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Terça-Feira, 20 de Novembro de 2018
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O alerta da imigração europeia

Aumento do fluxo de pessoas com direção a Europa, mesmo após a crise de 2008, e descoberta recente do Brasil como país de destino provocam reflexão sobre a interdependência das economias

Alessandra Ogeda
Florianópolis

Não há mais a possibilidade de investirmos em sucesso pessoal ou profissional imaginando que estamos isolados no mundo. Esta mensagem foi repassada, de formas distintas, pelos dois palestrantes aplaudidos de pé pela plateia da Expogestão 2015. Esta compreensão tem tudo a ver não apenas com a recente chegada de imigrantes do Haiti e de Senegal a Santa Catarina, mas também com o drama que milhares passam na Europa.

Para o professor, filósofo e escritor Clóvis de Barros Filho "todos somos co-responsáveis pelo que observamos na sociedade" e, para a monja Coen Sensei, "não existe 'eu ganho sozinho'" porque nós "todos estamos interligados uns com os outros". O que isso tem a ver com a descoberta do Brasil, nos últimos anos, de correntes imigratórias como as de haitianos e senegaleses?

Ora, como os indivíduos, todas as economias e países estão interligados. Não é possível pensar em um alto desenvolvimento em um país sem imaginar que em outra parte do mundo há gente indiretamente explorada ou com condições de vida desiguais. Vivi na Espanha, como tantos outros brasileiros e latinos, entre 2005 e 2008. Era o fim de uma corrente imigratória que tinha achado a Espanha em pleno crescimento, virada em um canteiro de obras - tanto públicas quanto do setor imobiliário - e com bastante espaço de empregos no setor de serviços.

Essa boa fase terminou com a crise mundial de 2008. Ainda assim, a chegada de imigrantes apenas aumentou, triplicando no primeiro trimestre de 2015 - na comparação com o mesmo período de 2014 -, mas agora achando condições mais adversas. As pessoas fogem de guerras, conflitos e/ou buscam melhores oportunidades de trabalho. Têm esse direito, mas sofrem ao deixar as suas origens para trás.

Como resolver isso? Para começar, com os países - e o Brasil incluído - mais ricos se preparando melhor para recebê-los. E depois, o que é uma medida de médio a longo prazo, com estes mesmos países pensando em como ajudar no desenvolvimento e no fomento da paz nestes locais de origem dos imigrantes. Porque o mundo, e isto está cada vez mais claro, não conseguirá resolver bem os seus problemas enquanto pensar apenas em desenvolver alguns territórios isoladamente.

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