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Militares e técnicos estão entre anunciados pelo governador eleito Carlos Moisés (PSL)

Reforma administrativa que prevê extinção e junção de pastas será encaminhada à Assembleia; Segurança Pública terá modelo de gestão formado por conselho

Fábio Bispo
Florianópolis
03/12/2018 às 21H50

Depois de 35 dias em silêncio sobre a composição do primeiro escalão do futuro governo de Santa Catarina, Carlos Moisés (PSL) chamou sua primeira coletiva após as eleições e anunciou quatro nomes e uma proposta de mudança na estrutura do Estado. Foram confirmados os secretários das pastas da Saúde, que ficará com o major do Corpo de Bombeiros Helton de Souza Zeferino; Administração, a cargo do tenente-coronel Jorge Eduardo Tasca; Fazenda, que segue sob o comando do atual secretário Paulo Eli; e Administração Prisional e Socioeducativa, que muda de nome mas também continua com o atual secretário Leandro Lima. O anúncio foi feito no Cigerd (Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres), em Capoeiras.

Dos quatro nomes confirmados, dois são do atual governo e dois são oficiais militares. Moisés destacou que a permanência de Leandro Lima, à frente do sistema penitenciário hoje, e de Paulo Eli, na Fazenda, atende ao critério técnico, já que ambos são servidores de carreira. Ele também disse que o momento será para tomada de decisões que estariam adormecidas até então e que demandam decisões políticas, as quais seu governo estará disposto.

“Chegamos à administração de Santa Catarina sem amarras, com condição de tomar medidas muitas vezes duras, que desagradam as pessoas, mas que serão tomadas. O momento é de tomada dessas decisões, de efetivá-las, e muitas vezes a decisão é política e a gente está disposto a tomar essas decisões”, declarou, sem detalhar quais assuntos teriam sido represados pelo atual governo.

O futuro governador destacou o trabalho de Paulo Eli à frente da Secretaria da Fazenda e disse que ao ser indicado novamente para o cargo, ele deverá conduzir a política fiscal do Estado, controlando o pagamento das dívidas, as receitas e o déficit público, que em 2019 poderá chegar a R$ 2,3 bilhões.

Na Saúde, o futuro governador falou em integração da pasta com os demais órgãos do governo, além do aumento do controle dos gastos destinados ao setor. “Muitas coisas chegam à Saúde, mas muitas vezes não se sabe onde elas são entregues, as quantidades, para quem foi entregue, qual o real grau de necessidade”, afirmou.

A integração tecnológica do governo ficará a cargo da Administração, onde o indicado Jorge Eduardo Tasca deve priorizar os processos eletrônicos. Tasca, que atualmente chefia o Centro de Inovação da Polícia Militar, é responsável pela construção de aplicações de integração das forças policiais. O case deverá ser levado para o seio da nova administração. Apesar de ter quebrado o silêncio, Moisés deixou a coletiva sem responder perguntas dos jornalistas.

Lima, Zeferino, Eli e Tasca - Altair Magagnin/ND
Lima, Zeferino, Eli e Tasca - Altair Magagnin/ND

 

Paulo Eli – atual secretário da Fazenda, é servidor de carreira desde 1984. É administrador, contabilista e pós-graduado em Gestão Fazendária. Foi secretário da Administração em 2010 e adjunto da Fazenda em 1998 e 2003: “Vamos continuar o trabalho que já iniciamos em fevereiro, trabalho que já temos todo planejado, e vamos continuar isso para o ano que vem. Nós apostamos que a retomada da economia vai ampliar a arrecadação do governo e assim ajudar a reduzir o déficit”, Paulo Eli.

Leandro Soares Lima – atual secretário de Justiça e Cidadania, assumirá a pasta que reeberá o nome de Secretaria de Estado da Administração Prisional e Socioeducativa. Leandro Lima é pedagogo e servidor de carreira desde 1988, onde iniciou como agente penitenciário: “Estamos vivendo uma nova etapa, a partir de uma nova realidade. O governador deixou bem claro que quer uma atuação técnica com objetivos claros na busca de resultados. Nós vamos avaliar resultados, de avaliação e reavaliação, mas via de regra a política estadual [do sistema prisional] está estabelecida”, Leandro Lima.

Jorge Eduardo Tasca – Administração: É tenente-coronel da Polícia Militar de Santa Catarina, atuando como chefe do Centro de Inovação (InovaPMSC). é Doutor e Mestre em Engenharia de Produção pela UFSC, e especialista em Administração de Segurança Pública pela UNISUL: “O direcionamento que o governador deu para a pasta é tornar o estado mais leve, mais enxuto e mais ágil. Quando nós falamos nisso falamos em trabalhar em gestão de resultados, mapeamento de processos e também trabalhar de forma muito intensa com o governo digital”, Jorge Eduardo Tasca.

Helton de Souza Zeferino – Saúde: comandante do 1° Batalhão dos Bombeiros em Florianópolis. Formado em Medicina pela UFSC (2009), com pós-graduado em Administração de Segurança Pública pela UNISUL (2010): “A Saúde pode dar certo sim. Temos que trabalhar forte na regionalização para que as pessoas percebam que a mudança já aconteceu. Nesse primeiro ano temos o desafio dos compromissos que estão sendo firmados e a questão da dívida. Estamos em um momento de organização da pasta”, Helton de Souza Zeferino.

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A proposta da nova estrutura administrativa do Estado, que ainda dependerá de aprovação da Alesc, promete a extinção de pastas e união de outras. No total, o futuro governo fala em 10 secretarias setoriais mais três órgãos ligados ao gabinete do governador, também com status de secretarias, e outras duas secretarias executivas. Moisés também anunciou a extinção das 20 Agências de Desenvolvimento Regionais e o remanejamento de servidores.

Os casos mais impactantes devem ser a extinção do Deinfra, o desmembramento do Turismo, Cultura e Esporte, além de uma nova forma de gestão da Segurança Pública, onde o posto de secretário ficará na mão do presidente de um conselho formado pelos comandantes de cada uma das forças da pasta. Na prática, o novo governo terá 13 indicados no primeiro escalão com status de secretário.

Não foram apresentados números sobre o impacto da reforma proposta. O coordenador da transição, professor Luiz Felipe Ferreira, disse que a meta do novo governo para cobrir o déficit fiscal é o de economizar R$ 100 milhões por mês.

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