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Terça-Feira, 25 de Setembro de 2018
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Mortandade de ostra também é comum em verão com muita chuva, garante engenheiro agrônomo da Epagri

Causa é natural e não estaria relacionada aos altos índices de poluição das baías Norte e Sul de Florianópolis

Edson Rosa
Florianópolis

A poluição traz cheiro ruim e afeta a imagem, mas não é a principal responsável pela queda de produção de moluscos produzidos nas baías Norte e Sul de Florianópolis. A elevada taxa de mortandade de berbigões, mariscos e ostras nos últimos quatro meses é atribuída pelos técnicos do governo a longos períodos de condições climáticas desfavoráveis, como excesso de chuva e ondas de calor, e à falta controle sobre os índices de produtividade obtidos a cada safra.

No caso específico das ostras, que depende de baixas temperaturas na água para sobreviver, a mortalidade natural nas águas das baías de Florianópolis e nos municípios vizinhos é de 50%, em média, a cada safra. Este tem sido o índice histórico nas fazendas marinhas monitoradas na região, informa o engenheiro agrônomo Alex Alves dos Santos, 53, da Epagri/SC (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina), órgão da Secretaria de Estado da Agricultura e Pesca.

“Tecnicamente, chega à metade a perda de sementes cultivadas a cada ano. É com este índice que trabalhamos na Epagri e na UFSC [Universidade Federal de Santa Catarina]”, confirma. Os dados divulgados pelos produtores, segundo o agrônomo, são empíricos, e estão relacionados a períodos de retração do mercado.  

“Quem diz que perdeu menos em anos anteriores está fora da realidade”, garante Alex, que conhece bem os métodos de trabalho comuns à maioria dos maricultores. “Ninguém controla a quantidade exata de sementes deixadas no mar a cada ano, nem o quanto é vendido no varejo e muito menos o que sobrou de safras anteriores”, afirma. 

Em Florianópolis e região, o ciclo de cultivo começa entre julho e agosto e se completa em sete ou oito meses e, conforme os levantamentos da Epagri, também é comum a venda antes da completa maturação, ou seja, antes da fase adulta. “Neste verão venderam muita ostra aqui, inclusive juvenis. É comum alegarem perdas para tentar justificar pedidos de ajuda ao governo.”

Ostras cultivadas nas baías Norte e Sul emagrecem naturalmente no verão, com o aquecimento da água do mar, e, apesar de mais resistentes que berbigões e mariscos, também são afetadas por longos períodos de chuva e baixa salinidade no mar. Ao contrário dos demais bivalves [moluscos com duas conchas], elas ficam mais tempo fechadas durante o processo de filtração, mas em determinado momento reabrir para retomada da alimentação.

Ao se sentirem ameaçadas pelas condições adversas da água, desovam para perpetuar a espécie e ficam ainda mais debilitadas. “Neste momento de falência fisiológica natural, se houver concentração de água da chuva e matéria orgânica em suspensão, levadas pelos rios, a mortandade é inevitável”, explica o agrônomo Alex Alves dos Santos. A recuperação do ciclo produtivo da ostra ocorre naturalmente, com o esfriamento e retomada dos índices de salinidade do mar.

No caso de berbigões, análises laboratoriais comprovaram que o excesso de água doce causou a alta taxa de mortandade nos bancos naturais da Costeira do Pirajubaé e Tapera, no Sul da Ilha,  afetando o principal meio de subsistência de comunidades extrativistas, entre novembro de 2014 e março deste aço.  Lenta, a recuperação natural da espécie já começou, apesar do emagrecimento natural ocasionado pelo esfriamento do mar, como vem ocorrendo também com os mariscos de cultivo, igualmente afetados pelas enxurradas do último verão.  

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