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ND 11 anos: de todos os ângulos, o jornal que mostra a cidade inteira de informação

O jornal completa nesta segunda (13), 11 anos desde a sua fundação, levando os dilemas e anseios da Grande Florianópolis

Paulo Clóvis Schmitz
Florianópolis
12/03/2017 às 21H39

Virgílio Várzea, escritor de alta linhagem, foi pioneiro na arte de deixar registradas, em tom literário, as impressões sobre diferentes recantos da Ilha de Santa Catarina e da cidade que se chamou Desterro até 1894. Seus relatos da segunda metade do século 19 fazem referências a prédios baixos, vilas à beira-mar, igrejinhas que sobressaíam na paisagem desabitada, casas de estuque isoladas na planície litorânea, roças de cana e aipim que garantiam, com o peixe farto, o sustento das famílias.

Confira nesta página, imagens de Floripa produzidas com drone; assista ao vídeo



Antes dele, navegantes, exploradores de terras virgens e desbravadores que perseguiam a fortuna no Brasil meridional também legaram impressões, desenhos, aquarelas, mapas e textos sobre o território, que ganhou relevância estratégica para quem se dirigia ao sul do continente. É de imaginar o espanto desses homens ao se depararem com as belezas perdidas neste canto do hemisfério.

Com o tempo, a ocupação humana se consolidou, com as virtudes e sacrilégios que isso pode engendrar. Mas lá estavam, intocados, os costões de desenhos sensuais, as enseadas piscosas, as praias que, desconfia-se, já haviam recebido a visita de aventureiros antes da chegada dos portugueses.

Maciço do Morro da Cruz, Florianópolis - Flávio Tin/ND
Maciço do Morro da Cruz, Florianópolis - Flávio Tin/ND



A mata intocada já estava no seu lugar, as marcas da ocupação indígena ficaram em pratos, infusões e instrumentos de trabalho e os rios, restingas e dunas foram se adaptando às mudanças que o tempo opera permanentemente, à revelia de outras vontades, com a autoridade que só a natureza pode exercer.

Vieram as fortalezas do sistema de defesa, as primeiras estradas, o comércio incipiente, as injunções políticas que sempre interferem na história, para o bem e para o mal. Houve batalhas, chacinas, a tentativa de tornar o Estado um país independente – tudo conduzido por uma elite que deixava ao povo o papel de coadjuvante.

Ponte Hercílio Luz, Florianópolis - Flávio Tin/ND
Ponte Hercílio Luz, Florianópolis - Flávio Tin/ND



Os vilarejos foram se expandindo, as igrejas perderam a primazia no mar de prédios e mansões e as áreas de plantio, muitas delas encostas acima, deram lugar a quintais com piscinas e jardins de flores exóticas. Já era o século 20, e o marasmo ainda predominava, apesar de espasmos modernizadores que buscavam inserir a pequena cidade no mapa da economia e da cultura do Brasil.

Após as violentas transformações do último meio século, o que foi pasmaceira cedeu espaço para a pressa, o barulho, as buzinas, os engarrafamentos. Ao contrário do que ocorria até os anos de 1960, quando Florianópolis era um vilarejo onde todos se conheciam, a balbúrdia dá as cartas nas ruas e avenidas, nas praias e calçadões.

Praça dos Bombeiros, Centro de Florianópolis - Flávio Tin/ND
Praça dos Bombeiros, Centro de Florianópolis - Flávio Tin/ND



Mas, quer saber, nem todos os moradores antigos têm saudade ou alimentam a nostalgia do passado. O progresso é um mal necessário, dizem eles, porque se houve perdas nas conversas de esquina e na solidariedade, nas relações interpessoais e no prazer do “bom dia” na praça central, a cidade ganhou escolas e equipamentos públicos, as comunicações trouxeram o mundo para dentro de casa e muitas doenças foram domadas graças aos avanços da medicina e ao poder dos remédios. Vive-se mais e o conforto está a um passo de quem puder pagar por ele.

Aterro da baía Sul, centro de Florianópolis - Flávio Tin/ND
Aterro da baía Sul, centro de Florianópolis - Flávio Tin/ND



Atualmente, a capital dos catarinenses é uma babel de línguas, o paraíso dos investidores imobiliários, o lugar onde muitos brasileiros desejam viver – e muitos deles já vivem, dando à cidade um ar cosmopolita com que nem sonhavam os primeiros ocupantes da terra, os forasteiros que se estabeleceram depois e o próprio Virgílio Várzea, que falava dos arrabaldes, romarias, engenhos e freguesias com a mesma objetividade que definia a estética naturalista daqueles anos.

É esta cidade, e os municípios que a cercam, que o Notícias do Dia atende e acompanha desde sua criação, 11 anos atrás. Com a vocação de veículo comprometido com os fatos, dilemas e anseios locais e da região, o jornal se consolidou e conquistou os florianopolitanos e seus vizinhos.

Jurerê Internacional, Norte da Ilha - Flávio Tin/ND
Jurerê Internacional, Norte da Ilha - Flávio Tin/ND



Aqui está uma mostra da Ilha vista de cima, numa perspectiva que não está ao alcance dos motoristas ou dos caminhantes – que transitam sem ver os belos recantos que a cidade esconde em cada metro quadrado de seu território.

SC-401, Florianópolis - Flávio Tin/ND
SC-401, Florianópolis - Flávio Tin/ND



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