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Conheça o guardião do paraíso do surfe da Grande Florianópolis

Pescador que recepcionou os primeiros surfistas em 1973 ainda luta pela Guarda do Embaú

Brunela Maria
Palhoça
13/03/2017 às 13H05

Na rua, ele é o mais popular. Todos o cumprimentam e pedem orientação. É visível o respeito que têm pelo guardião do bairro. A simplicidade de pescador e a angústia perante as necessidades da comunidade, podem até assustar no início. Mas na primeira chance, Valdemiro Alzi Correa, 69 anos, ou simplesmente “Seu Cabral”, como é conhecido, trata logo de quebrar o gelo. “A vida é feita de boas risadas. Problema a gente sempre tem e tem que enfrentar de qualquer forma”, ensina. Em 1973, foi Cabral quem apresentou a Guarda do Embaú, em Palhoça, aos primeiros três surfistas, vindos do Rio de Janeiro.

Mesmo com o sucesso do estacionamento, o pescador não deixa de lado o barco e suas redes - Brunela Maria/ND
Mesmo com o sucesso do estacionamento, o pescador não deixa de lado o barco e suas redes - Brunela Maria/ND


Antes de clarear o dia, o guardião já está de pé. Vai arrumar as redes, porque mesmo virando empresário, a partir da implantação do primeiro estacionamento dedicado aos surfistas, não deixou de ser pescador. “Foi se o tempo que o pescador conseguia sobreviver apenas do peixe. Aqui o foco é o turismo agora. Mas como sou teimoso, ainda faço minhas redes”, diz.

No caminho para a praia ele ainda tem tempo de passar pelas ruas e literalmente “peitar” quem insiste em oferecer drogas aos que chegam para surfar. “Eu não permito. Vou lá e mando eles saírem. Sem arma nenhuma, de peito aberto. Não podemos permitir que façam isso com a Guarda”, continua.

Quando os primeiros surfistas chegaram, Cabral lembra que pouco mais de vinte famílias moravam na Guarda do Embaú. Para ele, o que mais chamou a atenção deles, além das ondas, foi a simplicidade da comunidade.

Os nativos não conheciam o surfe e ficaram assustados. “Quando viam eles no mar pensavam em tragédia. Ficaram assustados, achando que algum barco havia virado e que estavam à deriva. Vendo eles se equilibrando na madeira, lembrei que eram os corredores de pranchinha”, continua.

Emancipação é o melhor caminho para a região

Preservação é a maior preocupação de Cabral - Brunela Maria/ND
Preservação é a maior preocupação de Cabral - Brunela Maria/ND


Cabral repete a todos que conversam com ele: “temos que proteger a Guarda. Precisamos de muita coisa”, garante. O pescador lamenta a falta de consideração dos políticos para com a comunidade.

“Precisamos muito resolver a questão do esgoto. Estamos abandonados. Com a quantidade de turistas que recebemos, não temos o básico”, diz. Cabral há muitos anos é defensor da emancipação político-administrativa da Guarda do Embaú e das praias vizinhas, a partir do Morro dos Cavalos.

O pescador também está preocupado com o adensamento populacional da região. “Já decidimos que não vamos aceitar prédios com mais de três pavimentos. Já recebemos muita gente sem isso. Imagina se ampliarem o tamanho das construções”, continua.

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