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Sexta-Feira, 27 de Abril de 2018
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Organizações civis repudiam troca de comando na ESEC de Carijós

Fábio Bispo
Florianópolis

A Estação Ecológica de Carijos, criada em 1987 para proteger os dois principais manguezais do Norte da Ilha, tem nova chefia de unidade. A exoneração de Silvio de Souza Júnior, há cinco anos no posto, foi publicada no Diário Oficial da União da última sexta-feira (8). Na mesma portaria, o Presidente do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), Cláudio Maretti, nomeou novo chefe, Ricardo Peng. Organizações da sociedade civil questionaram a mudança e lançaram uma moção contrária a mudança.

Luiz Evangelista/Arquivo ND/Dez de 2012
Reserva abriga mangues de Ratones e Saco Grande


A troca de chefia na ESEC de Carijós acontece às vésperas do órgão apresentar laudo de impacto ambiental para ampliação do empreendimento de Jurerê Internacional. O EIA/Rima, que deve ser apresentado nos próximos dias pela Coordenadoria Regional nos próximos dias, no entanto, diante das mudanças de chefia a expectativa é de que os estudos atrasem.

Por telefone, Sílvio disse que não era sua vontade deixar a chefia do órgão, onde afirma ter começado um trabalho de educação ambiental e de pesquisa científica que precisa ser mantido. “Entrei há cinco anos numa seleção interna entre servidores internos e não sei o motivo de minha saída, o que me disseram é de que se trata de um procedimento normal”, afirmou. Procurado, o coordenador regional, Daniel Bolssonaro Penteado, não foi encontrado. Segundo a secretaria da Coordenadoria ele está em viagem ao Rio Grande do Sul.

A Aprender (Ações para Preservação dos Recursos Naturais e Desenvolvimento Econômico Racional), autora de uma moção coletiva contra a exoneração de Sílvio, publicou nota onde destacou sua atuação a frente do órgão de proteção na Ilha de Santa Catarina. “Souza tem conseguido a conciliação em conflitos da ESEC com a comunidade de entorno e no enfrentamento de problemas gravíssimos que assolam a cidade, como o caos no saneamento ambiental e a crise na pesca artesanal”, diz trecho do documento.

Além de coordenar o laudo técnico sobre os impactos do empreendimento da Habitasul que pretende aumentar em uma vez e meia o tamanho de Jurerê Internacional no entorno da reserva, Sílvio também estava a frente dos conflitos que envolveram a Casan e Estação de Carijós. “Estávamos tentando resolver a questão do efluente que é lançado pela ETE de Canasvieiras no rio Papaquara, no ano passado aplicamos multa de R$ 1 milhão e também atuamos numa Ação Civil Pública Contra a Casan”, informou. Silvio também é responsável pela aplicação de uma multa de R$ 200 mil já transitada internamente no órgão que se não for paga poderá incluir a Casan no Cadin (Cadastro Informativo de Crédito não Quitado).

O servidor informou que vai continuar desenvolvendo suas funções como técnico do órgão (atualmente são sete) e espera que os programas iniciados em sua gestão sejam mantidos. “Nós já vínhamos com uma situação de corte de investimentos há uns dois anos, a maioria dos programas são realizados com parcerias de ONGs e entidades”, disse. A reportagem procurou o novo chefe da ESEC, Ricardo Peng, mas ele também não foi encontrado para comentar como ficam os estudos e atividades na estação.

Assinaram a moção contra a saída de Sílvio, além da Apreender, Associação Coletivo UC da Ilha, Associação dos Pescadores do Rio Ratones, Cepagro (Centro de Estudos e Promoção da Agricultura de Grupo), Instituto Ekko Brasil, Instituto Ilha do Campeche, Instituto Larus, Instituto Sea Shepherd Brasil - Núcleo Santa Catarina, Laboratório de Gestão Costeira Integrada do Departamento de Geociências da Universidade Federal de Santa Catarina, Movimento Jacaré Poiô, Movimento Ilhaverde e UFECO (União Florianopolitana de Entidades Comunitárias).

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