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Terça-Feira, 18 de Setembro de 2018
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Morador do Estreito, em Florianópolis, sinaliza buracos de rua e poder público registra BO

Secretaria do Continente registrou boletim de ocorrência alegando pichação

Alessandra Oliveira
Florianópolis

Ao circular com tinta branca 53 buracos em cinco ruas do bairro Estreito, na área continental de Florianópolis, o publicitário Édio Fernandes, 55, ganhou o apoio de motoristas e moradores. A ação, no entanto, não agradou ao poder público. O caso foi parar na 3ª Delegacia de Polícia, onde a Secretaria do Continente registrou boletim de ocorrências contra Fernandes. O delegado responsável pelo caso, Pedro Fernandes Pereira Filho, entende que não houve crime de pichação.

Flávio Tin/ND
Édio Fernandes pintou com tinta branca os 53 buracos

Fernandes contabilizou mais de 300 buracos nas imediações de casa. O morador do Estreito elegeu as ruas Antonieta de Barros, Aracy Vaz Callado, Gersino Silva e Olavo Bilac e a avenida Santa Catarina. Nelas, passou um rolinho com tinta branca para sinalizar 53 depressões. A ação foi realizada na manhã do dia 16, um domingo, dia de menor movimento no bairro. “Somos mais de 50 mil moradores, precisamos ser ouvidos. Estou fazendo minha parte para chamar a atenção do poder público para o descaso com nossas vias”, disse.

O publicitário conta que se espelhou em moradores de Monte Castelo, Oeste do Estado, onde uma família se reuniu e pintou mais de 200 buracos. “Se lá o Estado interviu e resolveu o problema, minha esperança é de que a prefeitura faça o mesmo”, ressaltou.

Fernandes, que é presidente da Associação Amigos do Estreito, tem recebido apoio nas ruas, redes sociais e por e-mail. Moradores dos bairros Coqueiros e Ingleses manifestaram desejo em copiar a ação. Sobre o boletim de ocorrência, ele conta que foi à delegacia, na última quinta-feira, para prestar esclarecimentos sobre o caso. Do delegado, recebeu a orientação para não repetir as ações.

“No meu entendimento não ocorreu crime. Por enquanto não há enquadramento no artigo 65 da lei 12.408/2011, que trata de pichação. Entendo se tratar de uma sinalização, como aquelas que as pessoas fazem com galhos de árvores para evitar que alguém caia e se machuque”, disse o delegado. Na próxima semana, uma equipe da delegacia será deslocada para fazer fotos dos locais onde os buracos foram sinalizados. Após analisar as imagens, Pereira Filho poderá arquivar o caso ou elaborar um termo circunstanciado contra o publicitário.

Buracos não serão tapados este ano

O secretário do Continente, Deglaber Goulart, diz que registrou boletim de ocorrência orientado pelo secretário de Segurança Pública e Gestão do Trânsito, Rafael de Bona Dutra. “Este cidadão está induzindo as pessoas ao erro. Não são buracos e sim supressões asfálticas, causadas por obras da Casan. Isso tem na cidade inteira. Chamamos de tapetinhos esses recortes”, disse.

O secretário lembra ainda que a prefeitura notificará o manifestante, que poderá ser processado pelo município. “Nossa intenção é que ele desfaça as pinturas”, afirmou. Ao responder sobre o problema na malha viária, razão do protesto, Goulart explicou que nada será feito neste ano por falta de recursos. “Vamos licitar recapeamento em 2016”, completou.

O vendedor João Dalmann, 23 anos, passa diariamente de motocicleta pela rua Olavo Bilac. “Pensei que se tratasse de marcações feitas pela prefeitura para executar a melhoria na via. Não imaginei, nem por um só momento que fosse um protesto. O responsável pela ação tem todo o meu apoio”, disse, após passar pela “supressão” número 52.

 

ENQUETE

Você apoia a ação do morador do Estreito?

 “Moro aqui há sete meses e nunca vi nada ser feito pelo poder público para melhorar a situação da rua. Por isso apoio a manifestação”.
José Luiz Correia, 51, cobrador de ônibus

“Gastei R$ 60 para consertar o pneu que estourou em um buraco na rua Olavo Bilac e a prefeitura não vai me ressarcir. A ideia deveria ser copiada na cidade inteira”. 
Norival Agostinho, 53, taxista

“O caminhão da minha vidraçaria virou de leve sobre o buraco ‘53’ e quatro placas de espelho quebraram. O prejuízo foi de R$ 450”.
Edízio Lisboa, 51, comerciante

“Penso que as pessoas têm o direito de manifestar sua opinião. Apoio a ação porque ela é pacífica, não é uma pichação e pode ainda auxiliar os motoristas por se assemelhar a uma sinalização”.
Patrick Pereira, 33, metalúrgico

“É preciso chamar a atenção de alguma forma, do contrário nada muda. Se não houvesse o problema de fato o poder público não criticaria tanto quem sinalizou os buracos. Ao menos está mais fácil para localizá-los quando for feito o recapeamento”.
João Moisés Jorge, 55, administrador

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