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Multidão sim, mas com segurança: as receitas do Carnaval da paz em Florianópolis

Exceto por ocorrências isoladas e de baixa gravidade, 2018 teve o Carnaval de rua mais tranquilo dos últimos anos na Capital

Carlos Damião
Florianópolis
17/02/2018 às 16H05

O Carnaval de 2018 entrou para a história como o de maior público já registrado nas ruas centrais de Florianópolis, em es­pecial no sábado (10) – auge da festa popular –, com mais de 160 mil pessoas concentradas no entor­no da praça 15 de Novembro. O número foi calculado pela Polícia Militar e divulgado pela prefeitu­ra como o mais expressivo de to­dos os tempos, pela movimenta­ção de foliões na região central.

A praça 15 sempre foi o pon­to de convergência do Carnaval, desde as primeiras décadas do século 20. Entre os anos 1960 e 1970 os desfiles das escolas de samba e das grandes sociedades eram realizados em volta da pra­ça. O que garantia diversão às torcidas e aos que brincavam na “periferia” dos desfiles – os irreve­rentes blocos de sujos, dos mais informais até os mais organiza­dos, como os blocos dos clubes Lira, Doze, LIC (Lagoa Iate Clube), Paula Ramos, os Batuqueiros do Limão, o Sou+Eu, entre outros.

Polícia Militar estimou 160 mil pessoas no entorno da praça 15 de novembro - Flávio Tin/ND
Polícia Militar estimou 160 mil pessoas no entorno da praça 15 de Novembro - Flávio Tin/ND



Reza a lenda que Florianó­polis já teve o terceiro melhor Carnaval do Brasil, título con­cedido por uma das revistas se­manais que exaltavam as festas de Momo entre as décadas de 1960 e 1980 – Manchete e O Cru­zeiro. O título não tinha relação direta com as escolas, mas com o conjunto da obra, incluindo o animadíssimo Carnaval de rua, totalmente devotado ao samba e às marchinhas. Essa pureza se perdeu ao longo do tempo, em razão da popularização de ou­tros ritmos, como pagode, serta­nejo, funk, rap e batidas do gêne­ro technopop (o bate-estaca).

O Carnaval de rua do sába­do é uma prova de resistência da festa no Centro, que perdeu os desfiles das escolas, reali­zados na Praça 15 e depois na avenida Paulo Fontes. Perdeu também os bailes públicos e o Carnaval do Roma, eventos ex­tintos na gestão de Dario Ber­ger (MDB), porque a segurança pública não garantia a tranqui­lidade dos foliões.

Redução de decibéis

A prefeitura avaliou po­sitivamente o Carnaval de rua do Centro em 2018. Conforme o secretário de Turismo, Vinicius De Lucca, coordenador geral da festa, foi um evento tranquilo, que valorizou a liberdade e a criatividade dos blocos. Ele des­taca a articulação entre setores da prefeitura e do Estado para o planejamento e a garantia da segurança dos participantes.

Quanto aos carros tunados, com equipamentos de som po­tentes, Vinicius observa que a organização conseguiu diminuir bastante a presença deles, se comparada com 2017. E anuncia que, para 2019, só participarão os que integrarem os blocos e “efetivamente descerem a pra­ça”. Ou seja, veículos estaciona­dos com “sonzeira” eletrônica ficarão mais restritos.

O Bloco dos Sujos mantém o espaço tradicional do Carnaval no Centro de Florianópolis - Flávio Tin/ND
O Bloco dos Sujos mantém o espaço tradicional do Carnaval no Centro de Florianópolis - Flávio Tin/ND



Planejamento multisetorial

“A avaliação que faço do Carna­val é extremamente positiva. Tanto nos bairros como na região central onde houve a maior concentração de público”, diz a secretária municipal de Segurança Pública e comandante da Guarda Municipal, Maryanne de Mattos. “Isso foi fruto de planejamen­to entre todos os órgãos envolvidos e um trabalho muito integrado todos os dias de Carnaval. Foi criado um gru­po de WhatsApp onde GMF, PM, SUSP, Comcap, Mobilidade, turismo e promo­tores trabalharam de forma dinâmica e prática, resolvendo as situações que surgiam na hora”, acrescenta. Ela expli­ca ainda que a GMF ficou responsável por todos os fechamentos de trânsito e a segurança no entorno da passare­la. “Também aproveitamos o momen­to para distribuir leques com dicas de segurança no trânsito e pulseiras de identificação das crianças. Mais uma vez constatamos que o trabalho plane­jado e integrado gera resultados positi­vos e neste caso a sociedade que ganha mais uma vez, com um evento seguro e organizado”, conclui a comandante.

Prevenção e mais agentes na rua

Comandante do 4º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Marcelo Pontes, atribui a tranquilidade do Carna­val de rua no Centro a três fatores prin­cipais: o trabalho preventivo dos órgãos de segurança pública e a distribuição dos agentes pelos pontos estratégicos e mais importantes; a execução de músicas típi­cas da festa na arena fechada na Praça Fernando Machado; e a limitação do ho­rário para as festas abertas, facilitando a utilização dos ônibus urbanos e inter­municipais no Ticen antes da meia-noite. “Ao contrário de 2017, o Ticen conseguiu atender a demanda de passageiros, sem confusões e brigas entre passageiros. Foi o Carnaval mais pacífico dos últimos anos, sem o registro de ocorrências rele­vantes no Centro”, diz.

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