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Nova reunião termina sem acordo e caminhoneiros continuam em greve no Brasil

Em reunião entre Temer, ministros e presidente da Petrobras nesta quinta-feira, conclusão foi de que governo não deve ceder; aposta é no enfraquecimento da greve e revolta da população

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
24/05/2018 às 17H12
Paralisação entrou no quarto dia com aumento de bloqueios pelo país - Marcelo Pinto/APlateia
Paralisação entrou no quarto dia com aumento de bloqueios pelo país - Marcelo Pinto/APlateia

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Assim como a reunião de quarta-feira (23), o encontro desta quinta-feira (24) entre o governo, a Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros) e outros grevistas não resultou no fim das paralisações pelo país.

A Abcam, que representa 700 mil caminhoneiros, quer continuar com a manifestação até a isenção de impostos se transformar em lei, e abandonou a reunião antes que se chegasse em um acordo. Outros representantes do setor, porém, discordaram da Abcam, e aceitaram parar com as manifestações.

A CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), por exemplo, aceitou o pedido de trégua do governo.

Mais cedo, na manhã desta quinta-feira, a Abcam afirmou que só vai parar a greve quando for publicada a isenção de impostos (PIS/Cofins e Cide) sobre o diesel no Diário Oficial da União. A paralisação entrou no quarto dia com aumento de bloqueios pelo país. "As lideranças não acreditam mais nas promessas do governo", afirma o grupo.

Acuados pela greve, o presidente Michel Temer (MDB), o Congresso e Petrobras buscaram nesta quarta-feira alternativas para atender os grevistas e reduzir o preço do diesel. Temer pressionou o comando da Petrobras e a estatal suspendeu provisoriamente sua política de reajustes: reduziu em 10% o preço do diesel, congelando-o por 15 dias.

A Câmara aprovou no fim da noite desta quarta-feira (23) em votação simbólica, uma versão desidratada da reoneração da folha de pagamento e zerou o PIS/Cofins sobre o diesel até o final do ano. O projeto ainda tem de ser analisado pelo Senado.

>> Sem combustível, transporte coletivo em Florianópolis tem alteração de horários
>> Falta de combustíveis, desabastecimento e limitações em serviços marcam quinta-feira em SC

"Categoria não dá credibilidade a promessas do governo', diz representante dos caminhoneiros

O presidente da CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos), Diumar Bueno, disse nesta quinta-feira que o movimento dos caminhoneiros não dá credibilidade a promessas feitas pelo presidente Michel Temer.

No Palácio do Planalto, para nova reunião com a equipe ministerial, ele criticou a postura do presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que viajou ao Ceará sem votar proposta que garantiria o fim de imposto sobre o diesel. Após críticas, Eunício decidiu voltar para Brasília.

"Isso é uma demonstração da preocupação que eles estão com o país e a situação de todo mundo, infelizmente", disse.

Para tentar conseguir uma trégua, a Petrobras anunciou na quarta-feira a redução de 10% do diesel por 15 dias, o que foi considerado insuficiente pelo movimento grevista. "A categoria não dá credibilidade a promessas feitas pelo governo. A categoria quer respostas que sejam conclusivas e tenham aplicação imediata. Os 15 dias é só dar um chute na bola para daqui a pouco voltar atrás", disse. 

Na tentativa de acabar com a paralisação nacional, que já afeta a distribuição de combustíveis e alimentos no país, a equipe econômica se comprometeu a zerar o Cide caso seja aprovado projeto de reoneração da folha de pagamento.

A Câmara votou a proposta na noite de quarta-feira, mas o Senado só pretende fazê-lo na próxima semana. Com a repercussão negativa de sua viagem, Eunício decidiu retornar a Brasília e marcou reunião com líderes partidários para esta quinta-feira, mas boa parte dos senadores já deixaram a capital federal.

Sem espaço fiscal para novas reduções nos preços de combustíveis, o presidente reconhece que não tem mais alternativas a não ser esperar por um enfraquecimento da paralisação nacional dos caminhoneiros.

A estratégia esboçada na manhã desta quinta-feira é insistir no pedido de trégua e dizer que o Palácio do Planalto fez tudo o que pode, colocando a culpa de maneira indireta no Senado.

Sem querer ceder, governo aposta em enfraquecimento da greve e revolta da população

Sem espaço fiscal, Temer tenta uma trégua com os caminhoneiros enquanto a equipe econômica busca brechas no Orçamento para compensar a diminuição de impostos que incidem sobre o diesel.

Em entrevista nesta quinta-feira (24), o ministro Carlos Marun (Secretaria de Governo) disse que o governo não deve fazer nenhuma nova oferta na reunião marcada para a tarde desta quinta, com representantes da categoria.

"Avançou-se em duas questões: preço e previsibilidade, que é muito cobrada nas reivindicações que nos fazem. Vamos para a reunião de hoje, não mais como ontem, simplesmente ouvindo, mas já tendo tomado medidas concretas que entendo que podem resultar numa trégua", disse.

Entrevista com os ministros da Secretaria de governo da Presidência da República, Carlos Marun, da Casa Civil, Eliseu Padilha e dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro Silveira, sobre a greve dos caminhoneiros - Wilson Dias/Agência Brasil
Entrevista com os ministros da Secretaria de governo da Presidência da República, Carlos Marun, da Casa Civil, Eliseu Padilha e dos Transportes, Portos e Aviação Civil, Valter Casimiro Silveira, sobre a greve dos caminhoneiros - Wilson Dias/Agência Brasil


Ao fim de um evento no Palácio do Planalto, na quarta, Temer pediu aos caminhoneiros uma trégua de três dias. A fala foi respondida com a declaração de que a paralisação teria continuidade.

Temer reuniu na manhã desta quinta o presidente da Petrobras, Pedro Parente, e ministros da coordenação política e da equipe econômica. Eles buscam formas de encontrar uma compensação fiscal para a redução a zero dos tributos PIS/Cofins sobre o diesel. A medida foi acrescentada pelos deputados no projeto de reoneração da folha de pagamentos, aprovada na Câmara na noite de quarta.

A estimativa é de uma perda de receita de R$ 12 bilhões este ano, caso a medida seja aprovada no Senado e não sofra vetos do Executivo. Com dificuldades para elevar a arrecadação, o governo ainda estuda saídas para indicar a compensação da perda dos tributos.

Na reunião da manhã desta quinta, chegou-se à conclusão de que é necessário mais tempo para indicar essas saídas e que ceder mais ao movimento grevista neste momento pode estimular outros setores insatisfeitos a iniciarem novas greves pelo país.

A análise do setor de inteligência do Palácio do Planalto é que o movimento deve apresentar sinais de arrefecimento no final de semana e que, com a falta de combustíveis e alimentos, a população poderá se revoltar contra os motoristas em greve.

Caminhoneiros protestam contra elevação no preço do diesel na rodovia BR-040, em Duque de Caxias - Fernando Frazão/Agência Brasil
Caminhoneiros protestam contra elevação no preço do diesel na rodovia BR-040, em Duque de Caxias - Fernando Frazão/Agência Brasil


Caminhoneiros bloqueiam mais de 400 pontos em todo o país

A greve dos caminhoneiros autônomos alcançou no final da manhã desta quinta-feira 431 pontos de manifestação em todo o país. Em seu quarto dia de protestos, os caminhoneiros ampliaram o total de pontos de bloqueio em relação à noite desta quarta, quando havia 384 atos no país, de acordo com a CNTA (Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos).

A maior parte dos protestos está na região Sul, com 160, seguida por Sudeste (106), Nordeste (89), Centro-Oeste (58) e Norte (18). A CNTA informou reconhecer que o desabastecimento atinge todos os setores “desde a indústria, comércio e serviços”.

“A CNTA havia feito esse alerta, no dia 16 de maio, junto ao governo federal, mas nenhuma medida foi tomada para evitar a paralisação dos caminhoneiros, que reivindicam outra política de reajuste do óleo diesel, com redução de impostos e o fim da cobrança de pedágio dos caminhões vazios, que passam nas praças com os eixos suspensos. Os motoristas não podem mais arcar com tantos prejuízos”, diz trecho de comunicado da entidade.

Na tarde desta quinta, a entidade se reunirá, com outras lideranças, na Casa Civil, para discutir a crise. O presidente Michel Temer pediu nesta quarta-feira aos caminhoneiros que eles deem uma trégua de três dias para as paralisações que atingem estradas em todo o país.

"Eu pedi que nesta reunião se solicitasse uma espécie de trégua para que em dois, três dias no máximo nós possamos encontrar uma solução satisfatória para os brasileiros e para os caminhoneiros", disse.

A paralisação já se estende por quatro dias e, mesmo o anúncio feito na terça, sobre redução de impostos que incidem sobre o diesel, não acalmou a categoria, que protesta diante da alta dos preços dos combustíveis. A fala do presidente aconteceu após evento no Palácio do Planalto e na sequência de uma reunião do governo com representantes dos caminhoneiros.

"Desde domingo nós estamos trabalhando nesse tema para dar tranquilidade não só ao brasileiro, que não quer ver parado o abastecimento, mas também tentando encontrar uma solução que facilite, especialmente, a vida dos caminhoneiros."

A reunião na Casa Civil entre Abcam (Associação Brasileira de Caminhoneiros) e governo federal terminou sem acordo. A associação se encontrou com representantes da União para decidir se iria manter a greve que paralisa estradas pelo Brasil desde segunda. Os caminhoneiros planejam manter a manifestação pelo menos até sexta-feira, apurou a reportagem.

Estavam presentes o ministro dos Transportes, Valter Casemiro, o ministro da secretaria de governo Carlos Marun e o diretor geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres), Mário Rodrigues.

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