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Menino morre afogado em praia de Governador Celso Ramos após estouro de foguete

Laudo apontou que a causa da morte foi afogamento e homem detido por soltar os fogos foi liberado

Dariele Gomes
Florianópolis
08/01/2018 às 00H32

O que era pra ser um domingo de lazer e diversão para uma família, moradora de Palhoça, na Grande Florianópolis, terminou de forma trágica. Murilo Theisen Machado, 7 anos, morreu afogado depois da explosão de um foguete próximo de onde ele estava com o pai, Vladimir Machado dos Santos, 34 anos, na praia das Cordas, em Governador Celso Ramos, por volta das 9h. O menino foi retirado da água desacordado e morreu no local. O homem que soltou o foguete foi detido por populares até a chegada da polícia.

Ainda no IML (Instituto Médico Legal), a mãe de Murilo, Milene Theisen, 39 anos, parecia não acreditar no que aconteceu, inconformada chorava a perda do filho que adorava o mar e que estava ansioso pela programação do domingo. “Ele tinha ido passar férias com nossa família em Charqueadas, no Rio Grande do Sul, e eu e meu marido visitamos a praia das Cordas. O Murilo era apaixonado pelo mar, e falamos para ele sobre a beleza da praia. Ele estava ansioso pelo dia de hoje, queria muito conhecer o lugar”, disse a mãe.

Milene e Vladimir foram até o IGP para aguardar o resultado do laudo sobre a morte do filho - Dariele Gomes/ND
Milene e Vladimir foram até o IGP para aguardar o resultado do laudo sobre a morte do filho - Dariele Gomes/ND


Vladimir conta que ouviu o assovio do momento do lançamento do foguete. “Na hora do estouro, joguei o Murilo para o lado, com o objetivo de que não o acertasse. O foguete não o atingiu, mas na hora ele já desmaiou e saia muito sangue do nariz quando o retirei da água. Eu ainda tenho dor nas costas porque o foguete estourou muito próximo de nós”, contou o pai.

Na praia, segundo Milene, além dela, do marido e da criança, estava mais um grupo de aproximadamente 15 pessoas, familiares de Milene, que vieram passear na casa deles. “Na hora do ocorrido, o Murilo estava dentro da água com o pai e os amigos dele. Foi um pesadelo. Eu ver o meu pequeno, daquele jeito e não conseguir fazer nada para trazê-lo de volta. Uma enfermeira que passava por ali deu os primeiros atendimentos a ele, mas ele não voltou”, disse a mãe.

Conforme o tenente-coronel do Corpo de Bombeiros, Diogo Losso, que atendeu a ocorrência na manhã deste domingo (7), o tempo entre o chamado e o deslocamento até o local onde o menino estava foi de aproximadamente 25 minutos. “Externamente não havia nenhuma lesão no corpo do Murilo. Ao chegarmos, uma enfermeira já tentava os primeiros socorros. Constatamos que ele estava em parada cardiorrespiratória, e seguimos por mais 30 minutos com as manobras para reanimar ele”, comentou Losso.

A família, que é natural do Rio Grande do Sul, mora em Palhoça desde maio do ano passado. “Estava indo tudo tão bem, eu já vim empregado. A Milene tinha começado a trabalhar há pouco tempo. O Murilo estava na escola, estava feliz com o lugar e com as praias daqui. Ia cursar o 3º ano na escola Caic Profº Febronio Tancredo Oliveira. De repente, não temos mais nada. Eu poderia ter ido no lugar dele. Ele era só uma criança, cheia de sonhos, com uma vida toda pela frente”, lamentou o pai.

Homem que lançou o foguete foi detido por populares

Jean Fabrício, o homem que lançou o foguete foi preso em flagrante pela Polícia Militar e liberado à tarde, depois que o laudo do IML confirmou a morte por afogamento. Antes da PM chegar ao local, populares impediram que saísse da praia.

Conforme o delegado da Central de Polícia de São José, Alexandre Carvalho, após o médico legista constatar que o menino morreu por afogamento, o homem que havia sido detido foi liberado. O caso segundo ele, deve ser investigado pela Delegacia de Governador Celso Ramos.

Em entrevista ao jornalista da RICTV Sérgio Guimarães, Jean disse que chegou logo cedo à praia para soltar os foguetes que haviam sobrado da festa de Réveillon. Já havia lançado três, e quando lançou o quarto viu que algo tinha acontecido.

Ele relatou à reportagem que não havia visto o pai e o menino na água, e quando viu que estava acontecendo algo, correu ainda para ajudar a tirar a criança da água.

“Um menino especial”

“Ele era um menino muito doce, carinhoso, gentil com as pessoas. Estava na fase dos jogos de videogame. Ainda acreditava em papai Noel, havia ganhado dele um playstation 3 no último Natal. Ontem (6), fomos até o Centro de Florianópolis comprar jogos para ele começar a usar o videogame. Ele era especial, educado com as pessoas, doce e puro. Eu vivia pra ele, agora nada mais faz sentido”, disse a mãe emocionada.

Gremista, ele adorarava assistir aos jogos com o pai, que torce para o mesmo time. “Eles me provocavam por serem gremistas e eu, colorada. Éramos muito amorosos com ele, e ele conosco. Era o nosso único filho”, contou Milene.

“Ele estava mais apegado a mim do que de costume. Estava junto desde a hora que chegamos. Fazia uns 40 minutos. Tanto que quando desmaiou estava comigo. Ele era saudável, não tinha nenhum problema de saúde”, relata Vladimir. O corpo do menino Murilo será levado para Charqueadas, no Rio Grande do Sul, onde deve ser enterrado nesta segunda-feira (8).

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