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Mesmo com chuva no final de semana, estiagem persiste e preocupa na Grande Florianópolis

Rios Pilões e Cubarão continuam com vazão reduzida. Casan reforça o pedido para que a população economize água

Brunela Maria
São José
25/09/2017 às 19H40

As pancadas de chuva registradas no final de semana não melhoraram em nada a situação dos principais rios que abastecem a Grande Florianópolis. A estiagem exige que a população economize água, mesmo que a Casan (Companhia de Água e Esgoto do Estado) esteja mantendo a regularidade da oferta nas torneiras da região. A situação também preocupa em outras regiões do Estado.

Rio Pilões teve redução de 40% da vazão de água - divulgação/Casan
Rio Pilões teve redução de 40% da vazão de água - divulgação/Casan


De acordo com o monitoramento dos níveis dos rios, existem 22 estações hidrológicas abaixo da normalidade. Os municípios mais atingidos pela estiagem e com rios na condição de alerta e emergência são Forquilhinha, Bocaina do Sul, Otacílio Costa, Canoinhas, Chapadão do Lageado, José Boiteux, Salete, Taió, Timbó, São Martinho, Orleans, Tubarão, Passos Maia, Joaçaba, Rio das Antas, Tangará, Concórdia, Camboriú e Rio Negrinho. Na Grande Florianópolis, o rio Tijucas, em São João Batista e os rios Pilões e Cubatão, na região de Palhoça, são os que mais preocupam.

Segundo o hidrólogo da Epagri/Ciram, Guilherme Miranda, as chuvas registradas, conforme já antecipava a previsão, não foram suficientes para reabastecer os aquíferos e normalizar os rios pelo Estado. “Choveu mais no Litoral Norte, monitoramos entre 15 a 20 milímetros. O maior dado foi em Timbé do Sul, onde teve 39 mm”, destaca.

O relatório emitido pela Epagri, mostra que o baixo volume de chuva registrado desde a última semana de agosto é decorrente de bloqueios atmosféricos no oceano Pacífico e Atlântico, que mantiveram o predomínio do ar mais seco, com atuação de poucos sistemas meteorológicos associados a chuva. Com um total de 25 dias sem chuvas, desde agosto, quando o mês terminou sem registro e em setembro as frentes frias passaram por SC, com fraca atividade, resultando apenas em registros leves especialmente no extremo Oeste e Litoral Sul, o total acumulado não passou de 30 mm.

“Nos dados históricos que acompanhamos desde 2013, quando foi implantada a estação, obtivemos na análise que essa é a mais longa estiagem no Estado, desde esse período de monitoramento. É preocupante pela questão dos mananciais, praticamente são 25 dias sem chuvas. Tivemos alguns registros, mas nada significante para amenizar a situação”, avalia Miranda, que reforça ser prematuro dizer que a tendência permaneça durante o verão.

Pilões reduz vazão em 40%

Os rios Pilões e Cubatão, dois mananciais de extrema importância hídrica para a Grande Florianópolis, são monitorados diariamente pela equipe da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento), para que seja mantido o atendimento à população. A estação de captação de Cubatão permanece em Estado de Atenção, com 87 centímetros de baixa. O mesmo acontece em Pilões, que teve redução de 40% na vazão.

Chefe do Setor e Operação e Manutenção de Água da Superintendência Metropolitana da Grande Florianópolis da Companhia, Bruno Kossatz, avalia que a situação só não está mais grave porque a empresa fez grandes investimentos no setor. Nesse período da estiagem, as ampliações das estações, além de perfurações de poções e melhorias nas redes, fizeram toda a diferença para impedir a falta de água. “A última chuva forte foi em julho. Tivemos uma semana com registro mais fraco em agosto e depois não choveu mais, e isso preocupa bastante. Por isso pedimos a colaboração de todos na economia de água, uso com consciência. Só registramos até o momento alguns pontos críticos nos pontos mais elevados e morros”, destaca.

Com a queda da vazão em Pilões, a companhia vem usando três bombas com capacidade máxima no Cubatão. A manobra vem garantindo o abastecimento da região, mas a situação pode se complicar caso as pessoas não atendam o apelo para economizar água. “Se não tiver a recarga dos rios fica bastante complicado por isso que pedimos a colaboração da população", continua.

Como o consumo está diretamente relacionado à cultura de cada família e a hábitos construídos ao longo do tempo, a Companhia reforça a necessidade do  uso responsável da água. Em Santa Catarina, cada pessoa gasta, em média, aproximadamente 154 litros de água por dia. “Em Florianópolis, a média do consumo diário chega a e 186 litros para cada habitante, o que com certeza pode ser reduzido em um momento preocupante de estiagem como o que estamos passando”, informa.

Segundo Kossatz, aproximadamente 75% da água consumida numa casa são gastos nos banheiros. Por isso, uma dica importante é evitar tomar banhos prolongados, já que o chuveiro é um dispositivo consumo significativo de água. Estima-se que a cada minuto no banho há um consumo de 10 litros de água. Utilizar descargas com caixa acoplada nos vasos sanitários reduz o gasto de 20-30 litros para 6-12 litros por descarga.

Também é importante observar todas as torneiras da casa, prevenindo e consertando goteiras e vazamentos. “Uma torneira gotejando pode desperdiçar até 46 litros de água por dia. E, se a água estiver gotejando rapidamente ou em forma de filete, perde-se de 180 a 720 litros diários”, alerta o engenheiro.

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