Publicidade
Segunda-Feira, 12 de Novembro de 2018
Descrição do tempo
  • 28º C
  • 21º C

“Educação hoje é onipresente”, diz reitor da Udesc

Antonio Heronaldo de Sousa fala sobre os 50 anos da universidade e as metas para os próximos anos

Letícia Mathias

Reitor da Udesc (Universidade do Estado de Santa Catarina) desde 2012, Antonio Heronaldo de Sousa defende o compromisso da instituição, que completou 50 anos de história na última quarta-feira, com o desenvolvimento regional. Entre as metas de sua gestão está a expansão dos cursos semipresenciais, o que vê como uma oportunidade de aumentar o acesso à universidade.

Eduardo Valente/ND
Antonio Heronaldo de Sousa destaca que a universidade foi pioneira na interiorização do ensino superior gratuito no Estado


O foco de Sousa também está direcionado na busca por mais recursos financeiros para implantar novos cursos e projetos nas 12 unidades espalhadas em dez municípios do Estado, assim como ampliar a estruturação da pós-graduação — ainda recentes na trajetória da entidade.

Nesses 50 anos de estrada, Sousa destaca que a universidade foi pioneira na interiorização do ensino superior gratuito em Santa Catarina. Mas ainda tem muito a crescer. A meta para os próximos anos é ampliar a atuação de pesquisa e extensão e internacionalizar a Udesc. “Já temos indicadores importantes, mas é uma universidade jovem, que precisa também se internacionalizar”.

Perfil: Antonio Heronaldo de Sousa, 44 anos, é bacharel em ciência da computação, mestre em engenharia elétrica e doutor em eletrônica e comunicações. Presente na Udesc desde 1992 como professor, foi atuante principalmente no curso de engenharia elétrica, passou pelas funções de diretor de graduação, vice-reitor e, em 2012, foi eleito reitor. Confira a entrevista:


Como o senhor enxerga o ensino superior no Estado e no contexto nacional?

O principal desafio é a ampliação da oferta porque o Brasil tem um déficit grande de vagas. Precisa de recursos e, infelizmente, existem grandes dificuldades para priorizar verba para a educação. De uma maneira geral, o ensino superior em Santa Catarina, comparado ao Brasil, é bom. Mas do ponto de vista internacional, ainda existem muitos degraus para que a gente galgue, envolve não só educação superior, mas a básica também.

Como as novas tecnologias facilita o acesso ao ensino superior?

Educação hoje é onipresente, está no celular, no momento que você lê um livro no ônibus, está provocando uma revolução dentro das próprias escolas, das universidades. O lado positivo é o acesso mais rápido e a quantidade maior de informações. Por outro lado, também tem gerado certa apatia. Tem muitos conteúdos que precisam de certo conservadorismo, não se aprende tudo olhando um vídeo no youtube. Em certas disciplinas precisa sentar em sala, discutir, fazer exercício e, sob esse ponto parece ter essa dificuldade em sintonizar os jovens de hoje com metodologias tradicionais, mas necessárias.

A oferta de ensino a distância tem crescido, como é possível garantir qualidade na modalidade?

A modalidade é viável desde que haja um sistema de avaliação efetivo e compromisso com a qualidade. Têm academias com cursos presencias de baixa qualidade, então não é a modalidade em si que deprecia ou diminui o ensino a distância, é a forma como a instituição encara a educação. No caso, a Udesc encara como uma ferramenta de transformação do cidadão e da sociedade.

Quais as dificuldades e vantagens de ser uma universidade estadual?

A grande vantagem é poder ter uma maior identidade e compromisso com o Estado. Isso norteia a universidade. A Udesc tem uma meta de contribuir com o desenvolvimento regional e uma das principais desvantagem de ser uma estadual no Brasil é a falta de compreensão das políticas federais para o financiamento do ensino superior. Fora as linhas de fomento da pós-graduação, o governo federal normalmente não enxerga as estaduais como parcela importante e elas detém 40% das vagas públicas. A maior universidade brasileira é a USP [Universidade de São Paulo], que é estadual.

O repasse do governo para a Udesc é o suficiente para manutenção e expansão da universidade?

Não. Por isso, que inova com a modalidade semipresencial e a usa como estratégia para conseguir atender mais demandas sem ter a necessidade de uma unidade física, que requer mais recursos. O ideal é que houvesse um redimensionamento da distribuição dos percentuais de duodécimo [divisão da receita líquida disponível no Estado entre públicos e a universidade] entre os poderes para permitir que a Udesc desenvolva expansão com qualidade. Um estudo aponta a necessidade de R$ 20 milhões por ano para as principais demandas. Há nove cursos represados no conselho por falta de verba para implantação.

De que a forma a universidade lida com a influência política apesar de ter autonomia?

Existem lideranças que por não conhecerem bem o funcionamento da dinâmica do ensino superior público no país, que tem autonomia e gestão democrática colegiada, geram dificuldades. Criam projetos e decretos que atrapalham o andamento da universidade. Nós tratamos dessas tentativas de interferência da forma mais democrática e transparente possível. Felizmente temos também muitos que entendem como funciona a universidade e defendem essa dinâmica para que não haja prejuízo.

Qual o caminho da Udesc nos próximos anos?

Caminha no sentido de aumentar sua qualidade nacional. Já temos indicadores importantes, mas é uma universidade jovem, que precisa também se internacionalizar. Vai ser ampliada por meio das modalidade semipresenciais, ampliando seus cursos. Também está em busca de mais recursos para que haja ampliação das atividades presenciais. Vamos trabalhar muito na pesquisa e ampliar a atuação na atividade de extensão com a comunidade. Há certa garantia de que esses cursos [presenciais] só irão ocorrer se tiver sustentabilidade para garantir qualidade.

 

Publicidade

0 Comentários

Publicidade
Publicidade