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Monitoramento aéreo registra 30 baleias durante a temporada de reprodução no litoral de SC

O sobrevoo entre Florianópolis e Torres, no Rio Grande do Sul, foi o primeiro deste ano e avistou 13 pares de mães com filhote

Redação ND
Florianópolis
04/08/2017 às 15H49
SCPar Porto de Imbituba monitorou desde a praia do Moçambique, em Florianópolis, até o Rio Grande do Sul - SCPar Porto de Imbituba/Divulgação
O monitoramente foi realizado entre Florianópolis e o Rio Grande do Sul - SCPar Porto de Imbituba/Divulgação


A temporada de reprodução das baleias-francas já iniciou no litoral catarinense. No primeiro sobrevoo de monitoramento realizado pela SCPar Porto de Imbituba, 29 indivíduos da espécie foram avistados e uma baleia jubarte.

O monitoramento aéreo foi realizado da praia do Moçambique, em Florianópolis, até o município de Torres (RS) e faz parte do Programa de Pesquisa e Monitoramento das Baleias Francas no Porto de Imbituba e Adjacências.

Na manhã desta quarta-feira (2) um filhote semi-albino foi avistado por pesquisadores na praia de Itapirubá, em Imbituba (veja o vídeo).

De julho a novembro, é o período em que a espécie vem o Litoral catarinense para acasalar, procriar e amamentar as crias, tornando o Estado de Santa Catarina a principal área de concentração reprodutiva de baleias francas na costa brasileira. O pico da reprodução ocorre em setembro, quando mais animais chegam à costa sul catarinense.

Neste primeiro monitoramento aéreo de 2017, foram avistados 13 pares de mães com filhote (totalizando 26 baleias) e três baleias francas adultas solitárias. Estes indivíduos podem ser fêmeas que estão grávidas ou machos à procura de fêmeas receptivas ao acasalamento. A maior concentração de baleias foi avistada entre as praias de Itapirubá, em Imbituba, e Mar Grosso, em Laguna, com 17 registros.

Em 35 anos foram identificadas pelo menos 800 baleias

Uma das surpresas do sobrevoo foi a presença de uma baleia jubarte na praia de Itapirubá Sul, avistada junto a uma baleia franca. A ocorrência da jubarte em Santa Catarina é rara, uma vez que a espécie se reproduz na Bahia e tem sua migração mais afastada da costa.

Dentre as baleias francas avistadas, destacam-se a presença de um filhote semi-albino, e o retorno de duas baleias ilustres na região: a Olivia e a JDot. Olivia é conhecida desde 2002 e já teve várias crias em Santa Catarina. JDot também é uma baleia muito especial: é conhecida desde 1973 e deve ter quase 50 anos. Agora está com um novo filhote, o sétimo registrado aqui no Brasil.

Filhote semi-albino foi avistado durante o monitoramento - SCPar Porto de Imbituba/Divulgação
Filhote semi-albino foi avistado durante o monitoramento - SCPar Porto de Imbituba/Divulgação


Segundo a diretora de pesquisa do Projeto Baleia Franca (PBF), bióloga Karina Groch, diz que em 35 anos foram identificadas pelo menos 800 baleias. Nos últimos anos, foi registrado um crescimento na taxa populacional representativa. “A última estimativa das baleias que vem para o Brasil é de 12% ao ano. A tendência também mostra a grande migração de baleias de outras áreas, que não é de correntes de filhotes que nascem no Brasil, como as que costumam frequentar a Argentina”, explicou.

A pesquisadora explica que a baleia-franca tem calosidades na cabeça que servem como uma impressão digital e por meio de fotografias aéreas é possível efetuar o reconhecimento e acompanhar a história de vida dos animais. “Já registramos baleias que tiveram cinco e seis filhotes em Santa Catarina, o que mostra que elas retornam para nossa área e isso aumenta a importância da região para a conservação da espécie, principalmente relacionado a conscientização do meio ambiente e das atividades humanas que venham a comprometer a conservação da espécie”, afirma.

Orientação de boas práticas para embarcações

SCPar Porto de Imbituba orienta embarcações para preservação das baleias - SCPar Porto de Imbituba/Divulgação
SCPar Porto de Imbituba orienta embarcações para preservação das baleias - SCPar Porto de Imbituba/Divulgação


Além do monitoramento, o Setor de Meio Ambiente do Porto de Imbituba também apresentou à comunidade portuária o PO.SSMA.01, novo procedimento interno de boas práticas para as embarcações que atuam no porto durante a temporada de reprodução da baleia franca. O documento serve para orientar e reforça diretrizes para navegação, com o objetivo de preservar a espécie de molestamentos não intencionais e minimizar os riscos de uma possível colisão com embarcações.

O público-alvo da iniciativa são os trabalhadores portuários envolvidos diretamente com as manobras de atracação e desatracação, como os práticos, rebocadores, comandantes e agentes marítimos. Para estes públicos, estão sendo distribuídos folhetos educativos em português e inglês e realizadas reuniões de esclarecimento sobre o comportamento da baleia franca, a importância de sua preservação e o que fazer em caso de rota de colisão.

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