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Ministério da Saúde alerta para baixa cobertura vacinal para polio em Florianópolis

Outros municípios de Santa Catarina e do Brasil têm quadro parecido; comissão levantou discussão sobre a reintrodução da doença no país

Redação ND
Florianópolis
04/07/2018 às 15H03

Em reunião com representantes de estados e municípios, o Ministério da Saúde alertou que 312 municípios brasileiros estão com cobertura vacinal abaixo de 50% para a poliomielite. Entre eles estão os municípios catarinenses de Florianópolis, Palhoça, Pedras Grandes, Pomerode, Anitápolis, Cunhataí, Palmeira e Major Gercino. O dado foi divulgado pela coordenadora do PNI (Programa Nacional de Imunizações do Ministério da Saúde), Carla Domingues, durante reunião da CIT (Comissão Intergestores Tripartite) na última semana.

A poliomielite ou paralisia infantil é uma doença já erradicada no Brasil. As baixas coberturas vacinais, principalmente em crianças menores de cinco anos, acenderam uma luz vermelha no país. "O risco existe para todos os municípios que estão com coberturas abaixo de 95%. Temos que ter em mente que a vacinação é a única forma de prevenção da poliomielite e de outras doenças que não circulam mais no país. Todas as crianças menores de cinco anos de idade devem ser vacinadas, conforme esquema de vacinação de rotina e na campanha nacional anual”, concluiu Carla.

Para os estados que estão abaixo da meta de vacinação, o Ministério da Saúde tem orientado os gestores locais que organizem suas redes, inclusive com a possibilidade de readequação de horários mais compatíveis com a rotina da população brasileira. Outra orientação é o reforço das parcerias com creches e escolas, ambientes que potencializam a mobilização sobre a vacina por envolver também o núcleo familiar.

Ministério da Saúde reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas de seus filhos - Cesar Brustolin/SMCS/Divulgação/ND
Ministério da Saúde reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas de seus filhos - Cesar Brustolin/SMCS/Divulgação/ND


O Ministério da Saúde ainda reforça que todos os pais e responsáveis têm a obrigação de atualizar as cadernetas de seus filhos, em especial das crianças menores de cinco anos que devem ser vacinadas, conforme esquema de vacinação de rotina. "As vacinas ofertadas pelo SUS estão disponíveis durante todo o ano, exceto a da gripe que faz parte de uma campanha e exige um período específico de proteção, que é antes do inverno", enfatizou a coordenadora do PNI.

Uma oportunidade de atualizar caderneta será na próxima Campanha Nacional de Vacinação contra a Poliomielite, que acontecerá no período de 6 a 31 de agosto de 2018. "Em muitos casos, pais e responsáveis não vêm mais algumas doenças como um risco, como a poliomielite. Por isso, é necessário ressaltar a importância da imunização e desmistificar a ideia de que a vacinação traz malefícios", disse Carla.

A diretora do PNI ainda destacou que as vacinas são completamente seguras. "Em alguns casos, as vacinas podem levar a eventos adversos, assim como ocorre com os medicamentos, mas são infinitamente menores que os malefícios trazidos pelas doenças. As vacinas são seguras e passam por um rígido processo de validação", completou.

Confira a cobertura vacinal da Poliomielite nos municípios catarinenses citados anteriormente:

Florianópolis - 40,98%
Palhoça - 28,08%
Pedras Grandes - 33,33%
Pomedore - 38,62%
Anitápolis - 39,29%
Cunhataí - 45,00%
Palmeira - 46,88%
Major Gercino - 47,22%

Embora esteja livre da paralisia infantil desde 1990, a vacinação é fundamental para evitar a reintrodução do vírus da poliomielite no Brasil - Cesar Brustolin/SMCS/Divulgação/ND
Embora esteja livre da pólio desde 1990, vacinação é fundamental para evitar a reintrodução do vírus no Brasil - Cesar Brustolin/SMCS/Divulgação/ND


Brasil está livre da pólio desde 1990

Em 1994, o Brasil recebeu, da OPAS (Organização Pan-Americana da Saúde), a Certificação de Área Livre de Circulação do Poliovírus Selvagem. Por isso é fundamental a manutenção das elevadas coberturas vacinais, acima de 95%. Embora o Brasil esteja livre da paralisia infantil desde 1990 é fundamental a continuidade da vacinação para evitar a reintrodução do vírus da poliomielite no país.

No início do século XX, as doenças imunopreveníveis como poliomielite e varíola eram endêmicas no Brasil, causando elevado número de casos e mortes em todo o país. As ações de imunização e, especialmente os 44 anos de existência do PNI, foram responsáveis por mudar o perfil epidemiológico dessas doenças no Brasil.

Sobre a pólio

A poliomielite ou “paralisia infantil” é uma doença infecto-contagiosa viral aguda, caracterizada por um quadro de paralisia flácida, de início súbito. O déficit motor instala-se subitamente e sua evolução, frequentemente, não ultrapassa três dias. Acomete em geral os membros inferiores, de forma assimétrica, tendo como principal característica a flacidez muscular, com sensibilidade conservada e arreflexia no segmento atingido.

A transmissão ocorre por contato direto pessoa a pessoa, pela via fecal-oral (mais frequentemente), por objetos, alimentos e água contaminados com fezes de doentes ou portadores, ou pela via oral-oral, através de gotículas de secreções da orofaringe (ao falar, tossir ou espirrar). A falta de saneamento, as más condições habitacionais e a higiene pessoal precária constituem fatores que favorecem a transmissão do poliovírus.

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