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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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Marcação de consultas nos centros de saúde por telefone ou site não tem data para começar

Projetos da Prefeitura de Florianópolis e da Câmara de Vereadores têm como objetivo dar mais agilidade e conforto aos usuários do SUS

Felipe Alves
Florianópolis
Daniel Queiroz/ND
Usuários do SUS formam fila em frente ao posto de saúde da Prainha


Todo dia de marcação de consultas a cena se repete nos centros de saúde da Capital. As filas tomam conta da parte externa dos postos do SUS (Sistema Único de Saúde). Os primeiros da fila chegam cedo para conseguir marcar uma consulta e, às vezes, até madrugam na frente dos centros de saúdes. O processo poderia ser agilizado caso fosse possível marcar consultas pelo telefone ou pela internet, mas essa realidade parece distante do sistema de saúde público municipal. Os dois projetos (telefone e internet) são discutidos na prefeitura e na Câmara de Vereadores, mas ainda não têm data para serem implantados.

A Secretaria de Saúde de Florianópolis analisa há quatro meses a sistemática implementada em 2012 na cidade de Canoas (RS), em que um telefone com chamada gratuita fica disponível para marcação de consultas. Com o teleagendamento, as filas dos postos desapareceram.

Para marcar uma consulta em Canoas, basta ligar de segunda a sexta-feira, das 7h às 19h. Dias antes da data marcada, o paciente recebe um lembrete via SMS no celular previamente cadastrado. Após o atendimento, é marcado o agendamento de novas consultas, de acordo com a necessidade. “Estamos fazendo a análise do impacto financeiro que isso teria em Florianópolis. O custo desse sistema seria de R$ 500 mil por mês, pois teríamos que ter um call center operando doze horas por dia com 50 pessoas para dar conta dos 49 centros de saúde da Capital”, diz o secretário de Saúde de Florianópolis, Daniel Moutinho Júnior.

Quem utiliza o centro de saúde periodicamente é receoso com a possibilidade de marcar consultas por telefone. “Prefiro ficar a noite toda aqui e garantir a minha consulta presencialmente”, afirma o zelador Nelson da Rosa, 51 anos, que chegou ao posto da Agronômica às 6h para marcar exame com um dentista. O aposentado Bertoldo Duarte, 83, também prefere ir direto ao posto. “Usamos os postos de saúde há anos e nada muda”, diz.

Agendamento on-line ainda está em análise

Outra alternativa para diminuir as filas tem sido discutida na Câmara de Vereadores. O projeto de lei 15.450, de autoria do vereador Marcos Aurélio Espíndola, objetiva criar o serviço de agendamento de consultas pela internet. O projeto, que tramita desde agosto de 2013, foi vetado pelo prefeito Cesar Souza Júnior no início deste ano, mas no dia 25 de agosto os vereadores derrubaram o veto. O documento será novamente enviado ao prefeito, que decidirá por sancionar a lei ou não. Caso ele não sancione, caberá ao presidente da Câmara, Cesar Faria, decidir a promulgação da lei.

“O projeto ainda não chegou oficialmente à prefeitura, mas fomos contrários por entender que esta não é a forma mais correta de se fazer isso, já que muitas pessoas que utilizam os centros de saúde são da terceira idade e muitos não têm acesso à internet. O telefone é muito mais democrático e há uma questão de inconstitucionalidade no projeto, pois a Câmara não pode prever gastos ao executivo”, avalia o secretário Daniel Moutinho Júnior. De acordo com o projeto, o executivo deveria ser o responsável por estabelecer quais unidades de saúde estariam aptas a oferecer o serviço, em caráter inicial, até que todas estejam em condições de implantar e prestar o serviço.

Com teleagendamento, consultas aumentaram em Canoas

No mês passado, a cidade de Canoas, uma das primeiras no país a implementar o sistema de teleagendamento, comemorou o número de 1 milhão de consultas marcadas por telefone desde a criação do sistema, em 2012. Hoje só é possível marcar consultas desta forma. O resultado do novo processo foi o aumento dos atendimentos nas unidades básicas de saúde: passou de 900 consultas por dia para quase 2.000.

“Dois fatores foram fundamentais para esse crescimento: a ampliação de equipes em torno de 20% e o maior resultado na resolubilidade e produtividades dos serviços. Antes de 2012, as filas nos postos eram um problema grave em Canoas. Hoje temos o gerenciamento total da saúde, sabemos quantas pessoas estão aguardando e quais as especialidades mais necessárias”, explicou o prefeito Jairo Jorge da Silva. Quarenta atendentes trabalham no call center que opera o teleagendamento.

O custo mensal para a prefeitura é de R$ 500 mil, o que corresponde a 1,5% do orçamento da saúde municipal. Na cidade gaúcha de 340 mil habitantes há 26 centros de saúde. “O novo sistema nos gera inclusive economia para o município, pois nos permite melhorar os serviços e controlar a falta de consultas aos exames, dos médicos e pacientes. É um recurso que acaba se pagando o investimento”, disse o prefeito.

O teleagendamento é apenas para a primeira consulta. Os atendimentos posteriores são feitos diretamente no posto de saúde após a primeira consulta, determinada pelo médico.

Nos próximos dias, serão implantados cinco totens nos principais pontos de metrô para que as pessoas possam verificar como está o andamento de seus procedimentos, exames e cirurgias. No próximo ano, será possível marcar as consultas por meio dos totens de forma gratuita.

MARCAÇÃO DE CONSULTAS EM FLORIANÓPOLIS

Como funciona
Só há a possibilidade de marcação presencialmente nos centros de saúde. Cada posto tem dias e horários específicos para abrir o processo de marcação de consultas. Há duas formas de entrada no posto: pelo agendamento de consultas eletivas (marcadas) ou atendimento de urgência. Após a consulta, somente quando há exames especializados marcados, os atendentes dos postos ligam para os pacientes para confirmar a nova consulta e para preencher um formulário para encaminhar o paciente a uma policlínica ou UPA (Unidade de Pronto Atendimento).

Como funcionaria o teleagendamento
A sistemática permitiria mais conforto e facilidade na marcação de consultas aos usuários do SUS. O paciente poderia ligar para uma central, fornecer seus dados, e marcar pelo telefone a consulta com um médico do centro de saúde. Para isso, a prefeitura precisaria de um call center funcionando doze horas por dia de segunda a sexta-feira, com 25 funcionários a cada turno de seis horas, além de um software que integre os dados de todas as unidades e dos prontuários eletrônicos dos pacientes. Os retornos seriam agendados na própria unidade, de acordo com a necessidade.

Como funcionaria o agendamento online
Por meio de um site, os usuários poderiam preencher um formulário com seus dados e proceder a marcação de consultas em tempo real. Desta forma, um software também teria que funcionar de forma integrada entre os postos e os prontuários eletrônicos.

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