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Melhor maneira de se sentir seguro é não incitar o ódio, diz Marina

Candidata disse que a atual campanha está marcada pela "violência de fato", lembrando o assassinato da vereadora Marielle Franco, os tiros contra caravana do Lula e o atentado a Bolsonaro

Folha de São Paulo
Salvador (BA)
10/09/2018 às 18H47

SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - Em sua primeira viagem à Bahia na campanha deste ano, a presidenciável Marina Silva (Rede) adotou um tom conciliatório ao falar da disputa eleitoral e criticou o discurso do uso da violência para combater a violência. 

Marina Silva em entrevista na Record TV - Record TV
Marina Silva em entrevista na Record TV - Record TV

Em sua segunda agenda pública após o atentado sofrido pelo candidato Jair Bolsonaro (PSL), Marina afirmou que não pedirá reforço em sua segurança nem deixará de participar de atos de rua na campanha. 

"A melhor forma de se sentir seguro é não incitando o ódio. Eu prefiro sofrer uma injustiça do que praticar uma injustiça. E é por isso que sou tão bem recebida, mesmo por aqueles que não votam em mim", afirmou a candidata.

Marina também fez um paralelo entre à campanha presidencial de 2014 e a de 2018. Ela afirmou que campanha passada foi marcada pela violência política e pela desconstrução de biografias.  

E disse que a atual está marcada pela "violência de fato", lembrando o assassinato da vereadora Marielle Franco (PSOL), os tiros desferidos contra a caravana do ex-presidente Lula e o atentado a Jair Bolsonaro.

Ao comentar o ataque sofrido pelo candidato do PSL, aproveitou para levantar a bandeira do desarmamento. Ela defendeu ainda ser equivocada a ideia de que o problema da segurança será resolvido com armas e violência.

"[Essa ideia] é tão equivocada que o candidato Bolsonaro, que estava com forte aparato da Polícia Federal, Polícia Militar e seguranças particulares, foi atingido por uma faca. Imagine se essa pessoa estivesse com uma arma de fogo, seria uma tragédia. Graças a Deus que temos o estatuto do desarmamento", disse. 

Em Salvador, Marina visitou uma memorial a Nelson Mandela na Liberdade, bairro que é um dos principais redutos petistas da capital baiana e que também foi visitado por Fernando Haddad (PT) há três semanas. 

Acompanhada por uma comitiva de cerca de 50 candidatos e militantes da Rede e do PV, Marina foi até a estação do Plano Inclinado, onde dois ascensores fazem a ligação da cidade alta com a cidade baixa. 

A comitiva da candidata tentou passar à frente dos demais passageiros, mas foi alvo de protestos de quem aguardava na fila. "Nem conseguiu se eleger e já quer passar na frente, imagina quando conseguir?", reclamou um passageiro. 

Irritada, Marina reclamou com os auxiliares e retornou para o final da fila, onde aguardou cerca de 20 minutos para embarcar no ascensor.

Na cidade baixa, visitou a estação ferroviária da Calçada, cujo trem liga o centro aos bairros do subúrbio de Salvador. Na estação esvaziada, cumprimentou alguns passageiros e ambulantes. 

A vendedora Márcia Santos Freitas, 32, foi uma das poucas a cumprimentar e declarar voto na candidata. Ela incentivou Marina a persistir em suas tentativas de eleger-se presidente: "Não desista que você vai chegar lá. Nós, mulheres, estamos com você".

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