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Novo sistema de transporte coletivo avalia linha entre UFSC e cidades da região

Proposta foi apresentada pelos municípios durante a série de audiências públicas que discutiu as necessidades da Grande Florianópolis

Brunela Maria
São José
28/10/2017 às 12H47

Para cursar engenharia de alimentos na Ufsc (Universidade Federal de Santa Catarina), a estudante Bianca Laurindo Arruda, 19 anos, de São José, divide o carro com o irmão. Como estudam em turnos separados, o veículo vai e volta da Ilha pelo menos duas vezes por dia. Foi o único jeito que a família encontrou para driblar as deficiências do transporte público oferecido aos estudantes da Grande Florianópolis.

Bianca Arruda, 19 anos, trocou o transporte coletivo pelo carro por causa dos atrasos e da insegurança em São José - Flávio TIN/ND
Bianca Arruda, 19 anos, trocou o transporte coletivo pelo carro por causa dos atrasos e da insegurança em São José - Flávio TIN/ND


Bianca não poupa críticas à falta de opção hoje imposta a quem estuda na Capital mas reside nas cidades vizinhas. “Antes eu estudava em Blumenau e lá era muito fácil usar o transporte. Pegava quatro ônibus e tinha a integração em terminais, não pagava a mais por isso e sempre foi muito bom. Em 2015, voltei a morar aqui e senti na pele a realidade do transporte da região”, comenta.

Para chegar na faculdade às 10 horas, era preciso sair de casa com no mínimo três horas de antecedência. Moradora do bairro Areias, em São José, Bianca também tinha medo dos assaltos, quando ficava sozinha no ponto e o ônibus não aparecia. “Meus pais ficaram com medo e resolvemos comprar um carro. Tirei minha habilitação para ir até à Ufsc. Se tivesse um transporte mais adequado, com variedade de horários e agilidade no trajeto, não seria preciso optar pelo veículo”, continua.

Essa realidade deve começar a mudar com a implantação do novo sistema de transporte metropolitano. Nas audiências públicas realizadas para a discussão da proposta com os municípios, foi solicitada uma linha exclusiva para a Ufsc, sem precisar passar pelo Ticen (Terminal do Centro de Florianópolis).

Benefício para outras universidades

Pela proposta, cada cidade seria servida com trajetos diretos até a universidade. A viabilidade dessas linhas vai ser estudada pela equipe da Suderf (Superintendência de Desenvolvimento da Grande Florianópolis). “Nós vemos a proposta com bons olhos. Vamos conversar com a prefeitura de Florianópolis sobre essas linhas. Existem interpretações diferentes. Isso envolve muita negociação”, diz o diretor técnico da Suderf, Célio Sztoltz. De acordo com ele, pelos estudos desenvolvidos até agora, a nova linha direta também ajudaria outras instituições de ensino.

Para a estudante de serviço social da UFSC, Vanessa Zoraide Domingos, 23, essa possibilidade iria facilitar muito a vida dos universitários. Pelas dificuldades na questão do horário, lotação e gastos excessivos com passagens, a jovem precisou trocar a Praia da Pinheira, em Palhoça, pelo bairro Trindade, em Florianópolis. “O transporte foi decisivo para eu mudar de cidade. Até porque ficar 4 horas no ônibus é muito cansativo. Pela falta de uma boa estrutura, sem linhas diretas, eu optei por morar mais próximo da universidade e evitar gastos de até R$ 400 em tarifa mensalmente”, diz.

Desafio é concessão da Capital

Além da viabilidade econômica e técnica das novas linhas das cidades vizinhas para a Ufsc, outra equação a ser resolvida diz respeito à concessão já existente na Capital. A empresa que faz o trajeto do Ticem para a universidade perderia parte do volume de passageiros. “Florianópolis é a única a ter contrato de concessão e existe uma expectativa de ganhos por parte da operadora e custos ao poder público. Por isso essa questão precisa ser bem negociada”, comenta Sztoltz.

A expectativa, de outro lado, é de que o novo sistema, além de facilitar a vida dos usuários de todos os munícipios da região, também reduza o gasto dos moradores com o transporte. Junto com a linha direta para a Ufsc, os municípios ainda defendem o pagamento de tarifa única local para quem não cruzar os limites das cidades e um valor diferenciado pelo porte de cada uma.

Debate na reta final

O Estado apresentou a proposta da Rede Integrada de Transporte Coletivo em todos os municípios da região e pretende divulgar a proposta final até o final deste ano. “A partir de agora vamos elaborar o edital de toda a parte correspondente às concessões para mais uma etapa de audiências e colocação em consulta pública”, explicou o superintendente da Suderf, Cassio Taniguchi.

O projeto quer racionalizar o sistema que hoje se caracteriza pela sobreposição de linhas municipais com intermunicipais. São objetivos também reforçar serviços locais e municipais; facilitar as conexões entre as centralidades da área continental da região metropolitana (Centro de Palhoça, de Biguaçu, Kobrasol e Campinas); e melhorar a abrangência territorial da rede de linhas. As contribuições também podem ser enviadas por usuários até dia 25 de novembro para onibusmetropolitano@gmail.com.

A segunda fase do projeto prevê a infraestrutura viária, com implantação de faixas exclusivas de ônibus e corredores para BRTs (Bus Rapid Transit) na Grande Florianópolis. A Suderf defende ainda a construção de terminais de integração em Biguaçu, São José e Palhoça, implantação do Sistema de Inteligência Operacional e Centro de Controle Operacional.

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