Publicidade
Segunda-Feira, 19 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 24º C
  • 18º C

Livro criticado por Jair Bolsonaro nunca foi usado nas escolas

Exibido pelo presidenciável em entrevista, o livro infantojuvenil "Aparelho Sexual e Cia.", nunca foi distribuído em escolas, segundo o MEC

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
29/08/2018 às 23H07

SÃO PAULO, SP, E PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - Exibido pelo presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) em entrevista ao Jornal Nacional na noite de terça (28), o livro infantojuvenil "Aparelho Sexual e Cia.", editado pela Cia. das Letras, nunca foi distribuído em escolas, segundo o MEC (Ministério da Educação).

Jair Bolsonaro - Reprodução/ND
Jair Bolsonaro - Reprodução/ND

A Fundação Biblioteca Nacional, ligada ao Ministério da Cultura, comprou, em 2011, 28 exemplares do título, encaminhados a bibliotecas públicas -não a escolas. "O pai que tenha filho na sala agora, retira o filho da sala, para ele não ver isso aqui [o livro]. Se bem que na biblioteca das escolas públicas tem", disse o candidato na TV.

O MEC, em 2016, já havia negado que tivesse adquirido exemplares desse título. Em nota, a Companhia das Letras reafirmou que o título nunca foi adquirido pelo MEC ou fez parte do suposto "kit gay".

"O conteúdo da obra nada tem de pornográfico, uma vez que, formar e informar as crianças sobre sexualidade com responsabilidade é, inclusive, preocupação manifestada pelo próprio Estado, por meio de sua Secretaria de Cultura do Ministério da Educação que criou, dentre os Parâmetros Curriculares Nacionais, um específico à 'Orientação Sexual' para crianças, jovens e adolescentes."

Em Porto Alegre, nesta quarta (28), Bolsonaro rebateu do ministério. "O MEC tá mentindo, são uns canalhas. O livro é sim para ser distribuído nas bibliotecas como foi distribuído há mais de dois anos", afirmou.

Lançado em 2007, o título é indicado para alunos de 11 a 15 anos, do 6º ao 9º ano do ensino fundamental.

"Aparelho Sexual e Cia." foi escrito por Zep (pseudônimo do autor suíço Philippe Chappuis) e traduzido para mais de dez idiomas, com mais de 1,5 milhão de exemplares vendidos. Atualmente, está fora de catálogo no Brasil.

Dividido em seis capítulos, é um guia que utiliza toques de humor e linguagem de histórias em quadrinhos para falar sobre sexualidade, amor e relacionamento para o público infantojuvenil.

O primeiro capítulo fala de relacionamentos. O que é estar apaixonado? O que é sair com alguém? Como é beijar?

O seguinte discorre sobre a puberdade e as mudanças corporais sofridas por garotos e garotas: mudanças na voz, crescimento dos seios, surgimento de pelos, acentuação dos odores etc.

Em seguida, vem a parte do sexo. Com linguagem didática, perguntas diretas e respostas claras, a obra explica o que é transar, o que é uma ereção, como funciona o orgasmo e a anatomia dos órgãos sexuais.

O quarto capítulo aborda a maternidade e a corrida dos espermatozoides rumo ao óvulo, mesclando ciência com linguagem de tirinhas de jornal. Depois é a vez de falar sobre contracepção e higiene. Por fim, há um serviço completo sobre quem procurar em casos de abuso ou pedofilia.

Ao longo do livro, o personagem principal interage com o universo da sexualidade procurando gerar um efeito cômico. Ele se beija no espelho para treinar, não entende muito bem como funciona uma relação sexual e, muitas vezes, imagina as coisas da maneira mais literal possível.

Em vídeo nas redes sociais em 2016, Bolsonaro afirmava que o título "é uma porta aberta para a pedofilia" e que "todo ele é uma coletânea de absurdos que estimula precocemente as crianças a se interessarem por sexo".

Não é a primeira vez que a obra causa polêmica. A Promotoria do Distrito Federal já havia pedido esclarecimentos sobre o livro à editora em 2015. Na época, pais questionaram a adoção da obra por um colégio. Géssica Brandino, Gabriela Sá Pessoa, Bruno Molinero e Fernanda Wenzel

Publicidade

19 Comentários

Publicidade
Publicidade