. O hotel passava semanas sem hóspedes. Hoje, os dois hotéis têm cerca de 300 leitos para receber os visitantes de todos os continentes e o movimento é constante o ano inteiro”, conta.

Para o empresário, a Joaquina poderia receber mais visitantes com a duplicação da avenida das Rendeiras e da ponte da Lagoa da Conceição. “Desde 1975 ouvimos promessas de duplicar a ponte da Lagoa, mas quando não são os ecologistas é a falta de dinheiro que esbarra o projeto. Assim como a Joaquina, a Mole e a Barra da Lagoa também sofrem com a falta de infraestrutura viária”, lamenta.

Julinho conta que durante a temporada recebe mais visitantes argentinos, uruguaios e do interior paulista. Já os europeus têm o hábito de visitar a Joaquina entre os meses de outubro e novembro. 

Raio X da Praia

Extensão

3 quilômetros

Estrutura

14 lojas

5 restaurantes

2 hotéis 

3 estacionamentos

Duchas grátis

Sanitários pagos (R$ 2)

Localismo marcou época pelas confusões com os “haoles”

Como toda praia com ondas, a Joaquina também tem os surfistas da região. Nas décadas de 80 e 90, eles eram praticamente os “donos das ondas”. Esse movimento ficou conhecido por localismo. Após os grandes campeonatos de surfe, a praia começou a receber turistas e surfistas de todo o mundo, que eram os chamados “haoles”. A turma de 15 a 20 surfistas passou a disputar as ondas com mais de 50.

O profissional de educação física Luiz Henrique Saldanha, 46 anos, fez parte desta geração. “Tudo que é demais incomoda, ainda mais quando você é novo. Tinha o localismo e hoje não tem mais. Todos viraram pais de famílias e aprenderam o quanto é importante receber bem quem é de fora, porque quando estamos longe de casa também queremos ser bem recebidos”, diz.

Saldanha aproveita as horas de folga na praia que virou o quintal de casa. “Comecei a frequentar ainda criança. Lembro de que as feras do surfe aqui eram o Zeno Brito, o Roberto Lima e o Bita Pereira. Da minha geração tem o Rodrigo Viegas. O bom mesmo é vir aqui e encontrar os amigos”, afirma. A Joaquina também foi o reduto de surfistas renomados como Teco Padaratz, Guga Arruda, Jacqueline Silva e Gabriel Medina.

Beach tennis é o esporte da moda na Joaca

Carinhosamente conhecida pelo apelido de Joaca, a praia sempre foi um reduto do esporte. Além do surfe, a faixa de areia era dividida entre banhistas e jogadores de futebol e vôlei. Quem conta é o empresário Elieser Dilmo de Sousa, 41 anos, que cresceu na Joaquina. Neto de Maurílio e sobrinho de Mauri Nunes, o empresário é um dos precursores do beach tennis e responsável pela criação de quatro quadras entre os restaurantes.

“Quando não tinha o movimento intenso de turista e antes da lei que proíbe esporte na praia, jogávamos futebol, vôlei e frescobol no canto das pedras. Com o aumento do movimento, buscamos uma alternativa de continuar praticando esporte”, explica. “O beach tennis começou como uma brincadeira e virou um vício gostoso. Hoje, a nossa associação tem quase 300 participantes”, ressalta. Sousa lembra que a Joaquina sempre foi frequentada em peso pelos moradores da Lagoa da Conceição, Trindade e Agronômica.

Praia abrigava a mãe dos surfistas

No dia 28 de dezembro de 2014, a Joaquina perdeu a mãe dos surfistas. Vilma Elza da Silva era uma das poucas moradoras do balneário. A diferença é que a sua casa ficava na areia da praia, atrás do restaurante Pedra Careca. Ela foi vítima de um câncer de pulmão.

“A Vilma sempre foi uma pessoa muito especial. Ela atendia a todos com muita atenção. Tive muito contato com a filha Patrícia. A praia ficou um pouco mais triste com a sua despedida”, lembra a servidora pública Lia Fernandes. A casa está em ruína porque a Floram retirou a família do imóvel.    

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