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Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2018
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Leitura em braille ajuda a superar limitações e amplia acesso à informação

Alessandra Oliveira
Florianópolis

Janine Turco/ND
Jonathan (E) aprende a leitura em braille com a ajuda do professor Zezinho Fernandes

Os dedos finos de Jonathan Alves Martins, 8 anos, deslizam sobre os pontinhos e relevos no papel. São por meio deles que o pequeno descobre o mundo. O garoto foi alfabetizado verbalmente e está sendo educado em braille. Jonathan é morador da comunidade Frei Damião, em Palhoça, e o único aluno deficiente visual da rede municipal de ensino. Ele será um dos que se beneficiará do projeto de capacitação de professores em braille e que busca ampliar o universo dos deficientes visuais com o acesso à leitura.

Para melhorar a disponibilidade de livros didáticos e literários em braille professores de 12 municípios da Grande Florianópolis integrarão a equipe de profissionais do CAP (Centro de Apoio Pedagógico para Atendimento às Pessoas com Deficiência Visual), de Florianópolis. Ao longo de quatro anos os educadores serão capacitados na leitura e escrita braille. O trabalho tem como objetivo aumentar a oferta de materiais para deficientes visuais, que atualmente encontram exemplares adaptados somente em três bibliotecas da Capital.  

Em Palhoça, Jonathan estuda no segundo ano é acompanhado pelo professor de educação especial Zézinho Torquato Fernandes. “Ele sabe soletrar as palavras, mas ainda não conhece todas as letras do braille”, detalha o educador, que apresenta a nova linguagem diariamente ao garoto que nasceu cego. Após alguns minutos tateando o desenho pontilhado o menino dá seu veredicto: é um morango.

Parte do ensino é realizada em uma sala separada dos demais alunos. Sala onde Jonathan chega rapidamente com a ajuda de sua bengala. “Estou aprendendo matemática também”, diz, ao ressaltar que está treinando os dedos para ler os pontinhos.

Garoto de São José lê em braille enquanto sonha com a carreira de cantor

No bairro Colônia Santana, em São José, mora e estuda Mateus Vinício Althaus, 11. Desde os cinco anos a avó materna,Tereza de Mello, 60, toma conta do garoto que aos três anos foi abandonado pela mãe. “Ele lembra das cores, do rosto da mãe e de todos os bichos que conheceu”, relata a avó sobre o menino, que teve câncer nos olhos.

Com dois anos e oito meses os médicos retiraram o olho direito de Mateus. A segunda extração foi aos seis anos. Alfabetizado em braille o garoto diz que é difícil conseguir livros que não sejam os fornecidos pela escola Santa Ana, onde estuda no 5º ano. “Eu sei fazer contas e escrever em braille. Mas prefiro mesmo as aulas de educação física”, diz o garoto, fã do cantor sertanejo Luan Santana. “Eu vou ser cantor”, garante, ao lamentar a dificuldade para encontrar livros que não os produzidos no CAP.

Convênio aumentará oferta na região

No CAP, órgão da Diretoria  de Educação Continuada e coordenado pela Secretaria de Educação de Florianópolis, atuam 17 profissionais da Capital e dois de São José. A equipe aumentará devido ao convênio assinado no mês de março entre a instituição e as prefeituras de 12 municípios da região. “Cada cidade nos enviará ao menos um profissional para ser treinado no CAP“, disse a coordenadora Eliane da Silva, sobre o trabalho a ser desem enhado por professores.

A ACIC (Associação Catarinense para Integração do Cego) atende 80 pessoas das cidades de Florianópolis, Palhoça, São José, Biguaçu e Santo Amaro da Imperatriz. Deste total, 28 são cegas e 52 tem baixa visão. Sem oferta de livros nas livrarias ou lojas, os deficientes dependem do trabalho de transcritores de braille para sua formação educacional e literária, além dos exempalares  das bibliotecas municipais e uma estadual. Alguns exemplares são fruto de doações de fora do Estado.

Atualmente, os transcritores de braille e revisores do CAP trabalham na produção de livros didáticos para estudantes do ensino regular dos municipios atendidos pela ACIC.  Cada exemplar leva, em média, 90 dias para ser finalizado, sendo disponibilizado em áudio-livro e ampliações.   

BOX

Municípios atendidos pelo convênio

Águas Mornas

Angelina

Anitápolis

Antônio Carlos

Biguaçu,

Governador Celso Ramos

Palhoça,

Rancho Queimado,

Santo Amaro da Imperatriz,

São Bonifácio,

São José

São Pedro de Alcântara.

Onde encontrar exemplares em braille

Biblioteca Municipal de Florianópolis

Rua Ferreira Lima, nº82, Centro.

Fone: 2106-5913

Exemplares: 248

 

Biblioteca Barreiro Filho

Rua João Evangelista da Costa, 1.160, Estreito

Fone: 3271-7914

Exemplares: 115

 

Biblioteca Pública Estadual

Rua Tenente Silveira, 343, Centro

Fone: 3028-8063

Exemplares: 4.384 

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