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“O brasileiro é empreendedor por necessidade”, afirma CEO do Peixe Urbano

Empresário dá palestra nesta sexta-feira em Florianópolis sobre a trajetória da empresa

Fabio Gadotti
Florianópolis
01/09/2017 às 09H52

CEO do Peixe Urbano, maior plataforma de ofertas locais do Brasil, o executivo Alex Tabor dá palestra nesta sexta (1) no evento do LIDE-SC (Grupo de Líderes Empresariais), em Florianópolis, sobre os principais desafios na trajetória da empresa fundada há sete anos no Rio de Janeiro. Totalmente ambientado na Capital catarinense, onde mora desde o início do ano, Alex fala nesta entrevista ao ND sobre as expectativas de crescimento previstas para os próximos meses, o mercado a ser explorado no país, as características do empreendedor brasileiro e ainda sobre as dificuldades enfrentadas pelo setor produtivo. Também avalia a decisão de mudança da sede da empresa e o potencial da Capital catarinense para se consolidar como polo nacional de tecnologia e inovação. “A importância da tecnologia para a cidade é muito maior do que eu imaginei”, afirma.

Alex Tabor fala sobre a importância da tecnologia para Florianópolis - Marco Santiago/ND
Alex Tabor fala sobre a importância da tecnologia para Florianópolis - Marco Santiago/ND


ENTREVISTA/ALEX TABOR, CEO do Peixe Urbano

Em janeiro, durante o anúncio da transferência para Florianópolis, a empresa divulgou uma projeção de crescimento e contratações até o fim de 2017. O cenário econômico provocou mudanças?

Alguns parâmetros foram ajustados um pouco porque nem tudo bate exatamente com o previsto, mas em grandes linhas é o mesmo planejamento. Estamos dentro de um mercado que é muito grande. Se somarmos todas as atividades em que a gente trabalha – gastronomia, hotelaria, educação -, é um mercado superior a R$ 1 trilhão ao ano. Então a gente está ainda muito pequeno, dando os passos para crescer dentro desses diversos mercados, mas também é algo que tem que ser feito no ritmo certo porque senão é muito custoso

 

E a previsão de contratações permanece igual?
Temos mais de 400 pessoas distribuídas pelo país. Em Florianópolis temos 250. Deve subir para 300 no meio do ano que vem, um número um pouco menor do que a previsão inicial, mas é mais por causa de conseguir operar com mais eficiência.

 

A cidade tem atendido às expectativas quanto à mão-de-obra qualificada, oportunidades de negócios e qualidade de vida?
Sim, completamente. Até superou as expectativas. A gente viu que a mão-de-obra é muito boa, muito qualificada. Aprende rápido, trabalha com foco e não falo só em termos de produtividade, mas também na entrega da melhor experiência aos nossos clientes. Em relação à qualidade de vida, é maravilhosa, um paraíso. Muito parecido com o estilo de vida do Rio de Janeiro, um dos motivos que nos fez selecionar Florianópolis. Mas com mais tranquilidade e não tão cara.

 

Como analisa o potencial de Florianópolis como polo nacional de tecnologia e inovação?
Já tinha ouvido sobre a importância da tecnologia em Florianópolis antes de mudar para cá. Mas é muito maior do que eu imaginei. Tanto que não é só a maior indústria, olhando a arrecadação de impostos, mas três vezes maior do que o turismo. É disparado o maior segmento da economia. E, em grande parte, um motivo que vai fazer com o que o polo fique cada vez mais forte são as excelentes universidades, que atraem pessoas de outros lugares do país, que estudam, se formam e não querem voltar aos seus locais de origem. Então acham produtos para criar, softwares, sistemas e conseguem permanecer em Florianópolis, mas prestando serviços para o resto do país e do mundo. E aqui é perto de São Paulo, uma hora de voo. Muito acessível.

 

Como continuar empreendendo e driblar as dificuldades, apesar do cenário de crise?
Historicamente, o maior número de empresas são criadas justamente em tempos de recessão. Nos Estados Unidos muitas pessoas são empreendedoras por opção e, historicamente, o brasileiro é empreendedor por necessidade, ao perder o emprego, por exemplo. Nos últimos cinco anos, tem tido mais empreendedorismo no Brasil por opção, com a popularidade das startups. Numa época de crise, há mais oportunidade de novos serviços engrenarem. Quando as empresas estão faturando cada vez mais, fazendo o dia-a-dia normal, têm menos estímulo para testar novos serviços. E isso serve como uma barreira de entrada às startups. Já na crise, todo mundo fica disposto a falar com qualquer entidade que mostre um jeito de melhorar a operação e o resultado.

 

Fala-se muito em inovação, mas o mercado continua mudando muito, e rapidamente. No que prestar atenção para não perder espaço e competitividade?
Buscar sempre eficiência e experiência. Se você não está o tempo todo empenhado em melhorar os indicadores, corre o risco de outro entrar e tomar seu mercado. E, às vezes, existem produtos que parecem não ter muito a ver, mas acabam servindo e tomando o mercado. Então sempre tem que olhar para fora. E dentro analisar a satisfação do usuário, a experiência.

 

Qual a maior dificuldade hoje que o empresário brasileiro enfrenta hoje?
Depende muito da categoria de empresa. Para a gente, a parte de tributos é pesada, paga-se muito mais do que uma empresa norte-americana. E isso acaba repercutindo no preço dos produtos, inflaciona. Os juros são muito elevados, o crédito também é um enorme problema para determinados setores. Cada empresa tem seus desafios. E todas elas têm o desafio de encontrar gente, pessoas certas. E não só de qualificação, mas de cultura, de atitude

 

O PEIXE URBANO EM NÚMEROS

_ Fundação: 2010, no Rio de Janeiro
_ Primeira a introduzir o conceito de compras coletivas na América Latina, transformou-se na maior plataforma de ofertas locais do Brasil

_ Desde outubro de 2014 conta um novo sócio investidor, o grupo chinês Baidu, segundo maior serviço global de buscas na web e uma das maiores empresas de internet do mundo.
_ No início de 2017, a sede foi transferida para Florianópolis. Possui escritórios no Rio de Janeiro, São Paulo, Itajubá (SP) e também no Uruguai

_ 28,5 milhões de usuários cadastrados
_ Mais de 70 mil parceiros
_ Mais de 44 milhões de cupons vendidos
_ 165 mil ofertas publicadas

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