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Sábado, 17 de Novembro de 2018
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Motorista da Paulotur diz que não concorda com reivindicações dos grevistas

"Tem de pensar na população primeiro", afirmou Norberto Francisco da Silva, que acatou decisão da categoria e não está trabalhando

Alessandra Oliveira
Palhoça

Ainda que contrário à paralisação e aos prejuízos por ela causados, um dos motoristas da Paulotur Norberto Francisco da Silva, de 61 anos, está em casa. “Acredito na democracia, mas não concordo com as exigências do sindicato. Trabalho há 19 anos na Paulotur e recebo tudo em dia, inclusive o vale alimentação. Minhas férias e 13º salário são depositados corretamente”, disse ele.

:: Deter exige que empresa de ônibus Paulotur volte às atividades em até 24 horas

Letícia Mathias/Arquivo ND
Paulotur atende comunidades de Palhoça, Paulo Lopes e Garopaba


Norberto participa das discussões da categoria no lugar onde motoristas e cobradores se reúnem: o campo de futebol ao lado da escola Maria Cardoso da Veiga, na Enseada de Brito. “Não concordo. Tem de pensar na população primeiro e isso se faz acertando as contas com o patrão primeiramente”, afirmou.

Um dos cobradores (que pediu para não ser identificado) tem opinião semelhante. O trabalhador contou que recebe R$ 460 de vale alimentação, pagos em duas vezes: R$ 230 no da 15 e o restante no dia 30 de cada mês.

A direção da Paulotur não soube informar quantos de seus funcionários aderiram à greve iniciada nesta segunda-feira. Segundo o Sintraturb (Sindicato do Trabalhadores no Transporte Urbano), são 150 funcionários.

Usuários do transporte coletivo das comunidades afetadas pela greve da Paulotur estão se virando como podem. Para não perder consulta no Hospital Regional de São José, o técnico-mecânico Ademir Marques, de 39 anos, usou o carro.

“Tive de escolher entre levar as crianças à escola, na Pinheira, ou ir ao ortopedista”, contou o morador da Guarda do Embaú, que tem filhos de 13 e 15 anos. Nos próximos dias, pelo menos enquanto a greve persistir, o pai pretende levar os estudantes de carro à escola.

Já a estudante Andrielli da Cunha, de 15 anos, acompanha a situação da greve pelo celular. Além de ligar para a escola onde estuda, a menina utiliza grupos de amigos do WhatsApp para saber sobre o retorno do serviço de transporte coletivo e consequentemente a volta às aulas.

“Meu pai vai de carro, cedo para o trabalho. Não temos nenhum meio de ir para a Enseada de Brito”, disse Andrielli, que vai para a aula acompanhada da irmã, Meri Helllen, de 10 anos. As meninas estudam na escola estadual Maria Cardoso da Veiga e moram às margens da BR-101, no bairro Praia de Fora.  


Empresa contesta reivindicações

Além da cidade de Garopaba, a Paulotur atende, em Palhoça os bairros, Guarda do Embaú, Pinheira, Albardão, Sertão do Campo, Maciambu, Praia de Fora e Enseada de Brito e Aririú da Formiga. “Não temos como reestabelecer os serviços, mesmo com a determinação do Deter”, disse o diretor da empresa, Juarez Nienköter, detalhando a notificação recebida nesta segunda-feira (13), determinando a volta das atividades em até 24 horas.

Caso não atenda a ordem, o Deter passará a operação (ainda que temporária) à outra empresa que opere o eixo da região atendida pela Paulotur.  Nienköter disse que a paralisação foi imposta pelo Sindicato. “Nossos compromissos estão em dia. Não deixaremos trabalhador algum sem FGTS. O depósito pode ser feito pouco antes do desligamento do funcionário”, assegurou ao alegar que os salários dos trabalhadores no transporte rodoviário são os mesmos do transporte urbano, a única diferença está no vale alimentação, cuja equiparação está sendo discutida na Justiça do Trabalho, desde setembro de 2014.

Prefeitura de Palhoça estudará situação

O prefeito de Palhoça, Camilo Pagani informou por meio de sua assessoria de comunicação, que estuda medidas para minorar o problema enfrentado pelos usuários que estão sem transporte. Uma das alternativas seria a cobertura das linhas pela Jotur, ao menos até que a situação da Paulotur volte ao normal. Há ainda a possibilidade de cancelamento do contrato com a empresa, que já está opera em caráter especial porque a concessão venceu em 2014.

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