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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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“Por que nos jogam de lá pra cá como um lixo?", reclama usuário da Paulotur

Cerca de três mil passageiros de Palhoça foram afetados nesta segunda após ação de grevistas contra ônibus substitutos

Alessandra Oliveira
Palhoça

Cerca de três mil passageiros de Palhoça ficaram sem transporte nesta segunda-feira (20) após motoristas e cobradores da Paulotur impedirem a saída de cinco ônibus da União, que, sob ordem do Deter (Departamento de Transportes e Terminais), faria itinerários da empresa em greve. "A frota era velha e colocava em risco a população", disse Deonísio Linder, representante do Sintraturb (Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Urbano). Outro veículo, um micro-ônibus da empresa Cauan, foi apedrejado.

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Flávio Tin/ND
Patrícia diz que não é contra a greve: "Mas a população não pode ficar refém"


A diarista Patrícia dos Santos, 44 anos, está sem transporte há uma semana. Desde que começou a greve dos trabalhadores da Paulotur a moradora do bairro Morretes 2, no Sul de Palhoça passa os dias contabilizando prejuízo enquanto olha para os sete ônibus estacionados em frente à sua  casa. Na Manoel Joaquim da Silveira é de onde partem os coletivos (em dias normais), rumo ao Centro de Palhoça e ao terminal Rita Maria, em Florianópolis.

“Meu vale transporte as outras empresas não aceitam. Se quiser ir trabalhar tenho de pagar outra passagem. Mas depois que barraram o ônibus da União ficamos novamente sem alternativa”, lamentou.

Patrícia é líder comunitária. Ela discute com outros moradores um meio de solucionar o problema, ou, pedir ao Deter que resolva o impasse. “Acho justo a greve. Não sou contra. Mas a população não pode ficar refém desse jeito”, falou.

Flávio Tin/ND
Fernandes pega carona e depois caminha 7,5 quilômetros até a Pinheira


Eliton Fernandes, 35 anos é bilheteiro na empresa Itapemirim, no terminal rodoviário Rita Maria, em Florianópolis. Desde o início da greve ele caminha em media 7,5 quilômetros na estrada de paralelepípedos entre a BR-101 e o bairro Pinheira, onde mora.

“Trabalhei durante 12 horas seguidas. A empresa me dá carona até a BR-101. De lá pra cá o jeito é a caminhada”, disse resignado, ainda com o crachá pendurado no pescoço. A escala de trabalho dele é de 12x36 horas.

Com os olhos voltados para a direção de onde vem o ônibus rumo ao Centro de Palhoça, o estofador Ricardo dos Santos, 58 anos, aguardava ansioso pela chegada de um coletivo para ir ao banco efetuar um depósito.

“Disseram que teria ônibus ou vans hoje. Se não passar o jeito será tentar uma carona. Preciso honrar meu compromisso”, disse. Santos mora há nove anos na praia da Pinheira. Ele reclama dos serviços oferecidos pela Paulotur, mas reconhece: “Antes ruim que nada”.

Flávio Tin/ND
Arcêndino não sabia como voltar para casa ontem, após consulta médica. Acima, foto do coletivo danificado

O passageiro Carlos Roberto Arcêndino, 60 anos, teve de arrumar saídas alternativas para não perder a consulta em que mostraria sua biopsia ao médico, no hospital Regional de São José. Arcêndino saiu de casa no domingo, de carona e foi dormir na casa de um familiar, em Biguaçu.

Morador da Enseada de Brito, ele estava aflito com a incerteza de voltar para casa. De São José até o Centro de Palhoça ele se deslocou em um ônibus da Jotur, que opera a maioria das linhas na cidade.

“Por que nos jogam de lá pra cá como um lixo? Estou tratando linfomas no nos pulmões. Não está fácil cumprir os compromissos médicos com essa greve. Por que ninguém faz nada? Será que terei de voltar caminhando para minha casa?”, disse mostrando sua impaciência com a falta de transporte.

Às 8h uma van passou pela Pinheira. Nela a caixa de supermercado Carolina de Jesus, 23 anos e o marido, o seletor de recicláveis Alexsandro dos Santos, 35, embarcaram rumo ao Centro de Palhoça. Após cumprir os compromissos médicos e bancários, o casal ficou à espera de outra van para voltar para casa. 

“Pagamos R$ 8 pela passagem. O mesmo valor que a Paulotur cobra. O problema é ficar esperando sem saber a quem perguntar sobre o transporte”, lamentou a jovem. Moisés Antunes, 42, Maria Isabel de Souza, 33 e o pequeno Michel, 4, aguardavam com Carolina  por mais de três horas até a chegada da van que s levou de volta a Pinheira.

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