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Melhorias em parte do aterro da baía Sul, em Florianópolis, ficam prontas em fevereiro

No segundo semestre de 2016, a prefeitura assinou uma cessão onerosa de R$ 12 mil mensais com a SPU-SC que prevê a implantação de estacionamento rotativo até 30 meses após a cessão

Michael Gonçalves
Florianópolis
10/01/2018 às 01H01

Calçadas quebradas, de diferentes pavimentos, com desnível e buracos. O mato cresce por todos os cantos. Restos de piso do antigo Camelódromo Centro Sul. Três serralheiros trabalham na construção de uma cerca de tela. E muitos ônibus do transporte coletivo da Grande Florianópolis. Essa é a situação do terreno de 30.565,53 m² no aterro da baía Sul, na Capital, que abrigou até abril de 2016 o camelódromo – antes disso, tinha ainda um Direto do Campo e um estacionamento da Comcap. A promessa do secretário de Mobilidade e Transporte Urbano de Florianópolis, Marcelo Roberto da Silva, é que o estacionamento rotativo para ônibus seja implantado em 30% do terreno e, consequentemente, esse espaço receba melhorias até fevereiro.

Prefeitura promete melhorias na área de 30 mil m² que atualmente tem muitos problemas e ônibus - Daniel Queiroz/ND
Prefeitura promete melhorias na área de 30 mil m² que atualmente tem muitos problemas e ônibus - Daniel Queiroz/ND



No segundo semestre de 2016, a prefeitura assinou uma cessão onerosa no valor de R$ 12 mil mensais com a SPU-SC (Superintendência do Patrimônio da União). O documento prevê que o estacionamento rotativo deve ser implantado até os 30 primeiros meses a partir da cessão. A portaria 245, da SPU, determina que a área deva ser utilizada como estacionamento até a apresentação do esquema de reurbanização em substituição ao projeto Passarela Jardim no prazo de cinco anos, que pode ser prorrogado. Atualmente, os ônibus ocupam quase todo o terreno. “O Setuf [Sindicato das Empresas de Transporte Urbano de Passageiros da Grande Florianópolis] está cercando o terreno e depois faremos uma revitalização. O objetivo é implantar até a primeira quinzena de fevereiro um estacionamento rotativo para ônibus em 9.000 m². O espaço será limpo e asfaltado”, informou o secretário.

Para os outros 21 mil m² ainda não há uma definição. Silva disse que são várias propostas dentro da prefeitura, porque a área não pode ter uma edificação. “Uma das ideias é a colocação de um CAT [Centro de Atendimento ao Turista] para que os ônibus de turismo tenham um local apropriado para estacionarem no Centro. Também existe a possibilidade de ter uma área de lazer, mas ainda está em análise”, explicou. O Setuf informou que está pagando as melhorias e vai repassá-las ao município, desde que o espaço seja utilizado pelo transporte coletivo.

Moradores lamentam a falta de cuidado com a área

Morador do bairro Campeche, no Sul da Ilha, o consultor Pedro Guimarães, 45 anos, aproveitou o dia de folga para ir ao Centro com a mulher, Marilda, 49, e os pais, Paulo, 69, e Abigail, 70, que residem no Norte do Estado. Quando cruzaram o aterro da baía Sul, Pedro lembrou aos familiares que o terreno nem sempre foi abandonado.“Eu comprava no Direto do Campo e também gostava de frequentar o camelódromo. Ao invés de a cidade progredir em serviços para a população, ela regride. Passar por aqui à noite, nem pensar”, lamentou.

Quem também guarda nas lembranças os bons momentos do aterro é o comerciante Enivaldo Miranda, 65, que há seis anos comanda o Quiosque Coqueiros. Quando o espaço era bem frequentado, ele chegou a vender 100 salgadinhos por dia e, hoje, comercializa apenas dez. “Deveriam transferir o outro camelódromo para cá e, quem sabe, ampliá-lo. Estamos em uma área nobre, no Centro, onde muita gente tem medo de frequentar”, sugeriu.

Espaço para descanso de motoristas, cobradores e fiscais

Em complemento ao estacionamento dos ônibus, o Setuf deve entregar aos funcionários do transporte coletivo o espaço para almoço e descanso. Segundo o secretário Marcelo Roberto da Silva, a obra já foi concluída e deve ser entregue até o fim desta semana.

A área foi construída em anexo ao banheiro ao lado do Terminal Cidade de Florianópolis. “Além dos banheiros masculino, feminino e para pessoas com deficiência, o espaço tem chuveiro, refeitório e uma área aberta para descanso sob uma árvore. Essa foi uma reivindicação do Sintraturb [Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano] e assinada no acordo trabalhista”, explicou.

ENTENDA O CASO

Em 1991, o aterro da baía Sul foi ocupado pelos comerciantes que trabalhavam na rua Conselheiro Mafra com a autorização da prefeitura

O Direto do Campo e um estacionamento da Comcap foram incorporados anos depois, nas outras partes do terreno

Em 2013, uma decisão judicial obrigou a cidade a devolver o terreno à União, devido à ausência de licitação dos comércios

O camelódromo funcionou por mais de duas décadas e chegou a abrigar 250 comerciantes. Ele foi fechado e demolido em abril de 2016

Os ônibus do transporte coletivo começaram a ocupar o terreno como estacionamento no fim de 2016

A prefeitura tem 30 meses para implantar o estacionamento rotativo, prazo que termina no início de 2019.

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