Publicidade
Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
Descrição do tempo
  • 25º C
  • 17º C

Médico conhecido como Dr. Bumbum é preso com a mãe no Rio de Janeiro

O profissional teve a licença de exercício cassada pelo Conselho Regional de Medicina do DF nesta quinta-feira

Folha de São Paulo
Florianópolis
19/07/2018 às 21H46

RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - A Polícia Militar do Rio de Janeiro afirmou que prendeu na tarde desta quinta-feira (19) o médico Denis César Barros Furtado, conhecido como Dr. Bumbum, que estava foragido há quatro dias. Sua mãe, Maria de Fátima Furtado, 66, também está presa. Ele é acusado pela morte de uma paciente, a bancária Lilian Calixto, 45, que faleceu na madrugada de domingo (15) após ter sido submetida a um procedimento estético realizado no apartamento do médico, na Barra da Tijuca, zona oeste do Rio de Janeiro. A prisão temporária do médico e de sua mãe foi decretada logo após a morte. 

O médico e a mãe, Maria de Fátima, foram presos na tarde desta quinta-feira - PMRJ/Divulgação/ND
O médico e a mãe, Maria de Fátima, foram presos na tarde desta quinta-feira - PMERJ/Divulgação/ND


O médico foi encontrado por policiais em um centro empresarial na Barra da Tijuca, zona norte da cidade, após receberam informações por meio do Disque-Denúncia. A ação surpreendeu aos envolvidos, já que os suspeitos negociavam os termos para a entrega ainda nesta quinta. 

A bancária buscava um procedimento para aumentar o glúteo. A intervenção ocorreu no sábado (14) e a paciente foi socorrida pelo próprio médico, pela mãe dele, que teria atuado como auxiliar, e ainda pela namorada de Denis, que afirma que trabalhava apenas como secretária. Os três aparecem nas imagens gravadas pelo circuito interno do hospital.

Lilian Calixto morava em Cuiabá e chegou ao Rio no final de semana apenas para realização da cirurgia estética. Segundo informações da unidade de saúde, ela chegou em estado extremamente grave e mesmo após "manobras de recuperação", não foi possível reverter o quadro.

A paciente acabou morrendo duas horas após atendimento devido a uma embolia pulmonar, que é quando a pessoa tem o pulmão infiltrado por líquidos. O médico, que não tem registro para atuar no Rio nem formação em cirurgia plástica, é suspeito de ter injetado um produto chamado PMMA (polimetilmetacrilato) no glúteo da paciente.

De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), o PMMA pode ser usado em procedimentos estéticos para corrigir rugas e restaurar pequenos volumes perdidos de tecidos com o envelhecimento. Mas nem a SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) nem a SBD (Sociedade Brasileira de Dermatologia) recomendam o uso do produto para fins estéticos. 

A defesa do médico afirmou em entrevista coletiva concedida a jornalistas na tarde desta quarta (18) em Brasília disse que julgar Furtado como culpado pela "fatalidade" ocorrida com a paciente é "precoce". Segundo a advogada  Naiara Baldanza, o médico demorou para se entregar à polícia por problemas de saúde. "Ele está sofrendo um grande impacto emocional, ele começou a desenvolver uma síndrome do pânico. Então há um motivo pelo qual existe uma dificuldade, nesse momento, para que ele se apresente, e não é o motivo de obstaculizar o trabalho da Justiça", afirmou a advogada.

Licença cassada

O Conselho Regional de Medicina do Distrito Federal informou, nesta quinta-feira, que cassou a licença de exercício profissional do médico. Em nota, o CRM-DF disse que ele foi alvo de um processo de interdição cautelar para o exercício da profissão em março de 2016. No entanto, segundo a entidade, a medida foi suspensa três meses depois pela Justiça Federal, em Brasília.

Ainda de acordo com o conselho, o processo foi concluído com a cassação do exercício profissional de Furtado, que será submetida ao CFM (Conselho Federal de Medicina). O motivo que levou à cassação do registro não foi esclarecido.

A reportagem do UOL também procurou a porta-voz do Conselho Regional do DF para esclarecer se, a partir da decisão, Denis já estaria impedido de exercer a medicina até a análise pelo CFM, mas ela ainda não foi localizada. Também questionado, o conselho federal não informou se Denis está oficialmente impedido de exercer a medicina ou se isso ainda depende de aval da entidade nacional. O UOL entrou em contato com a defesa de Denis sobre a medida que o proíbe de exercer a medicina, mas ela ainda não se manifestou.

A mãe do médico também teve seu registro para exercício de medicina cassado em 2015. Os motivos da suspensão, de acordo com o Cremerj (Conselho Regional de Medicina do Estado do Rio de Janeiro), foram permissão de que seu nome circulasse em mídia desprovida de falta de rigor científico, propaganda enganosa, realização de método ou técnica não aceitas pela comunidade científica e por insinuar ou prometer bons resultados a qualquer tipo de tratamento.

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade