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Quinta-Feira, 22 de Novembro de 2018
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Ministério Público de SC denuncia médico Omar por 11 estupros consumados e cinco tentados

O nutrólogo Omar César Ferreira de Castro está preso preventivamente desde fevereiro sob acusação de crime sexual

Leonardo Thomé
Florianópolis

O MP/SC (Ministério Público de Santa Catarina) denunciou o médico Omar César Ferreira de Castro, 65 anos, por 11 estupros consumados, cinco tentativas de estupro, dois estupros de vulneráveis, crime de violação sexual mediante fraude, além do crime de contravenção penal. Omar, preso preventivamente desde 16 de fevereiro no Presídio Masculino de Florianópolis sob acusação de crime sexual, terá agora 10 dias para apresentar resposta à acusação. Em seguida, a Justiça se posicionará em relação à denúncia, aceitando-a ou não. A soma dos crimes pode fazer a pena de Omar ultrapassar 100 anos de prisão.

Eduardo Valente/ND
Vítimas do médico organizaram um abaixo-assinado pedindo a manutenção da prisão

 

Para o advogado Francisco Ferreira, que defende as vítimas, a denúncia “reflete a expectativa das vítimas.”. Segundo ele, as mulheres que relataram os abusos desejam uma punição exemplar ao médico. “As vítimas não esperam que essas práticas fiquem impunes, por se tratar de crimes praticados contra a dignidade sexual e com violência, por esse verdadeiro mostro”, disse Ferreira, que pediu ainda celeridade na ação penal agora nas mãos da Justiça. “Esperamos que a ação penal seja tão célere quanto à apuração que se deu pela polícia na conclusão do inquérito policial, e na apresentação da denúncia pelo MP/SC”, concluiu.

O advogado Nilton Macedo, que defende Omar, disse apenas que apresentará a defesa formal e técnica de seu cliente dentro dos autos processuais. Ele não quis comentar o teor da denúncia, nem a estratégia que usará na defesa de Omar.

Relatos idênticos

Os casos vinham ocorrendo desde 2013, mas poucas vítimas registraram boletim de ocorrência na polícia. Depois que o nutrólogo foi preso, em fevereiro, por ser acusado de dopar e estuprar uma servidora estadual, as vítimas começaram a registrar boletins de ocorrência na 6ª DP.

Nos boletins, os relatos das vítimas são idênticos. O médico se aproxima da paciente, diz que vai deixá-la com um corpo bonito e se aproveita da fragilidade das mulheres para tocá-las, sempre à força. Ele ainda tenta beijar as mulheres quando a consulta termina. Ao todo são 27 casos. Deste total, sete são mais recentes. O restante, segundo o delegado Ricardo Lemos Thomé, já prescreveu.

"É um fato digno de ódio, fúria e raiva"

Uma das mulheres violentadas pelo médico falou ao Notícias do Dia: “É revoltante o que ocorreu comigo: ir a uma consulta médica, ser dopada e em seguida estuprada é um fato digno de ódio, fúria e raiva. E o pior foi a impossibilidade de esboçar reação, pois como estava dopada tentei tirar as mãos do médico de mim, porém não consegui. Ele me levou para a maca. Tudo isso aconteceu sem eu entender o porquê”.

Outra vítima também não escondeu a indignação e revolta e comentou que o médico precisa com urgência de tratamento psiquiátrico. “As pessoas vão ao seu consultório procurando ajuda e são molestadas por um tarado”, disse.

Segundo ela, várias mulheres que trabalham na área de saúde foram abusadas, mas têm medo de denunciá-lo porque podem ser perseguidas profissionalmente. Outras ficaram tão constrangidas que passam longe do prédio onde Omar Castro tem consultório e sentem vergonha de ir à delegacia.

ENTENDA O CASO

Em novembro de 2015 o delegado Ricardo Lemos Thomé é transferido da Ouvidoria da Polícia Civil para a 6ª DP. Delegado experiente, aguardando a aposentadoria, Thomé começa a relatar vários inquéritos inacabados. Um deles, de um médico acusado de dopar uma paciente para estuprá-la, chamou a atenção do policial.

Thomé digita o nome do médico na banco de dados da Polícia Civil e aparecem mais dez boletins de ocorrência sobre assédio sexual, desde 2013.

Thomé conclui o relatório sobre o inquérito que a paciente acusava o médico de estupro em dezembro de 2015.

Em janeiro deste ano, o delegado solicita o retorno do inquérito para juntar mais boletins de ocorrência que havia prescrito, apenas como informação, e pede a prisão temporária de 30 dias do médico.

Neste período aparecem mais vítimas, totalizando 27.

Em 4 de março, o delegado interroga o médico, finaliza o inquérito e pede a conversão da prisão provisória em preventiva.

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