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Missa, procissão e corrida de canoa marcam a abertura da safra da tainha, em Florianópolis

Além da cerimônia religiosa, várias atrações culturais foram realizadas no rancho de pescador do Getúlio Manoel Inácio, que faleceu em janeiro aos 66 anos vítima de um câncer

Michael Gonçalves
Florianópolis
01/05/2018 às 19H03

Centenas de pessoas participaram da procissão e da 13ª edição da tradicional missa que marca a abertura da safra da tainha na praia do Campeche, no Sul da Ilha. Além da cerimônia religiosa, diversas atrações culturais foram realizadas no rancho de pescador de Getúlio Manoel Inácio, que morreu em janeiro aos 66 anos vítima de um câncer. Familiares do militar aposentado, músico e pescador marcaram presença e enalteceram os serviços prestados à pesca artesanal e aos jovens do Sul da Ilha. Uma corrida de canoa na estiva, a soltura de uma tartaruga do projeto Tamar e a apresentação de capoeira agitaram a comunidade.

Corrida de canoa  - Marco Santiago/ND
Corrida de canoa marcam a abertura da safra da tainha - Marco Santiago/ND

Sobrinho de Getúlio e presidente da Associação dos Pescadores Artesanais do Campeche, Pedro Inácio, 53, destacou o dia de confraternização. “Hoje [terça-feira] é um dia especial, porque estamos comemorando o início da temporada da tainha, o Dia do Trabalhador e de lembrarmos do nosso mestre e maestro Getúlio, que sempre lutou pela preservação da pesca artesanal”, disse.

Seis embarcações auxiliam a pesca artesanal na praia do Campeche. Todas têm nomes femininos: Glória, Renilda, Célia, Carochinha, Fada e Samaritana.

Apesar da abertura da temporada neste 1º de maio, ninguém estava de olho no mar. Segundo Inácio, o peixe ainda não chegou, mas a expectativa é de muita tainha nos próximos dias. “Temos a previsão de uma safra de muitas tainhas, de acordo com os nossos companheiros da Lagoa dos Patos, no Rio Grande do Sul. Mas elas ainda não chegaram ao nosso litoral, porque estamos esperando um vento sul para que elas subam e, depois, uma calmaria. Por enquanto estamos vendo apenas algumas tainhotas [pequenas tainhas]”, contou Inácio.

No ano passado, segundo o presidente da Fepesc (Federação dos Pescadores de Santa Catarina), Ivo da Silva, foram capturadas 1.780 toneladas de tainha pela pesca artesanal no Estado. A pesca para os barcos a motor começa no dia 15 de maio e, em 1º de junho, estará liberada a industrial.

Pescador na função de cozinheiro é o responsável pelo café

Perto das 3h, o funcionário público aposentado e pescador Elio Hermínio Faustino, 74 anos, foi o primeiro a chegar nesta terça-feira (1º) ao rancho de pesca do Getúlio, na praia do Campeche, para preparar o café da manhã comunitário na abertura da safra da tainha. Na função do rancho, o aposentado é cozinheiro.

Elio Hermínio Faustino -  pesca da tainha  - Marco Santiago/ND
Elio Hermínio Faustino - Marco Santiago/ND



Faustino utilizou cinco quilos de pó de café para atender a comunidade pesqueira e os convidados. “Para ferver o panelão de água o fogão industrial levou uma hora e 30 minutos, mas faço tudo com muito prazer. A partir de agora, minha rotina será acordar todos os dias às 5h30, porque o café precisa estar pronto até as 6h”, disse.

Além do café da manhã, Faustino também é o responsável pela refeição de 70 pescadores. Para alimentar essa turma com um caldo de tainha, são necessários 20 peixes, segundo o cozinheiro.

Corrida de canoa reúne três equipes

Corrida de canoa em Florianópolis  - Marco Santiago/ND
Corrida de canoa em Florianópolis - Marco Santiago/ND

Uma das atrações da abertura da safra da tainha foi a corrida de canoas sobre a estiva, que é a madeira por onde as embarcações são empurradas até o mar. Para empurrar a canoa por 80 metros na areia da praia, que simula a distância do rancho de pesca ao mar, as equipes foram formadas por oito integrantes.

O professor de educação física e pescador Celso de Souza Botelho foi o responsável pela organização da corrida. “Enquanto seis pessoas empurram a embarcação, duas ficam colocando as estivas à frente da canoa. É uma prova de agilidade, força e concentração”, disse o também árbitro da prova.

A equipe campeã fez o percurso em 55 segundos e contou com a ajuda do pintor Fábio Marinho, 48 anos, que mora no Centro de Florianópolis. Ele estava apenas observando o evento, quando foi convocado como o último integrante do time vencedor. “Adoro tainha, mas quem acabou pescado fui eu, que estava acompanhando a competição. Nunca empurrei nem carrinho de mão, mas adorei participar desta prova que reúne várias famílias”, comemorou.

Família destaca a mistura de sentimentos

Militar aposentado, professor de música e pescador. Essas eram as atividades de Getúlio Manoel Inácio, que mantinha uma escola de música em seu rancho de pesca e outras atividades culturais. Ele também manteve a tradição da pesca artesanal ao lado do irmão Aparício, que teve o seu rancho incendiado.

A filha Carla Inácio da Cunha, 43 anos, também participou das comemorações da primeira missa sem a participação do pai. “É uma mistura de sentimentos de voltar ao rancho de pescadores. Alegria em ver a continuidade do trabalho que ele começou, por meio da sua liderança, que gerou multiplicadores das suas boas ações. E também tristeza em saber que ele não estará mais entre nós para dar uma palavra de incentivo e apoio a toda comunidade”, afirmou.

Quem também prestou homenagem foi o militar aposentado e maestro Valdir Ribeiro, 79, que conheceu Getúlio ainda na década de 1970. “Antes de ir para a Base Aérea, tive o prazer de conhecer o Getúlio do 63º Batalhão de Infantaria. Sempre tivemos uma ligação pela música, mas ele se destacou com o trabalho de tirar os jovens das ruas e de oferecer oportunidades para essas pessoas”, recordou.

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