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Terça-Feira, 23 de Outubro de 2018
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Moradores de Rancho Queimado promovem a 24ª Festa do Morango neste fim de semana

Município espera receber cinco vezes a população local em três dias de evento

Letícia Mathias
Florianópolis

Até o final da década de 1990, os moradores da capital do morango em Santa Catarina nem imaginavam que a cidade seria reconhecida assim. Na época, era o cultivo de cebola e tomate que predominava em Rancho Queimado. Hoje o plantio e cultivo do morango são responsáveis por cerca de 60% do movimento da economia local e a comunidade comemora o fato em mais uma edição da Festa do Morango, que será realizada neste fim de semana. O primeiro evento comemorativo, que hoje está em sua 24ª edição, motivou e deu novas oportunidades aos agricultores da região e fez a produção local ser ampliada. 

Daniel Queiroz/ND

 

Os habitantes da pequena cidade da parte serrana da Grande Florianópolis esperam receber entre 10 mil e 15 mil pessoas nos dias de festa, mais de cinco vezes a população local que, segundo estimativa do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) para 2015, é de 2.849 habitantes. O evento realizado pela Associação Comunitária do Distrito de Taquaras começou por incentivo de uma moradora. Havia apenas um produtor na cidade e na primeira edição foram expostas apenas 15 caixas com 60 bandejas de morango, número irrisório se comparado às 4.000 caixas vendidas ano passado. Isso sem contar com os doces, licores e todo tipo de alimento feito com a fruta.

Atualmente, pelo menos 150 pessoas trabalham voluntariamente para a realização da festa e a cozinha funciona 24 horas desde as 7h de sexta-feira até as 17h de domingo. Quem vai à festa, além de poder comprar a fruta e outros produtos derivados do morango direto do produtor e a um preço mais acessível do que nos mercados, pode aproveitar as 30 barracas de artesanato e os bailes e desfiles culturais.

Jaqueliny Vitoria Soares, 18 anos, é uma das madrinhas da festa, como são conhecidas as moças escolhidas para representar a comunidade. Ela é moradora da região, participa do evento desde a infância e conta que sempre acompanhou o desfile a carater. “É muito bom porque reúne todo mundo que vive aqui , tem boa comida e cultura”, afirma.

Daniel Queiroz/ND
Jaqueliny se orgulha de ser uma das madrinhas da festividade

 

Epagri estima 300 produtores na região

De acordo com o engenheiro agrônomo da Epagri (Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina) em Rancho Queimado Miguel André Compagnoni, há cerca de 300 produtores de morango na região, com 2 milhões de mudas plantadas. Cada pé dá em média 1,5 quilos da fruta. Só na capital do morango, que tem a maior produção, há 160 famílias envolvidas no cultivo, mas a produção se estende aos  municípios próximos, como Angelina, São Bonifácio, Águas Moras e Anitápolis.

Este ano alguns agricultores resolveram inovar e estão mudando a maneira do cultivo e, além de plantarem as mudas suspensa e não mais direto no solo, fazem na modalidade semi-hidropônica. Em alguns casos, cem por cento orgânicos. A hidroponia é a cultura feita em meio aquoso provido de nutrientes inorgânicos. Eles afirmam que dá mais trabalho, às vezes rende menos do que o plantio habitual, mas garantem que tem valido a pena. O modo suspenso também ajuda na saúde física de quem lida na lavoura, pois com as bancadas eles não precisam ficar abaixando tanto e o esforço da coluna diminui.

Segundo Compagnoni, o cultivo orgânico no solo é certificado e feito por 14 famílias em toda a região. Nas produções suspensas com o cultivo semi-hidropônico atuam cerca de 50 famílias de toda a região. Dessas, 15 estão em Rancho Queimado e duas delas testamo o cultivo cem por cento orgânico de maneira suspensa.  “Para o agricultor é melhor porque fica mais arejado, facilita a colheita e o trabalho em dia de chuva. Nos casos suspensos, reduz bastante o uso de agrotóxico, entre setenta e oitenta por cento na produção que não é orgânica”, afirma o engenheiro agrônomo.

Ele lembra ainda que é uma cultura importante porque agrega mão de obra familiar e dá outra opção de sustento às famílias da região que também é forte no cultivo de hortaliça, porém sofre mais com o clima: “O morango conseguiu se estabelecer e trouxe a renda para o produtor. Esse sistema novo também traz vantagem ao consumidor, são menos produtos químicos para o agricultor, dá para plantar mais e oferece renda melhor”.

Daniel Queiroz/ND
Visitantes da festa também poderão saboriar quitutes à base de morango


Cultivo é reconhecido fora do Estado

O morango é plantado geralmente em maio e junho. A colheita mais intensa ocorre entre outubro e janeiro. Mas esse ano, por causa dos efeitos do fenômeno El Niño no clima, a maior parte da produção deve ser apanhada entre o fim deste mês e dezembro.

Geraldo Junckes, 50, sempre trabalhou na lavoura e há 15 começou a lidar com morangos. É um dos produtores que pela primeira vez está testando o cultivo semi-hidropônico. Com a chuva intensa dos últimos meses, o agricultor estima que a colheita talvez não seja das melhores, mas está acompanhando cuidadosamente para que tudo corra bem e, principalmente, para que não falte a fruta para a festa.

Apesar de dizer que é um pouco mais trabalhoso, Junckes gostou da nova opção de cultivo. “O bom é que em dia de chuva não molha tanto e também para a coluna é bem melhor. Com dias de chuva como esses, se o cultivo fosse no chão certamente eu perderia muito mais. Outra vantagem é que se plantar várias vezes no mesmo lugar chega um tempo que não colhe mais. Assim, suspenso, a gente vai trocando a terra e não precisa mudar de lugar”, conta.

A publicitária Letícia Weiger, 44, largou a correria da cidade há 13 anos e hoje além de produzir morango com a família em Rancho Queimado é integrante da associação e da diretoria organizadora da tradicional festa. Ela conta que os mais jovens já não estão mais tão interessados na lavoura e a proposta do evento é também incentivar e não deixar morrer a cultura local. “A agricultura é sazonal, incerta e essa situação faz os moradores repesarem a questão”, diz.

Letícia e a família também produzem em média 600 vidros de geleia orgânica por mês. O trabalho artesanal começou há quatro anos somente com a comercialização no Estado e hoje a produção é crescente e as geleias distribuída para diferentes municípios e Estados. “Vendo para empórios, para São Paulo e é interessante como há essa referência da capital do morango. Quando ouvem que é de Santa Catarina, os olhas brilham, vende bem e é valorizado”, conta.

Juckes elogia a festa que motivou ele e outros produtores a apostarem no morango: “Fortalece, é um lugar pequeno mas temos um grupo muito forte que se encontra nesse dia e quem visitar pode comprar direto da gente, conversar e levar um produto mais fresco, com qualidade” .

:: Saiba mais  

O quê: 24ª Festa do Morango

Quando: 27 a 29/11

Onde: Parque do Morango, Distrito de Taquaras, Rancho Queimado

Quanto: Gratuito

Informações: (48) 3275-1192 e www.festadomorangotaquaras.com.br

:: Programação 

27/11 - Sexta-feira

18h - Abertura da Feira do Morango, Feira de Artesanato e Feira de Gastronomia

20h - Solenidade de abertura

21h - Noite Santa de Natal - coral municipal de Rancho Queimado

22h - Baile de apresentação das madrinhas - grupo Fronteiras

28/11 - Sábado

10h - Abertura da festa

11h - Início do almoço colonial - churrasco

14h - Bingo para melhor idade

16h - Tarde dançante para melhor idade - banda São Francisco

20h - Voz e violão na praça de alimentação - Clóvis Júnior

22h30 - Baile Festa do Morango - banda GDO e grupo Pegadão

29/11 - Domingo

10h – Abertura da festa

10h30 - Desfile histórico cultural

11h - Início do almoço colonial - churrasco

16h - Tarde dançante - Gabriel Reis e grupo Fronteiras

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