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Marina Silva critica em sabatina 'promessômetro' de rivais e 'guerra santa'

Presidenciável disse que é difícil fazer política com ponderação e defendeu Estado laico

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
04/09/2018 às 22H57

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A candidata da Rede à Presidência, Marina Silva, criticou, nesta terça-feira (3), em sabatina promovida pela Folha de S.Paulo, rivais que "abrem a janela do promessômetro" em época de campanha, usando "discurso fácil" para atrair o eleitor. "Acho que tem uma situação bastante complexa no Brasil. Existem aqueles que fazem o discurso fácil. E é muito difícil fazer política dizendo: 'vamos ser ponderados', 'não é bem assim'", afirmou a ex-senadora.

Pré-candidata à presidência Marina Silva - Reprodução/ND
Pré-candidata à presidência Marina Silva - Reprodução/ND


"Eu fico vendo que na hora da eleição as pessoas abrem mão dos princípios, abrem a janela do promessômetro e aí o céu é o limite", continuou. "Eu não. Eu quero ganhar ganhando, porque a forma como a gente ganha determina a forma como a gente governa."

Marina, que é fiel da Assembleia de Deus, disse que "o Estado laico é uma bênção" e se posicionou contra a mistura entre religião e política diante de uma pergunta sobre o slogan da campanha de Jair Bolsonaro (PSL), que prega o "Brasil acima de tudo e Deus acima de todos".

"Tenho uma fé, sou cristã da Assembleia de Deus, já fui católica, quase fui freira, e acho que num país democrático como o nosso não se deveria estimular essa guerra santa. Isso está fazendo muito mal para o Brasil", afirmou a presidenciável.

Marina foi indagada também sobre o modelo de governabilidade que propõe, avesso ao que ela chama de toma lá, dá cá que impera hoje na relação entre o Planalto e o Congresso. Ela reagiu a perguntas que colocaram em xeque o sistema de presidencialismo de proposição defendido por ela, que seria baseado em acordos de programa, e não em troca de favores. "Essa lógica do toma lá, dá cá não pode ser naturalizada. Não dá para cair na armadilha de que ou você se rende ao centrão ou você não vai conseguir governar. Não podemos nos conformar com isso", disse.

Ela repetiu argumento usado em entrevista coletiva nesta segunda-feira (3), quando comparou seu jeito de governar, caso eleita, à luta dos que combateram a ditadura militar no Brasil. Para a presidenciável, é preciso "mudar a métrica" da governabilidade. "Essa história de que para aprovar uma coisa é [com] o governo comprando deputados, isso tem que ser denunciado. Se alguém me disser que só vai votar se eu tiver que pagar pelo voto dele, eu vou denunciar."

Marina disse que, se vencer, vai rever a política de subsídios a setores econômicos, mas manterá parte das isenções —não quis especificar em quais áreas. Para ela, há uma "indústria do subsídio no país" e é necessário "acabar com a farra do Refis" (programa que refinancia dívidas tributárias), para direcionar recursos para políticas prioritárias. "É muito fácil defender o livre mercado, a livre iniciativa, e na primeira oportunidade ir no balcão do governo fazer determinado tipo de isenção. Isso não é justo. A sociedade brasileira está pagando um preço muito alto por essas isenções", afirmou.

Durante a sabatina, ela repisou bandeiras de sua campanha como combate à corrupção, investimento em educação (com plano de carreira para professores), melhorias no SUS e ampliação da rede de saneamento básico.

A candidata reforçou ainda o compromisso de estimular "a adoção de uma alimentação saudável e pacífica, incluindo a alimentação vegetariana", apresentado em seu programa de governo. Um exemplo do incentivo, disse, seria o aumento de produtos da agricultura orgânica na merenda escolar, que também beneficiaria agricultores.

Segundo a ex-senadora, a medida, no entanto, nada tem a ver com "obrigar uma criança" a não comer carne. "Você tem que oferecer [vegetais] como uma opção." O tópico entrou no plano de governo por sugestão do vice dela, Eduardo Jorge (PV), que é vegetariano e defende o chamado abolicionismo animal.

A série de entrevistas continua nesta quinta (6), com o candidato do PSOL, Guilherme Boulos. Foram convidados nove presidenciáveis. Segundo a lei eleitoral, concorrentes de partidos com ao menos cinco parlamentares têm direito a participar de debates no rádio e na TV.

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