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Meninos de até 19 anos morrem mais no Brasil do que no Afeganistão

Os dados são de 2015 e estão em relatório lançado nesta terça-feira (31) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), braço da ONU que defende os direitos das crianças

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
31/10/2017 às 23H27

JÚLIA BARBON/ SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Meninos de 10 a 19 anos morrem mais no Brasil do que no Afeganistão, que vive em conflito armado há 16 anos. Por aqui, a taxa —que inclui homicídios e óbitos em guerras— é de 59 mortos a cada 100 mil jovens dessa idade, enquanto no país asiático esse índice é de 56 mortes.

Os dados são de 2015 e estão em relatório lançado nesta terça (31) pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), braço da ONU que defende os direitos das crianças. A instituição diz não ter calculado o índice geral, somando os sexos feminino e masculino, por país.

O Brasil é o sétimo com mais mortes de meninos no ranking global, que é liderado pela Síria, em guerra civil desde 2011, e pelo Iraque, envolvido no conflito contra a milícia terrorista Estado Islâmico.

Quando se leva em conta apenas os homicídios, porém, nosso país cai para a quinta pior posição, atrás de Venezuela, Colômbia, El Salvador e Honduras. Esses cinco países sozinhos são palco de um terço dos assassinatos de garotos entre 10 e 19 anos no mundo, sendo que abrigam só 5% dessa população.

América Latina e Caribe respondem por metade dos 51,3 mil homicídios de jovens não relacionados a conflitos armados, considerando meninas e meninos. A região foi a única que piorou desde 2007, com taxa de 22,1 mortes por 100 mil jovens (38,5 entre os garotos e 5,1 entre as garotas).

No total, foram 82 mil crianças e adolescentes mortos em 2015 no mundo, tanto em assassinatos como em conflitos armados —ou uma a cada sete minutos. Para se ter uma ideia, o número é quase equivalente à população de Bebedouro (SP).

OUTRAS VIOLÊNCIAS CONTRA A CRIANÇA

A pesquisa também compara outros tipos de violência contra a criança pelo planeta, como doméstica, sexual e escolar, mas o Brasil aparece pouco nesses índices. Com relação à agressão disciplinar, somos um dos 59 países que proíbem punição corporal. Desde 2014, a "lei da palmada" veta o emprego de violência ou qualquer tipo de tratamento cruel ou degradante na educação dos jovens.

Só 9% das crianças menores de 5 anos de idade no mundo moram em locais onde esse tipo de castigo é totalmente vedado, ou seja, 607 milhões delas não têm esse tipo de proteção legal. Isso em meio ao fato de que três a cada quatro crianças de 2 a 4 anos (300 milhões) sofrem punição psicológica e/ou física em casa.

Os brasileiros também são citados no tema bullying. Em 2013, 43% dos alunos de 11 e 12 anos do país disseram que haviam sofrido esse tipo de agressão no mês anterior, índice equivalente ao da Nicarágua, Paraguai, Panamá e Equador. "Há uma alta probabilidade de que crianças vítimas ou expostas à violência a usem também para solucionar conflitos quando se tornarem adultas", conclui o estudo.

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