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Sábado, 22 de Setembro de 2018
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Moradores e policiais atuam juntos para combater o crime na Grande Florianópolis

No balneário da Daniela, PMs ganharam bicicletas. Em Barreiros, comunidade criou grupo no WhatsApp. Em Coqueiros, vítima da violência implantou o Vizinho Solidário

Michael Gonçalves
Florianópolis

A incapacidade das unidades de segurança pública em controlar ou reduzir a onda de violência na Grande Florianópolis faz com que comunidades descubram soluções de combate à criminalidade. Foi o que aconteceu nos bairros Daniela e Coqueiros, em Florianópolis, e Barreiros, em São José, por exemplo. Muitas ideias surgiram em reuniões dos Conseg (Conselho de Segurança), que reúnem moradores, comerciantes e forças policiais.

Marco Santiago/ND
Ailton Sanford (à esq) e Noé Volff fazem ronda com bicicletas compradas por moradores da Daniela


Sem uma perspectiva de investimentos na segurança da região, a comunidade da praia da Daniela resolveu comprar bicicletas para a Polícia Militar. A parceria foi efetivada em dezembro de 2015, com investimento de R$ 4.500, coordenado pelo Conselho Comunitário do Pontal de Jurerê.

Com casa no balneário desde 1985, o presidente do conselho, Antônio Carlos de Borja, 59 anos, aposta na aproximação entre a população e os policiais. “Sabemos que os nossos órgãos de segurança pública não têm estrutura e precisávamos fazer algo. Um diretor sugeriu a ronda com bicicletas e o comando do 21º BPM apoiou a ideia. Eles fizeram três orçamentos e compramos tudo o que foi solicitado. Nossa intenção é que os policiais conheçam os moradores e tenham esse contato de olho no olho”, comentou.

Em São José, mais de 70 comerciantes estão conectados pelo WhatsApp. Eles têm a participação de policiais militares, que também estão no grupo. A ferramenta possibilitou a prisão de criminosos logo após um roubo a uma ótica, há duas semanas. Segundo o presidente da Aemflo (Associação Empresarial da Região Metropolitana de Florianópolis), Marcos Souza, o grupo foi criado como uma ferramenta de inteligência para comerciantes e PM.

Infelizmente, a rotina para quem trabalha na segurança pública é de falta de efetivo, veículos sucateados, armas defasadas e de munições e de coletes à prova de bala vencidos. “O problema não está na polícia, mas sim na gestão dos governantes. A deficiência de infraestrutura das forças policiais é histórico e perdemos efetivo com o passar dos anos. Assim, precisamos exercer nossa cidadania e cobrar mais dos nossos representantes [eleitos]. O resultado é que os comerciantes estão se relacionando mais e a própria PM está mais presente”, disse Souza.

Projeto pioneiro em Coqueiros

O roubo a um veículo no portão de uma escola na Praia do Meio, no bairro Coqueiros, há cinco anos, fez com que o economista Marcos Leandro Gonçalves da Silva, 47 anos, implantasse o Vizinho Solidário. Depois de ver a família em perigo, ele pesquisou uma maneira de contribuir com a segurança do bairro onde mora. Na época, ele sugeriu que os vizinhos observassem a presença de estranhos e propagassem a informação por meio de um apito. A ideia evoluiu com o lançamento da rede social WhatsApp.

O sistema consiste em reunir num grupo os moradores da mesma rua. Neste grupo, necessariamente, deve ter um representante das forças policiais para dar o alerta. “Quando apresentei o projeto para a PM há cinco anos não deram muita atenção, mas fico feliz porque voltaram atrás. Sou da época em que todos se conheciam e, hoje, você não sabe nem o nome do vizinho. O objetivo deste projeto é a integração, proteção e o fortalecimento da vizinhança”, afirmou. Silva acredita que a PM pode implantar números de WhatsApp no estilo do 190, porque as informações ficariam gravadas e o número do informante estaria disponível.

PM apoia iniciativas de prevenção

O subcomandante do 7º BPM, major Paulo Sérgio de Bona Portão, participou da implantação do grupo dos comerciantes da avenida Leoberto Leal, em São José. Ele comemora as iniciativas comunitárias que fomentam a vigilância entre as pessoas. ”Segurança pública não se faz só com a polícia, a sociedade também precisa participar. Percebemos que o principal ganho é a recuperação do sentimento de orgulho de vida comunitária, onde um cuida do patrimônio do outro. Vale destacar que tudo isso é um trabalho de prevenção”, destacou. O major também esclareceu que a PM não pretende substituir o 190 pelos números de WhatsApp.    

O comandante do 22º BPM, tenente-coronel Sandro Cardoso da Costa, ressaltou o empenho dos policiais em participar dos grupos de WhatsApp. “Em Coqueiros, por exemplo, cinco policiais se colocaram à disposição para utilizarem os próprios smartphones. Esse é o comprometimento que todos nós deveremos ter perante a sociedade”, afirmou.

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