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Mesmo com esforços da Polícia Ambiental, pesca clandestina ameaça botos no litoral de SC

Os animais tornam o trabalho dos pescadores mais fácil, pois "empurram" os peixes em direção às redes de pesca

Redação ND
Florianópolis
04/07/2018 às 20H53

A pesca clandestina está ameaçando os botos no litoral de Santa Catarina. Mesmo com os esforços da PMA (Polícia Militar Ambiental), redes continuam sendo apreendidas. Quem é flagrado responde a processo, paga multa e pode ser preso.

Em Laguna, os pescadores tentam capturar tainhas com tarrafas, mas eles não estão sozinhos. Botos tornam o trabalho mais fácil, pois eles “empurram” os peixes em direção aos pescadores. “No momento que as tarrafas são lançadas, elas desagregam o cardume e o boto sai feliz, porque pega o seu peixe, enquanto que o pescador também consegue ter sucesso na captura”, explica o biólogo da Udesc, Pedro Volkmer de Castilho. “De certa forma, os dois saem beneficiados de alguma forma”.

Um dos botos pescadores morreu esta semana, em Laguna - Elvis Palma/Reprodução/RICTV
Um dos botos pescadores morreu esta semana, em Laguna - Elvis Palma/Reprodução/RICTV


Esta semana, um dos botos pescadores morreu emaranhado em uma rede de pesca colocada indevidamente no rio. Ele era conhecido como Tufão. “Cada boto tem um nome na lagoa. Aqui nós temos o Scooby, Caropa, Borracha, a Bota do Rio”, conta o pescador Ricardo dos Santos. “É uma notícia triste. Cada vez que a gente perde um botinho, a gente perde um ente da gente”, garante.

As redes de pesca clandestinas são responsáveis pela maioria das mortes de boto este ano. Elas impedem que este animais, que têm respiração pulmonar, possam retornar à superfície para encontrar o ar. Desde 2017, oito botos já morreram em Santa Catarina. Em pelo menos cinco casos, a morte foi provocada por redes clandestinas.

A PMA já aprendeu várias redes pela região, mas a fiscalização não é suficiente. “O nosso efetivo é reduzido e antigo, e, assim como todo o Estado, está passando por uma dificuldade muito grande”, garante o policial militar ambiental Robson Vieira.

A Prefeitura de Laguna estuda proibir a pesca com redes no rio, uma medida mais drástica para garantir a espécie. Hoje há cerca de 50 botos na cidade – metade deles ajuda os pescadores –, comportamento reproduzido por filhotes há mais de 150 anos. “E vai havendo uma passagem desse comportamento entre os indivíduos da população. É um bem único do município, de Santa Catarina e até do Brasil, então não podemos negligenciar dessa forma”, defende o biólogo Castilho.

Com informações da RICTV Record SC.

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