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Quarta-Feira, 26 de Setembro de 2018
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Meu sobrinho está com semblante de psicopata, diz tia do suposto assassino do menino indígena

Prestes a ser concluído, inquérito da polícia de Imbituba vai acusar Matheus de Ávila Silveira, de 23 anos, pelo crime

Raquel Cruz
Florianópolis

Vestido com os presentes de Natal: boné, shorts jeans, par de tênis e uma camisa polo um pouco maior do que o seu porte, o garoto chega ao terminal rodoviário de Imbituba por volta do meio-dia. Senta em uma poltrona, levanta, perambula pelo local – quase vazio àquela altura do dia – e volta a se sentar. Cena que passaria despercebida, não fosse o fato de ele usar luvas – peça incompatível com o calor de quase 30°C do último 30 de dezembro.

RICTV/Reprodução
Raquel Silveira falou com a reportagem da RICTV

 

Por fim, decide levantar e se aproxima de Sônia Pinto, enquanto a mãe da tribo caingangue amamenta o filho deitado no colo. O rapaz estende a mão, ainda usando a luva, faz um carinho na bochecha da criança e, no mesmo instante em que o menino reage virando a cabeça e sorri, passa o estilete em seu pescoço - põe fim à vida de Vitor Pinto, menino índio de apenas dois anos. “Eu não vi de onde ele veio”, lamenta a mãe.

De acordo com a investigação, Matheus de Ávila Silveira, suspeito de ter cometido o crime, deixou o terminal rodoviário de Imbituba 43 minutos depois de ali chegar. Correu até sair do alcance de uma das principais testemunhas do caso que chocou o Estado no penúltimo dia de 2015 – um taxista que viu toda a cena a menos de 10 passos da família caingangue.

:: Veja a primeira parte da reportagem da RICTV


Dez dias depois da morte do bebê indígena, a Polícia Civil de Imbituba tem quase toda a história costurada pelo depoimento de pessoas que estavam no terminal, pelos dois policiais militares que encontraram Matheus e pelas imagens do circuito interno da rodoviária. Todos os elementos, afirma o delegado encarregado, Raphael Giordani, levam na direção de homicídio qualificado – acusação que deverá ser apresentada à Justiça nos próximos dias.

Em entrevista à reportagem da RICTV Record, Raquel Silveira, tia do acusado, contou como foi o reencontro com o sobrinho, já atrás das grades: “O Matheus que está lá preso tem um semblante de psicopata, não é o Matheus”. É com base em informações de pessoas que conviviam com o rapaz de 23 anos, além de três testemunhas, que a polícia terminou, na última semana, de montar o perfil do suspeito.

As roupas que aparecem no vídeo foram encontradas na casa onde Matheus morava com os pais há menos de um quilômetro do porto da cidade. Apesar de não haver vestígios de sangue na luva e na camisa, adianta o delegado, já existem indícios suficientes para que a prisão provisória seja convertida em preventiva até o caso passar pelos tribunais.

O fato de o autor do crime usar luvas e estar na rodoviária em um dos horários de menor movimento, completa Giordani, são elementos importantes que serão apresentados à Justiça: “Isso nos leva a crer, inevitavelmente, que ele estava premeditando fazer alguma coisa dessa natureza”.

A hipótese de que haja motivação de preconceito étnico, apesar de não ter sido descartada, não é a principal linha de investigação da polícia.

Próprios pais já foram vítimas

Matheus não é mais réu primário. No primeiro semestre de 2014, ele tentou matar os próprios pais a facadas. Foi denunciado, ficou atrás das grades e ganhou liberdade.

:: Veja a segunda parte da reportagem da RICTV


Depois disso recebeu acompanhamento psiquiátrico. Mas segundo a tia abandonou o tratamento depois de tentar suicídio ingerindo os comprimidos todos de uma só vez.

Na casa da família, a polícia ainda recolheu imagens e cartas possivelmente escritas por ele em que fazia culto a imagens satânicas.

“É mais um indício de que esse cidadão tem alguma anormalidade no comportamento”, acredita o delegado. O rapaz segue preso na Unidade Prisional Avançada de Imbituba desde o primeiro dia do ano.

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