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“O Brasil precisa ganhar competitividade e SC é um belo exemplo”, afirma Geraldo Alckmin

Cotado a pré-candidato como presidente em 2018, governador de São Paulo esteve em Florianópolis no sábado

Felipe Alves
Florianópolis
14/08/2017 às 09H48

Em palestra no sábado (12)  em Florianópolis, o governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), conseguiu reunir as principais lideranças tucanas, do PMDB e do PP catarinense. Em clima de pré-candidatura à Presidência da República, ele evita confirmar seu nome como escolha do partido, já que o prefeito de São Paulo, João Dória, também está cotado. Mas os principais líderes presentes, como o vice-governador Eduardo Pinho Moreira (PMDB), o senador Paulo Bauer (PSDB), e o deputado Esperidião Amin (PP), reforçaram seu apreço por Alckmin e sua eventual candidatura.

Em clima de pré-candidatura à presidência, Alckmin reúne PSDB, PMDB e PP em Florianópolis

Alckmin apresentou sua visão para mudar o Brasil: apoio às reformas em tramitação, investimento em emprego e empreendedorismo, política fiscal rigorosa, redução do custo-Brasil e forte descentralização. Pensando em 2018, um possível novo embate contra Lula não seria ruim para fazer um “tira-teima”, segundo ele.

Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, em palestra na Assembleia - Daniel Queiroz/ND
Geraldo Alckmin, governador de São Paulo, em palestra na Assembleia - Daniel Queiroz/ND



 

É necessário convencer o PSDB de que o senhor é o candidato à presidência da República?

Neste momento, temos que cuidar de 2017. Eleição é em ano par. Estamos em ano ímpar. Esse é um ano de trabalharmos no sentido de debatermos ideias, propostas, elaborarmos projetos, ouvirmos a sociedade, o partido, e no momento correto definir candidaturas. Já fui candidato a presidente, tive uma votação histórica aqui no Estado, no primeiro e no segundo turno contra o Lula.

 

O senhor recentemente disse que a eleição de 2018 vai ser a eleição da experiência. Como se fala em novo na política, que é preciso ter reoxigenação, por que o senhor acredita que 2018 vai ser da experiência?

É da experiência do povo brasileiro. Um enorme sofrimento desses quase 14 milhões de desempregados, resultado de um populismo destrutivo, de uma inexperiência arrogante e o resultado está aí. Eu sou otimista, acho que o Brasil tem tudo para se recuperar, mas nós não vamos chegar à Terra prometida com voluntarismo. Vamos chegar com trabalho, sacrifício, reformas importantes. O Brasil precisa ganhar competitividade, eficiência e o Estado de Santa Catarina é um belo exemplo de um Estado. Tem uma agricultura de ponta, agroindústria, agregação de valor, marcas, presença internacional, indústria diversificada, turismo, serviços. Falta infraestrutura. Com uma boa infraestrutura, com esse sistema fundiário extraordinário de Santa Catarina, e polos de desenvolvimento, tem tudo para crescer.

 

Se a eleição de 2018 deve ser da experiência, como os partidos tradicionais devem se apresentar ao eleitor, considerando que líderes de boa parte das legendas mais tradicionais do país, incluindo o PSDB, está envolvido em escândalos de corrupção?

Acho que a população sabe diferenciar muito bem as coisas. Mário Covas dizia que o povo erra menos que as elites. A população tem uma enorme sabedoria. Eu defendo mudanças e também o novo. Mas o que é o novo? O novo não é a idade, quem tem 30, 50, 60 anos, nem quem nunca foi candidato, quem já foi. O novo é defender o interesse público e coletivo. O Brasil é órfão no interesse coletivo todos os dias. As corporações tomaram conta. O novo é combater privilégios, sejam no setor público ou privado.

 

O senador Tasso Jereissati [presidente interino do PSDB] já defendeu o desembarque do PSDB do governo Michel Temer. Como o senhor vê essa questão?

O nosso compromisso é com o país e com a retomada do crescimento e do emprego. Nós não precisamos estar no governo para votar medidas que entendemos necessárias e corretas. Os ministros são ótimos quadros, é uma questão de foro íntimo e também decisão do presidente da República. Nós vamos ajudar independentemente de participação em governo.

 

O senhor quando foi candidato em 2006, teve apoio da tríplice aliança, as principais lideranças do Estado estavam fazendo o seu palanque aqui. Hoje temos aqui o senador Paulo Bauer, o vice-governador Pinho Moreira e o governador Raimundo Colombo também já disse que gostaria de apoiá-lo à presidência. O senhor acredita que é possível reaglutinar todo esse grupo político em torno de uma candidatura?

Em 2006, nós tivemos aqui uma aliança importante, vencedora. Aquela eleição foi muito importante. Às vezes a gente aprende até mais quando perde do que quando ganha. Quando ganha acha que fez tudo certo. O Brasil é um país continental. Quantos ‘Brasis’ nós temos no Brasil? Acho que nós estamos mais preparados para poder enfrentar uma situação que não é fácil. Estamos numa situação fiscal extremamente preocupante e a necessidade de implementar um conjunto de reformas necessárias. Uma eleição onde nós vencemos em um terço dos Estados brasileiros, inclusive aqui em Santa Catarina, e em que enfrentávamos a reeleição. Eu já fui reeleito três vezes. Reeleição é muito desigual. Era outro momento. Não será ruim fazer um tira-teima com o Lula.

 

Tem uma grande chance de Lula não ser o candidato da esquerda do ano que vem e o PSDB talvez seja o partido que represente a direita. Se o senhor enfrentasse outro candidato, como o Ciro Gomes, por exemplo, o que o senhor iria achar disso? E o senhor acha que o PSDB hoje é um partido da direita?

Esse conceito de direita e esquerda está muito mudado. Eu defendo uma economia de mercado, tanto mais mercado quanto possível e o Estado necessário. Não defendo laissez-faire (liberalismo econômico). O Estado tem o papel. Na área de infraestrutura, por exemplo, você precisa ter um papel fortemente regulador e fiscalizar. Achar que o governo tem dinheiro pra tudo e vai ser executor de tudo não é a realidade. Ou então fazer concessão. PPP [parceria público-privada] é uma maravilha? Depende. Se você tiver um bom marco regulatório e fiscalização é ótimo. Também defendo política fiscal dura, responsável e que tenha espaço para investimento. Eu fui prefeito na década de 70 e o Brasil crescia 10%, 12% ao ano. Da década de 1930 a 1970, o Brasil foi o país que mais cresceu no mundo. O grande desafio hoje é: emprego, emprego, renda e renda.

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