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Sexta-Feira, 21 de Setembro de 2018
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“Empreender no Brasil chega a ser heroico", diz Claudio Sassaki, cofundador da startup Geekie

Empreendedor, que esteve em Florianópolis no Social Good Brasil, largou emprego estável para apostar em plataforma de democratizar o acesso à educação de qualidade

Felipe Alves
Florianópolis

Em 2011, aos 37 anos, o empreendedor Claudio Sassaki decidiu arriscar. Largou um emprego estável no mercado financeiro e apostou em um novo negócio motivado pela vontade de democratizar o acesso à educação de qualidade. Surgiu então a startup paulista Geekie, plataforma que se adapta ao processo de aprendizado do aluno. O negócio deu certo, recebeu diversos prêmios e virou referência nacional ao aliar tecnologia à educação. Na noite desta terça-feira, Sassaki esteve em Florianópolis para dividir um pouco da sua experiência como empreendedor no “Social Good Brasil Pocket – Negócios do Futuro”, evento que abordou as influências da tecnologia e do impacto nos negócios do futuro.

Marco Santiago/ND
Claudio Sassaki: "O maior desafio foi fazer as pessoas acreditarem que daria certo"


Formado em arquitetura, Sassaki passou anos dando aulas particulares e foi aí que despertou nele a paixão por ajudar as pessoas a atingirem o potencial por meio da educação. Depois de dez anos trabalhando no mercado financeiro, ele e seis amigos se juntaram para fazer a mudança acontecer na educação.

A Geekie surgiu com o conceito de ensino adaptativo, em que o conteúdo se adapta a cada aluno, para aumentar o desempenho e garantir educação para todos. Voltada principalmente para alunos do ensino fundamental e médio, a plataforma alcançou 5 milhões de alunos e hoje são mais de 1.000 escolas que utilizam o sistema. “A gente atua para resolver um problema social, que é o acesso desigual de educação de qualidade no nosso país. O que me incomodou é que temos um modelo de educação que é padronizado, todo mundo tem a mesma aula do mesmo jeito, mesmo sabendo que as pessoas aprendem de forma diferente”, explica.

Por isso, a Geekie surgiu como uma forma de personalizar o processo de aprendizado em larga escala. Por meio de algoritmos de análise de dados, o sistema “entende” como cada pessoa aprende e desenvolve os conteúdos da melhor forma. Mas investir em empreendedorismo não foi tarefa fácil para Sassaki. “Empreender é incerto por definição. Tive que reaprender tudo. A gente foi por tentativa e erro. O maior desafio foi fazer as pessoas acreditarem que daria certo. Empreender no Brasil é muito difícil, chega a ser heroico”, diz.

Os negócios do futuro em debate

Com foco na influência e no impacto da tecnologia nos negócios do futuro, o Social Good Brasil decidiu promover um evento para discutir ideias e trocar experiências e contatos sobre as tendências do empreendedorismo. Além de Claudio Sassaki, o evento também contou com a presença de lideranças do ecossistema de negócios de impacto do Brasil e do mundo para promover a conexão e o contato entre os participantes.  

A ideia, segundo Cecília Mozzaquattro da Silva, 31 anos, coordenadora dos eventos do Social Good Brasil, é discutir o novo conceito de negócio do futuro, que aliam empresas que têm retorno financeiro, mas com impacto social. “É uma tendência que não tem volta. Queremos trazer esse novo movimento aqui para Florianópolis, que é um grande polo de startups e aproximar esse negócios de impacto”, explica.

Dicas de Claudio Sassaki para novos empreendedores

1. Equipe diversificada: “O empreendedor acha que, por que ele teve a ideia, é superior. Esse ego que o empreendedor tem e o grande risco que ele corre é não trazer para o time pessoas que vão discordar dele, que vão falar o que pensam, que vão chacoalhar esse ambiente. Se você é o melhor cara do seu time, a chance de a empresa dar certo é muito pequena. Gente boa atrai gente boa. Qualquer investidor, produto ou coisa que você for desenvolver com um time vai depender da qualidade deste time”.

2. Conheça o mundo do empreendedorismo: “Empreendedorismo está muito na moda. Eu vejo que tem gente que começa a empreender sem ter uma visão muito clara do que é empreender. Empreender significa trabalhar como você nunca trabalhou na vida e ganhar pouco. Será frustração atrás de frustração. Para cada ‘sim’ que você receber, você vai receber dez ‘nãos’. E é muito difícil receber um ‘não’. Se você não estiver preparado, você não terá a resiliência emocional para criar um negócio. E mesmo assim pode não dar certo. Então tem que ter essa consciência”.

3. Sonhar grande, mas com foco: “Concordo que tem que sonhar grande. Mas você tem que estar muito focado em resolver um problema para um cliente. Se você tentar fazer tudo ao mesmo tempo, geralmente sua solução será mais ou menos. Se sua solução for medíocre, sua empresa não dará certo. Então tem que sonhar grande, mas focar, saber como você usará o seu tempo”.

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