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Maio Amarelo: vítima de acidente grave de moto mostra suas cicatrizes

"Sempre digo às pessoas: ‘não troque a sua moto de duas rodas por uma cadeira de rodas”’, aconselha Adriano Miranda que teve a perna direita amputada em setembro de 2015

Dariele Gomes
Florianópolis
06/05/2017 às 09H55

Alguns segundos de distração ou os mesmos segundos de pressa podem pôr tudo a perder quando se fala em prudência no trânsito. Neste mês de maio, a correria do dia a dia ganha um espaço para falar de conscientização no trânsito. O movimento internacional Maio Amarelo tem como tema este ano “Minha escolha faz a diferença”, e tem por objetivo alertar a sociedade sobre o elevado número de mortos e feridos graves no trânsito. Em Florianópolis, a Rede Vida no Trânsito, que faz parte da Secretaria de Saúde da Capital, fará abordagem de conscientização de motoristas, pedestres e ciclistas neste domingo, na avenida Beira-Mar Norte, durante o projeto “Via Amiga do Ciclista”, das 8h ao meio-dia.

Após o acidente, Adriano Miranda colocou a prótese, voltou a remar e hoje coleciona medalhas - Marco Santiago/ND
Após o acidente, Adriano Miranda colocou a prótese, voltou a remar e hoje coleciona medalhas - Marco Santiago/ND



Adriano Miranda, 46 anos, militar reformado da Aeronáutica, músico e hoje remador no Clube Aldo Luz, é uma das muitas vítimas do trânsito. Ele teve sua rotina de vida transformada após o dia 15 de setembro de 2015, quando sofreu um acidente de moto em São José e teve a perna direita amputada. “Fiquei cinco meses em casa e depois precisava recomeçar. Em junho fará um ano que estou com prótese e levo uma vida quase normal, faço praticamente tudo”, diz.

No ano passado, 117 acidentes foram registrados em Florianópolis, com 61 mortes. O relatório da Rede Vida no Trânsito aponta que em 42,7% dos acidentes pelo menos um dos envolvidos havia consumido álcool. Em 32,1%, o álcool foi considerado o fator mais importante para as ocorrências, na grande maioria homens entre 20 e 29 anos.

Axxdfrg  v - Arte/ND



O levantamento mostra ainda que os dias mais violentos no trânsito na Capital foram as noites/madrugadas de sexta-feira para sábado ou de sábado para domingo, com a presença do álcool confirmada com maior frequência (15,6% e 21,3%, respectivamente). Os dados são preliminares e o relatório completo será apresentado em reunião da Rede Vida no Trânsito, na próxima quarta-feira.

Amputação da perna após acidente com moto

Morador de Florianópolis, Adriano Miranda conta que no dia do acidente, que teve como consequência a amputação da perna direita, se deslocava para um evento e foi surpreendido pelo impacto de um veículo. “Foi em um cruzamento e o trânsito desse local havia sido alterado. O veículo vinha onde antes tinha preferência, mas com a mudança do trânsito eu estava na preferencial. O local estava bem sinalizado, mas um momento de distração não permitiu que o condutor visse a sinalização e nem eu passando com a moto. Ele me acertou e quando tentei ficar em pé, já não consegui. Segurei minha perna até o atendimento chegar”, conta.

O militar relata que o motorista que se envolveu no acidente lhe prestou todo o atendimento e que mantém contato até hoje com ele. “Ele admitiu que teve um momento de distração com a mulher e nesse segundo de desatenção o acidente aconteceu. Minha mensagem é que as pessoas tenham mais atenção e educação no trânsito. Sempre digo às pessoas: ‘não troque a sua moto de duas rodas por uma cadeira de rodas”’, diz.

Uma nova vida com o remo

Antes do acidente, Adriano Miranda andava de moto, tocava saxofone e jogava futebol. A moto foi substituída por um triciclo. Ele continuou a tocar sax e o futebol deu espaço a um novo esporte, o remo. “Quando era jovem já praticava remo aqui no Aldo Luz. Depois do acidente decidi voltar. Já ganhei o Campeonato Brasileiro de Remo Paralímpico em duas categorias. Agora estou me preparando para a escolha da seleção brasileira paralímpica”, conta.

A namorada de Miranda também pratica remo. Rossana Menezes, que no início levava o namorado para os treinos, começou a gostar de remar e hoje também pensa em competir.

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