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No 1º dia de julgamento, mãe de Ricardinho comove ao depor e defesa sustenta tese de facão

Resultado do julgamento do ex-PM Luíz Mota Brentano acontece nesta sexta-feira (16), quando acusado depõe e defesa e acusação apresentam teses

Colombo de Souza
Palhoça
16/12/2016 às 10H43
Ex-policial militar Luíz Mota Brentano é acusado de matar o surfista Ricardinho - Flávio Tin/ND
Ex-policial militar Luíz Mota Brentano é acusado de matar o surfista Ricardinho - Flávio Tin/ND


O resultado do julgamento do ex-policial militar Luíz Mota Brentano, que matou o surfista profissional Ricardo dos Santos, o Ricardinho, na praia da Guarda do Embaú, em Palhoça, em janeiro de 2015, será conhecido nesta sexta-feira (16), quando ocorre o debate entre o Ministério Público e defesa. O júri começou às 9h desta quinta-feira (15), quando foram ouvidas as testemunhas de defesa e acusação.

>> Júri popular ouve testemunhas sobre a morte do surfista Ricardinho, em Palhoça

O depoimento mais comovente foi o da mãe do surfista, Luciane dos Santos. “Meu filho estendido no chão e ferido pelos dois tiros pedia água, dizia que estava com a boca seca. Mas os bombeiros falaram que ele não podia. Ele foi levado de helicóptero para o hospital e eu não pude dar água para o meu filho”, disse.

Ela prestou depoimento na condição de informante. Ao relatar o assassinato do filho, Luciane chorou. A juíza Carolina Ranzolin Nerbass Fretta aguardou Luciane se recompor e perguntou se ela queria descansar para mais tarde continuar o depoimento. Mas a mãe do surfista foi forte e continuou:  "Quero falar que não há justiça que vai trazer meu filho de volta. A maior perda nós que vamos pagar por não ter o Ricardo ao nosso lado. Mas somos obrigados a pedir justiça e eu acredito nela. Obrigada."

Luciane foi uma das 21 testemunhas, entre acusação e defesa, que prestaram depoimento no Fórum de Palhoça.  A presença de um suposto facão no dia do crime foi discutida nos depoimentos desta quinta-feira. 

De acordo com o delegado Marcelo Arruda, que presidiu o inquérito policial, durante toda a investigação não se comprovou qualquer arma branca no local do crime. As únicas pessoas que citaram o facão foram Brentano e seu irmão. “Mesmo se houvesse facão, acredito que não caberia legítima defesa porque a reação foi exagerada”, disse o delegado.

Avô de Ricardinho estava presente no dia do crime - Flávio Tin/ND
Avô de Ricardinho estava presente no dia do crime - Flávio Tin/ND



Dia para acusação e defesa

Às 9h desta sexta-feira, o júri recomeça com o interrogatório do réu, o ex-policial Luiz Mota Brentano. Em seguida, acusação e defesa apresentam suas teses. O promotor Alexandre Carrinho Muniz, tentando convencer o corpo de jurados de que o homicídio praticado pelo ex-militar é de natureza qualificada, sem chances de a vítima se defender, além de que os tiros desferidos poderiam ter atingido outras pessoas que passavam pela trilha, acesso às praias do Evori e Prainha. O crime ocorreu entre 8h e 8h30.

Por outro lado, a defesa vai focar na tese de legítima defesa. Os advogados Rafael Luiz Siewert e Leandro Gornicki Nunes levaram para prestar depoimento uma hippie de nome Rose Cruz, que disse ter visto Ricardinho investir com um facão contra o ex-PM. Brentano estava no Citroen C4 com o irmão de 17 anos. O motivo do crime foi uma discussão entre réu e vítima, porque o primeiro estacionou o carro em cima de uma obra de tubulação e não quis tirar o veículo para o surfista e o avô terminarem um serviço de drenagem. 

A informação de que um casal de hippies teria visto Ricardinho com um facão foi levada pelo tenente PM Ricardo Hermes ao delegado Marcelo Arruda cinco dias após ele ter iniciado o inquérito. No depoimento que prestou nesta quinta-feira, o delegado disse que tentou localizar o casal, inclusive com a ajuda da Polícia Militar de Palhoça, mas não obteve êxito.

“Os telefones celulares que foram repassados não funcionavam, dava sinal de que não existiam”, contou o policial. Ao ser questionado pela defesa de Brentano por que não insistiu em tentar localizar o casal, o delegado disse que não tinha tempo, pois se tratava de réu preso e o prazo para concluir a investigação era de 30 dias.

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