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Multidão se reuniu na BR-101, em Palhoça, em apoio aos caminhoneiros

Redução de impostos, gritos de “Fora, Temer” e fim da corrupção estavam entre as pautas dos manifestantes

Felipe Alves
Florianópolis
27/05/2018 às 19H35

Uma multidão tomou as margens da BR-101 em Palhoça na tarde de domingo (27) para apoiar a greve dos caminhoneiros. A pé, de bicicleta, de moto ou de carro, os milhares de manifestantes aderiram ao movimento grevista na luta pela redução de impostos no país. Os gritos de “Fora, Temer” tomaram conta do protesto, que começou às 14h e durou quase três horas. Erguendo bandeiras do Brasil e vestidos principalmente de verde e amarelo, o povo gritou, buzinou, cantou o hino do país, o hino da bandeira e fez questão de mostrar ao presidente Michel Temer (PMDB) que os caminhoneiros e seus apoiadores não eram “minoria”, como o presidente havia classificado o movimento na última sexta-feira.

De acordo com a organização, cerca de 80 mil pessoas participaram do evento.  A Polícia Rodoviária Federal, que acompanhou todo o trajeto, não divulgou estimativa de público. Por volta das 14h os manifestantes começaram a marchar pela marginal da BR-101 em Palhoça. Cartazes, faixas, bandeiras e balões estavam por toda a parte. Foram cerca de dois quilômetros de trajeto. Ao longo do caminho, o movimento ganhava novos adeptos, seja dos carros que buzinavam frequentemente como forma de apoio na BR, ou dos moradores da região que se juntavam ao protesto.

Às 16h, sob aplausos, os manifestantes se juntaram aos caminhoneiros, que estavam estacionados próximo ao km 216 Sul da BR. Por cerca de 10 minutos, os manifestantes também tomaram a via principal da BR-101, mas depois liberaram o trânsito, ocupando apenas a marginal. Durante todo o trajeto, a manifestação foi acompanhada pela PRF e foi feita de forma pacífica.

Paradas na marginal da BR, diversas pessoas se manifestaram nos microfones dos carros de som para denunciar a alta carga de impostos do país, as más condições de trabalho dos caminhoneiros e para pedir a renúncia do presidente Michel Temer. “Temos que deixar de ser partidários e defender o Brasil. Nós não devemos obrigação aos políticos. Nós é que pagamos os salários deles. Nosso partido é o Brasil. Por um Brasil com menos impostos”, defendeu o caminhoneiro Flávio, do alto de um caminhão.

Manifestação dos caminhoneiros na BR-101 em Palhoça - Marco Santiago/ND
Manifestação dos caminhoneiros na BR-101 em Palhoça - Marco Santiago/ND

População saiu às ruas para apoiar os caminhoneiros

Mesmo sob o impacto da greve, o povo que decidiu ir às ruas no domingo para apoiar os manifestantes acredita que é necessário parar o Brasil para conseguir melhorias. “Vim pelo futuro do meu filho. Mesmo sendo afetados, todos têm que sofrer um pouco para o Brasil melhorar depois”, afirma o pintor Eduardo Felisbino, de 30 anos.

Eduardo chegou ao protesto de bicicleta acompanhado da mulher, Daiane Ribeiro Dias, do filho, Marcos Gabriel Dias Felisbino, e do irmão, Gevaerd Rodrigues. Eles fizeram todo o trajeto da manifestação na expectativa que o protesto tenha impacto na saúde, na educação e em melhores oportunidades de emprego para o país.

Vestido de palhaço, Carlos Barbosa espera que o Brasil dê um basta a “essa palhaçada de corrupção”. Para ele, a redução dos impostos é apenas um dos motivos pelos quais o povo está nas ruas. “Vamos ter que parar tudo, por que o roubo está demais. Estamos pagando pelo roubo que eles (políticos) fazem. O povo não tem culpa. Fora Temer já”, afirmou.

Gerusa dos Santos levou a filha para o protesto na esperança de lutar por um país melhor. “Queremos acabar com a corrupção desse país que é tão rico. Tantas pessoas trabalham para beneficiar a minoria que está no poder. Vim apoiar os caminhoneiros e a redução dos impostos”, disse ela.

Além da redução de impostos, do pedido de renúncia do presidente Michel Temer e da insatisfação com a classe política, alguns protestantes pediam intervenção militar no país. “Esse é o jeito: intervenção militar. Estou desde sexta-feira apoiando a greve”, disse o motoboy Jairo Sérgio de Macedo, que comprou um caminhão de brinquedo para levar ao protesto de domingo.  

Manifestação dos caminhoneiros na BR-101 em Palhoça - Marco Santiago/ND
Família de Eduardo Felisbino (direita) na manifestação dos caminhoneiros na BR-101 em Palhoça - Marco Santiago/ND

Caminhoneiros ganham força com apoio popular

Estacionados às margens da BR-101 pelo oitavo dia nesta segunda-feira, as centenas de caminhoneiros que estão em Palhoça viram seu movimento ganhar força no domingo com o apoio da população. Marcos Godinho, de 39 anos, é caminhoneiro há duas décadas. Ele afirma que nunca uma manifestação dos caminhoneiros teve tanto apoio da população. “O povo tinha que vir para a rua. Começou com a gente, mas não somos só nós que podemos fazer as mudanças no país”, diz ele.

Morador de Palhoça, Marcos afirma que o combustível aumento 100% no último um ano, o que inviabiliza seu trabalho. “Já temos salários baixos, com o combustível nesse preço nós não conseguimos sobreviver. O movimento agora é mais do que apenas a diminuição do diesel, mas de melhoria de condições gerais”, afirma ele, que transporta congelados e resfriados.

Família do caminhoneiro Marcos Godinho na manifestação em Palhoça - Marco Santiago/ND
Família do caminhoneiro Marcos Godinho na manifestação em Palhoça - Marco Santiago/ND

Manifestações em pelo menos 15 cidades a partir de grupos de WhatsApp

A reportagem do Notícias do Dia monitorou grupos de WhatsApp que foram criados como forma de difundir informações sobre o movimento dos caminhoneiros e, mais que isso, organizar manifestações populares de apoio à paralisação nacional.

No domingo foram registradas manifestações em pelo menos 15 cidades: Florianópolis, Joinville, Blumenau, Tubarão, Criciúma, Jaraguá do Sul, Tijucas, Palhoça, Itajaí, Rio do Sul, Mafra, Araranguá, Santo Amaro da Imperatriz, Meleiro e Pomerode. A maioria delas chamadas por esses grupos.

Na maioria das manifestações as pessoas vestiram verde e amarelo e declararam apoio incondicional à paralisação nacional dos caminhoneiros. Muitos desses grupos também acabaram sendo usado para difundir informações falsas, como um vídeo da PRF (polícia Rodoviária Federal) em confronto com manifestantes. O Vídeo que circulou é de fevereiro de 2015, registrado em Xanxerê, no Oeste. Em outros circulavam vídeos de outras regiões do país com recados de caminhoneiros e apoiadores.

Em Blumenau, os manifestantes se reuniram em frente ao 23º Batalhão de Infantaria do Exército e pediram intervenção militar. O pedido de intervenção tem se destacado entre as bandeiras do movimento popular que tem manifestado em solidariedade aos caminhoneiros. Lembrando que a paralisação nacional iniciada na última segunda teve como pauta de partida a redução dos impostos, principalmente PIS/Confins sobre o preço do diesel. Outras reivindicações dizem respeito às cobranças de pedágios e a regulação do preço mínimo do frete.

Os pedidos de intervenção militar também circularam de forma maciça nesses grupos, e mais uma vez acompanhados de informações imprecisas ou falsas. Em uma delas diziam que o General Villas Boas, comandante do Exército, teria pedido que manifestantes mantivessem manifestação até o meio dia desta segunda-feira (28), prazo que o Exército teria dado para cumprir a “intervenção”. A informação, no entanto, não foi confirmada por nenhum membro das Forças Armadas. No Twitter, Villas Boas escreveu: “Nosso foco é a solução da crise sem conflitos”. (Fábio Bispo)

Assista a um dos momentos da manifestação em Palhoça

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