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Mais de 200 têm benefício do Bolsa Família congelado por suposta fraude em Florianópolis

Prejuízo alcançaria R$1,4 milhão, cerca de 5,4% do total repassado ao município durante período investigado, entre 2013 e maio de 2016

Mateus Vargas
Florianópolis
14/11/2016 às 19H27
MPF vê suspeita em R$ 3,3 bi pagos a 874 mil beneficiários do Bolsa Família - Jefferson Rudy/Agência Senado
MPF pediu revisão em 555 cadastros do Bolsa Família em Florianópolis - Jefferson Rudy/Agência Senado

Uma servidora do Estado de Santa Catarina com remuneração acima de R$ 4 mil mensais. Microempresário que fez doações para campanha de vereador. Estes são alguns dos perfis de beneficiários irregulares do Bolsa Família encontrados pela equipe da Secretaria de Assistência Social de Florianópolis. Por suspeita de fraude, o repasse foi congelado para mais de 200 pessoas.

Levantamento do MPF (Ministério Público Federal) colocou em suspeita R$ 1,4 milhão repassado para mais de 500 beneficiários na capital catarinense, entre 2013 e maio de 2016. O valor equivale a cerca de 5,4% do total distribuído na cidade pelo Bolsa Família durante o período investigado, R$ 26 milhões.

MPF coloca em suspeita R$ 26 milhões distribuídos pelo Bolsa Família em Santa Catarina

Força-tarefa de assistentes sociais foi montada para visitar residências de possíveis beneficiários irregulares. Pessoas mortas, empresários, servidores públicos com famílias de até quatro pessoas e doadores de campanha enquadram-se em possíveis fraudes apontadas pelo MPF.

Para encontrar empresários que recebem o benefício, perfil mais frequente entre os suspeitos, a equipe da Secretaria de Assistência Social está utilizando dados da Junta Comercial do Estado. Na Capital, 93% dos suspeitos seriam empresários, cerca de 500 pessoas.

“Alguns supostos comerciantes alegam que já fecharam seus negócios, que até teriam dívidas com a Junta. Os dados estão nos ajudando”, disse a secretária de Assistência Social, Beatriz Rizzieri de Luca. Segundo ela, o trabalho de investigação exige grandes esforços, pois muitos dos suspeitos não residem no local indicado pelo cadastro com a prefeitura. Neste caso, o benefício seria imediatamente congelado. Cerca de metade dos suspeitos de receber indevidamente o benefício já foi visitada por assistentes sociais.

Dificuldade no controle de cadastros

Conforme a secretária Beatriz Rizzieri de Luca, o controle para cadastros do Bolsa Família apresenta dificuldades, ainda que o programa imponha critérios de renda. “Diferente do SUS, que não distingue por classe social, o cadastro do Bolsa Família tem a presunção de que o beneficiário está falando a verdade sobre a sua remuneração”, explicou.

A renda por pessoa da família não deve ultrapassar o valor de R$ 140,00 para aprovação do cadastro. “Assistentes sociais devem realizar constantes visitas às famílias para fiscalizar”, finalizou.


Perfil dos 555 suspeitos em Florianópolis


Por receber doação maior que o benefício

Suspeito: 1

Valor recebido: R$ 630


Empresários

Suspeitos: 502

Valor recebido: R$ 1,35 milhão


Mortos

Suspeitos: 4

Valor recebido: R$ 7.100

 

Servidores públicos com famílias de até quatro pessoas

Suspeitos: 47

Valor recebido: R$ 78,3 mil

 

Servidor público e doador de campanha

Suspeito: 1

Valor recebido: R$ 1.500

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