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Ressaca provoca estragos em Florianópolis e outras cidades do litoral catarinense

Mesmo com aumento da temperatura durante a manhã e a tarde, a previsão é de noites e madrugadas frias ao longo da semana

Redação ND
Florianópolis
21/05/2018 às 22H23

O mar agitado provocou estragos no litoral catarinense nesta segunda-feira (21). Em Canasvieiras, no Norte da Ilha de Santa Catarina, parte da estrutura da Escola do Mar foi comprometida por causa da ressaca. No Morro das Pedras, na região Sul, o fenômeno deixou bastante sujeira, além de erodir parte de terrenos de moradores da orla. Até o início desta tarde, moradores começavam a retirar pertences das casas e cogitavam não passar a noite no local, por questões de segurança. Um morador contou que as águas levaram parte do terreno e uma árvore em menos de 10 minutos.

Parte da estrutura da Escola do Mar foi comprometida por causa da ressaca, em Canasvieiras - Flávio Tin/ND
Parte da estrutura da Escola do Mar foi comprometida por causa da ressaca, em Canasvieiras - Flávio Tin/ND

Secretaria pretende reformar a Escola do Mar

A erosão causada pela maré em Canasvieiras consumiu ainda mais o barranco que fica aos fundos da escola atingida. De acordo com Luiz Eduardo Machado, diretor da Defesa Civil, a situação já estava assim desde a última ressaca, em setembro do ano passado. “Vamos orientar a Secretaria de Educação para que só possa ser usada a área comum da escola e não a parte dos fundos. Não houve problemas de estrutura do prédio”, afirmou. Não foi preciso interditar o local.

A Escola do Mar é um projeto da rede pública municipal voltado à educação marinha e costeira em Canasvieiras. Em 2015, parte da unidade havia sido interditada por más condições. Até então, a antessala do prédio estava sendo utilizada como escritório. O atendimento às crianças, que fazem saídas de campo, com uma escuna, é feito na frente do imóvel. O último atendimento foi feito na sexta-feira, com crianças da escola Virgílio Várzea.

De acordo com a assessoria de imprensa da Secretaria de Educação da Capital, a pasta está elaborando um projeto arquitetônico para uma reforma geral da unidade. Ficou decidido, se for constatado danos na estrutura do prédio, que o projeto será redimensionado. Este projeto também deve contemplar obras de contenção de encostas.

Ao lado da Escola do Mar, em Canasvieiras, fica o bar Aldeia dos Piratas. Até ontem, o local não havia sido atingido, mas as ressacas do ano passado fizeram com que Eliane Ferreira Meneses, dona do bar, recuasse em nove metros o tamanho do deque. “O problema da última vez é que demorou muito para parar a ressaca. A Defesa Civil pediu para eu recuar o deque em cinco metros e depois mais ainda”, disse ela, que está preocupada com a ressaca dos próximos dias.

Monitoramento

O presidente da Associação dos Moradores do Morro das Pedras, André Luiz Vieira, disse que o monitoramento da região está sendo feito desde a noite de domingo (20), por solicitação da Defesa Civil. A associação já solicitou também que o órgão municipal acione o protocolo de emergência de ressacas, para que o patrimônio natural seja preservado. "Já foram mais de 10 metros de areia que foram embora, sem contar a faixa de terrenos particulares. São cerca de 30 casas, na faixa que vai da Lagoa do Peri em direção à Armação, que estão sendo ameaçadas pela maré e essas pessoas precisam de orientação da Defesa Civil sobre como proceder", afirma Vieira.

O alerta da Defesa Civil sobre as condições de mar grosso e maré alta segue pelo menos até esta terça-feira - Flávio Tin/ND
O alerta da Defesa Civil sobre as condições de mar grosso e maré alta segue pelo menos até esta terça-feira - Flávio Tin/ND


O presidente da associação se mostrou preocupado porque este é apenas o começo do período de ressacas, que costuma ocorrer até o final do ano. Ele disse que é preciso avaliar melhor a ocupação das áreas costeiras em prol da preservação do lugar.

De acordo com a Epagri/Ciram, a previsão é de rajadas de vento entre 20 km/h e 40 km/h e as ondas podem chegar até 4 metros de altura. Desde domingo, um ciclone extratropical e o avanço de uma massa de ar frio pelo Sul do Brasil estão causando uma forte ressaca nas praias do Litoral do Estado.

O alerta da Defesa Civil sobre as condições de mar grosso e maré alta segue pelo menos até esta terça-feira (22), ao meio-dia, devido à ação do ciclone extratropical que está próximo ao litoral Sul. Não se aconselha a navegação de pequenas e médias embarcações nesse período. As ondas devem permanecer com três ou quatro metros, com picos de cinco ou seis nas áreas mais afastadas da costa.

Municípios afetados

Outras localidades do Estado também registraram problemas com o avanço das águas, que levaram sujeira a ruas e casas. Entre elas Barra Velha, Balneário Barra do Sul e Balneário Arroio do Silva. Em Barra Velha, a maré provocou ondas de três metros de altura e invadiu o calçadão. Pela manhã, moradores e comerciantes fizeram a limpeza das áreas.

No município de Balneário Barra do Sul, o mar começou a mudar por volta das 17h de domingo. Na madrugada, a água invadiu ruas e casas, principalmente na boca da Barra. Durante a manhã, a prefeitura realizou a limpeza das vias. A Defesa Civil continuou monitorando a situação durante o dia. 

Em Balneário Arroio do Silva, a maré subiu no domingo à noite e por volta das 20h30 já atingia o calçadão da praça central. Em dias normais, há uma distância de quase 100 metros entre a ponta do calçadão e a beira-mar. A maré avançou por toda a faixa de areia e chegou a atingir algumas ruas. Segundo a Defesa Civil, no lado Sul da praia, a água também foi até a primeira quadra. No lado norte, em alguns pontos, atingiu a avenida Beira-Mar. A prefeitura fez levantamentos sobre prejuízos durante a manhã, mas por enquanto nada de significativo foi encontrado. Ainda assim, será necessário fazer uma limpeza ao longo de toda a orla e no centro da cidade, quando a maré baixar.

Previsão do tempo

O frio chegou pra valer em Santa Catarina. Pela manhã, temperaturas abaixo de 5°C foram registradas em grande parte do território catarinense. Os menores registros foram de -1,29°C em Fraiburgo, no Oeste; e -0,04 °C em Urubici, na Serra. Segundo a Epagri/Ciram, o motivo para a queda nas temperaturas é a massa de ar polar que avançou para o Sul do Brasil.

Moradores da Capital assistindo à ressaca na praia Mole na manhã desta segunda-feira - Daniel Queiroz/ND
Moradores da Capital assistindo à ressaca na praia Mole na manhã desta segunda-feira - Daniel Queiroz/ND


Em Florianópolis, a média do início da manhã de segunda-feira foi de 7°C. Para esta terça, a temperatura mínima na Capital será de 9ºC. Para quarta (23), a previsão de mínima é de 12ºC.

Uma boa parte das estações meteorológicas do Planalto Sul, Planalto Norte e Meio-Oeste registraram temperaturas mínimas entre 0°C e 2°C. No Oeste, Alto Vale e parte serrana da Grande Florianópolis, os valores foram de 2°C a 4°C. Já no Litoral, as temperaturas ficaram em torno de 6°C a 8°C.

Na região serrana, em Urupema, que registrou o frio mais intenso no país, os termômetros marcaram 1°C, com sensação térmica de -14°C, por volta das 7h. Apesar de ser a temperatura mais baixa na cidade este ano, a previsão de geada não se concretizou.

“A temperatura na Serra catarinense não foi tão baixa quanto no Oeste do Estado, devido ao nevoeiro forte que se formou na região”, explicou a meteorologista da Epagri/Ciram, Gilsânia Cruz. De acordo com ela, as temperaturas devem aumentar um pouco ao longo do dia, mas as noites e madrugadas dos próximos dias serão frias. Também há previsão de geada nas áreas mais altas do Estado.

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