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Ministra Cármen Lúcia inaugura plenário com o nome de Teori Zavascki em Florianópolis

Morto em um acidente aéreo no Rio de Janeiro, Teori nasceu em Faxinal dos Guedes, no Oeste catarinense, e era o relator da Operação Lava Jato no Supremo

Felipe Alves
Florianópolis
27/03/2017 às 19H41

Teori Zavascki foi homenageado nesta segunda-feira (27) com a renomeação da sala de sessões do TJ-SC (Tribunal de Justiça de Santa Catarina). A reverência ao ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) foi prestigiada pela presidente da corte máxima nacional, a ministra Cármen Lúcia. Morto em um acidente aéreo no Rio de Janeiro, em janeiro, Teori nasceu em Faxinal dos Guedes, no Oeste catarinense, e era o relator da Operação Lava Jato no Supremo. Os filhos do então ministro compareceram à sessão.

Cármen Lúcia, Torres Marques e filhos de Teori participaram de ato - Marco Santiago/ND
Cármen Lúcia, Torres Marques e filhos de Teori participaram de ato - Marco Santiago/ND


Em seu discurso, a ministra Cármen Lúcia limitou-se a falar sobre Teori e não concedeu entrevista. A única declaração fora do protocolo foi ao ser homenageada pelo TJ-SC com uma escultura em madeira de Nossa Senhora Aparecida. “Estou precisando muito de Nossa Senhora, os senhores sabem.”

Cármen Lúcia falou da honra de ter, no quadro da magistratura, um juiz que enalteceu não apenas o órgão que integrou, mas o Judiciário brasileiro. “[O Judiciário] tantas vezes não reconhecido pelo que faz, mas criticado pelo que não faz, pela demora com que faz e que nunca é culpa de nenhum de nós que não gostaria de ver morosidade ou pouca prestação”, afirmou.

Amiga de Teori, Cármen afirmou que o ministro dava voz não apenas ao direito, mas à Justiça. “O ministro tinha qualidades que são absolutamente especiais, como a enorme capacidade de trabalho, um apego muito grande à ordem jurídica, uma técnica que se aliava a um humanismo que é muito difícil a nós, juízes, na lida do dia a dia”, ressaltou.

Sem citar a Operação Lava-Jato, afirmou que “Teori tem sido lembrado desde sua trágica morte pelo juiz que foi com lembranças a um processo específico, sendo um trabalhador incansável, com um domínio grande pelo direito e gosto pelo estudo”.

O presidente do TJ-SC, desembargador José Antônio Torres Marques, relembrou a trajetória de Teori e seu “largo sorriso, contrastado com a imagem austera que se tem dele”. “O cenário jurídico brasileiro perdeu mais que um grande jurista, mas a lembrança do Teori profissional, técnico, discreto, seguro e avesso aos holofotes perdurará entre nós. Seu legado jamais será esquecido”, completou. 

É uma forma dele continuar vivo, diz filha

O auditório do tribunal, que agora leva o nome de Teori Zavascki, foi inaugurado em 3 de novembro de 2001, na presidência do desembargador Francisco Xavier Medeiros Vieira. Desde então, o local tem sido espaço de sessões solenes, eventos acadêmicos, institucionais e culturais. A área é de 809m², com capacidade para 492 pessoas na plateia.

A mudança de nome da sala foi proposta pelo desembargador Torres Marques e aprovada por unanimidade por um Órgão Especial do TJ-SC. Para Liliane Zavascki, filha de Teori, a homenagem é uma forma de dar continuidade à vivência do ministro. “Para nós é uma forma de estar com ele, de continuar vivenciando isso, do que ele foi na nossa vida, e de perceber que a comunidade jurídica continua esse reconhecimento”, afirmou. 

Ministra visita Complexo de São Pedro de Alcântara

Pela manhã, Cármen Lúcia fez uma inspeção no Complexo Penitenciário do Estado, em São Pedro de Alcântara. O grupo visitou o setor administrativo, área destinada para a biblioteca, sala de visita, consultórios médico e odontológico e as oficinas de trabalho de montagens de carrocerias de barco e cadeiras odontológicas. A ministra do STF Carmen Lúcia conversou com os apenados e funcionários da unidade penitenciária.

Quem foi Teori

  • Nascido em Faxinal dos Guedes, no Oeste catarinense, Teori morreu aos 68 anos em acidente aéreo no dia 19 de janeiro de 2017 em Paraty, no Rio de Janeiro.
  • O ministro iniciou a carreira jurídica no Rio Grande do Sul, onde se formou em direito na UFRGS, recebendo também os títulos de mestre e doutor.
  • Além de atuar como advogado foi professor universitário, juiz do Tribunal Eleitoral Regional do RS, presidente do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, ministro do Superior Tribunal de Justiça (em 2003) e, por último (desde 2012), ministro do STF por indicação da ex-presidente Dilma Rousseff (PT).
  • No STF, era relator da Operação Lava-Jato, e quando morreu estava prestes a decidir sobre a homologação das delações premiadas de executivos da empreiteira Odebrecht.
  • Em seu lugar, tomou posse na quarta-feira passada o ex-ministro da Justiça Alexandre de Moraes, indicado pelo presidente Michel Temer (PMDB).
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