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Mais de 50% dos homicídios de mulheres ocorreram no ambiente doméstico, divulga estudo

Apenas na Grande Florianópolis, mais de 1 mil mulheres sofreram lesão corporal por violência doméstica no primeiro semestre de 2015

Redação ND
Florianópolis

A violência contra a mulher no Brasil segue com índices alarmantes, segundo mostra o Mapa da Violência 2015, divulgado nesta segunda-feira (9). Elaborado pela Flacso (Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais), o estudo aponta que 55,3% dos homicídios contra mulheres foram cometidos no ambiente doméstico, e 33,2% dos homicidas eram parceiros ou ex-parceiros das vítimas, com base em dados de 2013 do Ministério da Saúde.

Marcello Casal Jr/Arquivo Agência Brasil/Divulgação/ND

 

Para as mulheres negras, a situação é ainda pior: houve um aumento de 54% em dez anos no número de homicídios de mulheres negras, passando de 1.864 em 2003, para 2.875 em 2013. O País tem uma taxa de 4,8 homicídios por cada 100 mil mulheres, a quinta maior do mundo, conforme dados da OMS (Organização Mundial da Saúde ) que avaliaram um grupo de 83 países.

O lançamento da pesquisa conta com o apoio do escritório no Brasil da ONU Mulheres, da Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS) e da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM) do Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos.

Racismo e sexismo

Para a representante da ONU Mulheres Brasil, Nadine Gasman, o estudo inova ao revelar a combinação cruel e extremamente violenta entre racismo e sexismo no Brasil. “As mulheres negras estão expostas à violência direta, que lhes vitima fatalmente nas relações afetivas e indireta àquela que atinge seus filhos e pessoas próximas”, disse.

“É uma realidade diária, marcada por trajetórias e situações muito duras e que elas enfrentam, na maioria das vezes, sozinhas. Os dados denunciam outra bárbara faceta do racismo e amplia a reflexão sobre os tipos de violência sofridas pelas mulheres. É urgente criar consciência pública de não tolerância ao racismo e acelerar respostas institucionais concretas em favor das mulheres negras”, completa.

 

Violência contra a mulher na Grande Florianópolis

Em relatório divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública de Santa Catarina, os números mostram como a violência contra a mulher persiste. No primeiro semestre deste ano, foram registrados na Grande Florianópolis pela Polícia Civil 1.989 boletins de ocorrências de mulheres (entre elas crianças, adolescentes, adultas e idosas) que sofreram ameaças.

Secretaria de Estado de Segurança Pública de Santa Catarina/Divulgação

 

Nos dados conjuntos com a Polícia Militar, foram 609 lesões corporais, cinco homicídios e 120 tentativas de homicídio. Os registros também mostram como os crimes sexuais continuam com altos índices: no período, a Polícia Civil abriu 118 boletins de ocorrência de estupro – desse número, 49 foram contra crianças e 34 contra adolescentes.

Nos registros de violência doméstica da Polícia Civil e Militar, os números são igualmente alarmantes. No primeiro semestre, 45 mulheres foram estupradas apenas na Grande Florianópolis – entre elas, 13 crianças. Também foram mortas 13 mulheres e 10 sofreram tentativa de homicídio.

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