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Novo projeto de inclusão social benefíciará pessoas com deficiência em Florianópolis

Programa Floripa Inclusiva foi lançado nesta terça-feira e engloba transporte gratuito para cadeirantes e criação de rotas acessíveis nas ruas

Gustavo Bruning
Florianópolis
02/05/2017 às 21H16

Desde que se afastou dos campeonatos de remo e se aposentou, por causa da meningite, Rafael da Luz, 42 anos, estabeleceu o foco em outras atividades. Atualmente, o morador do Saco dos Limões pratica basquete três vezes por semana na sede da Aflodef (Associação Florianopolitana de Deficientes Físicos), na Agronômica. Sobre as dificuldades enfrentadas no dia a dia, ele é direto: “Depender de ônibus é complicado. Muitas pessoas com deficiência, principalmente as que moram em morros, nem saem de casa nos fins de semana porque não têm como se locomover, já que os ônibus com acessibilidade são bem escassos”. Para promover ações de inclusão social para PCD (Pessoas com deficiência), como Rafael, a Prefeitura de Florianópolis lançou nesta terça-feira (2) o programa Floripa Inclusiva, que engloba projetos de transporte gratuito para cadeirantes, adaptação de rotas acessíveis nas ruas e mutirões com vagas de emprego.

Para o aposentado Rafael da Luz, o trajeto até os pontos de ônibus é um problema frequente - Marco Santiago/ND
Para o aposentado Rafael da Luz, o trajeto até os pontos de ônibus é um problema frequente - Marco Santiago/ND

Entre as iniciativas está o programa de transporte gratuito Porta a Porta, que busca o cadeirante que mora em locais de difícil acesso e o leva ao seu destino para atividades relacionadas à saúde, educação e ao trabalho. A meta é que sejam atendidas, em um primeiro momento, 85 pessoas. O projeto, que deve ser colocado em prática em até 60 dias, terá capacidade para atender 120 usuários, por meio de agendamento.

Cadeirante há seis anos, Rafael está habituado a utilizar o transporte coletivo. “Eu sempre vou de ônibus, porque moro perto da associação, mas tenho amigos que gostariam de fazer atividades e moram longe, então não têm como”, diz.

De acordo com a Aflodef, 15% da população de Florianópolis têm alguma limitação de locomoção e grande parte dessas pessoas mora em comunidades carentes, normalmente com ruas de complexa passagem. “É muito bom ver o reconhecimento da necessidade de atender estas pessoas. Precisamos tirá-las de dentro de casa e incluí-las na sociedade, na escola, no mercado de trabalho”, destaca o presidente da Aflodef, José Roberto Leal, o Zezinho.

No Porta a Porta, serão de oito a dez carros, com plataformas adaptadas. “A partir de agora faremos a logística para estruturar o funcionamento do Porta a Porta e colocá-lo em prática”, diz Zezinho.

Pavimentação requalificada, rampas e mutirões de emprego

Como se não bastasse a dificuldade na hora de pegar o ônibus – Rafael da Luz conta que já caiu ao tentar subir em um dos elevadores hidráulicos e, em alguns casos, os funcionários têm dificuldade em operar o equipamento – o trajeto até os pontos é um problema frequente. “Nenhuma calçada nessa área tem rampa para cadeirante, pode olhar”, diz, enquanto se dirige à parada em frente ao Lar Recanto do Carinho. Para chegar ao ponto, o aposentado precisa dividir o espaço com os carros.

Rafael reclama da escassez de ônibus adaptados para cadeirantes, especialmente nos finais de semana - Marco Santiago/ND
Rafael reclama da escassez de ônibus adaptados para cadeirantes, especialmente nos fins de semana - Marco Santiago/ND

Com a iniciativa Rotas Acessíveis, a prefeitura prevê melhores condições de acessibilidade e conforto para as pessoas com deficiência, incluindo pavimentação requalificada, rampas com inclinações suaves e maior espaço de circulação. A primeira etapa inclui uma rota acessível que ligará o Terminal Rodoviário Rita Maria e o Ticen. E a etapa seguinte contemplará a região central da cidade.

A terceira iniciativa do novo programa é o Espaço Inclusivo, o primeiro local de oportunidades de emprego para PCD de Santa Catarina. O espaço, inaugurado em abril, funciona no Mercado Público e promove mutirões com oportunidades em diversas áreas – o próximo está marcado para amanhã, das 10h às 16h.

Rafael considera o Floripa Inclusiva uma vitória na luta pela acessibilidade. “Será uma maravilha para a gente. Quem costuma fazer voltas pelo Centro sabe a dificuldade de andar por lá”, afirma.

O PROGRAMA

Porta a Porta: Transporte gratuito para cadeirantes, que os leva ao destino para atividades relacionadas à saúde, educação e ao trabalho

Rotas Acessíveis: Pavimentação requalificada, rampas com inclinações suaves e maior espaço de circulação, inicialmente no Centro

Espaço Inclusivo: Oportunidades de emprego para pessoas com deficiência, no Mercado Público

 

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