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Quinta-Feira, 13 de Dezembro de 2018
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Ministério Público Federal denuncia 36 pelo levante no campus da UFSC

O protesto de estudantes e professores contra a PF que deteve dois estudantes com maconha transformou o campus numa praça de guerra

Colombo de Souza
Florianópolis
Marco Santiago/Arquivo/ND
Confusão começou após policiais irem até o campus coibir o tráfico


Atualizada às 14h20

O Ministério Público Federal denunciou 36 pessoas, entre elas a reitora Roselane Neckel, pelo levante que ocorreu no campus da Universidade Federal de Santa Catarina, no dia 25 de março do ano passado. De acordo com o procurador João Marques Brandão Néto, a maioria foi denunciada por coação no curso do processo e danos ao patrimônio público. “Houve também denúncia por desacato”, acrescentou. A denúncia será encaminhada, ainda nesta sexta-feira, para a juíza da 7ª Vara Federal Cláudia Maria Dadico.

Veja a lista dos denunciados no site do MPF

A movimentação da Polícia Federal no campus, coordenada pelo delegado Paulo César Barcellos Cassiano Júnior, rendeu trocas de farpas entre a UFSC e a PF. Os federais foram ao campus identificar e reprimir o tráfico de drogas. Na época, Cassiano ressaltou que a “UFSC é um antro de prática de crimes” e afirmou que não vai permitir que a reitora transforme a universidade em uma “república de maconheiros”. Ele ainda falou, na ocasião, que não havia necessidade de mandado judicial para entrar no campus porque "o crime (consumo de droga) estava ocorrendo".

:: Vídeo mostra a confusão

Quando os policiais detiveram um aluno com um baseado (cigarro de maconha) e foram conduzi-lo para a sede da PF, os colegas do estudante e alguns professores ser revoltaram, travando uma batalha contra os policiais federais que acionaram a Polícia Militar para conter a onda de fúria. Ocorreram  excessos de ambas as partes: viaturas danificadas e virada, gás de pimenta e bombas de gás lançada contra a multidão e policiais e alunos feridos. A ação da polícia foi repudiada pela reitora Roselane Neckel.

De acordo com a Polícia Federal as  investigações no campus aconteciam há meses, por meio de monitoramento de câmeras. “Estávamos no campus a pedido da reitoria, para coibir o tráfico de drogas, não para entrar em confronto com os alunos”, afirmou na época o delegado Ildo Rosa, responsável pela comunicação social da PF.

Em meio ao caos que ser formou na época, o semblante de preocupação de professores e alunos representava bem o espanto que o cenário provocou em todos. Professora de literatura francesa, Rosa Alice Mosimann, 70 anos, não imaginava viver para ver as cenas surreais.  “Existe muita violência no campus, assaltos, furtos e uso de drogas. Mas nada justifica uma ação como essa da polícia”.

Paulo Pinheiro Machado, professor de história, ficou em meio ao fogo cruzado. Corajoso, tentou impedir os policiais de avançarem. Foi atingido no rosto com um jato de spray de pimenta. No local do conflito, próximo ao CFH (Centro de Filosofia e Ciências Humanas), funciona uma creche, onde dezenas de mães buscavam seus filhos. Assustadas, as crianças permaneciam na porta da unidade acompanhando tudo de longe. 

 

Confira as fotos do confronto: 






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