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Lancha naufraga na Grande Salvador; 20 corpos já foram resgatados do mar

A embarcação, com capacidade para 162 pessoas, levava um total de 124 pessoas, entre elas quatro tripulantes e quatro policiais militares

Folha de São Paulo
Salvador (BA)
24/08/2017 às 22H35

JOÃO PEDRO PITOMBO E FRANCO ADAILTON/ SALVADOR, BA (FOLHAPRESS) - O naufrágio de uma lancha na baía de Todos-os-Santos, nas proximidades de Salvador, deixou ao menos 20 mortos na manhã desta quinta-feira (24). Dois corpos foram encontrados já durante a noite, segundo a Prefeitura de Vera Cruz, na ilha de Itaparica. A embarcação, com capacidade para 162 pessoas, levava um total de 124 pessoas, entre elas quatro tripulantes e quatro policiais militares.

Um bebê de seis meses fotografado nas mãos de um socorrista nesta manhã morreu. Identificado como Davi Gabriel Martim, ele viajava com a mãe e a irmã para uma consulta ao pediatra. No momento em que a lancha virou, os três caíram na água. Mãe e filha se salvaram, mas o bebê não resistiu.

Ao menos mais uma criança morreu durante o naufrágio. Darlan Reis Queiroz, 2, viajava com a mãe, Dulciane Santos Queiroz, 37, e a avó Dulcelina Santos e faria exames em um hospital de Salvador. Avó, filha e neto não resistiram e morreram afogados.

Naufrágio em Salvador - Sayonara Moreno/Agência Brasil
Naufrágio em Salvador - Sayonara Moreno/Agência Brasil


Mais de 90 pessoas foram resgatadas com vida e encaminhadas a unidades de saúde da região até esta noite. A Secretaria de Saúde do Estado afirmou que 24 pessoas foram atendidas em cinco hospitais estaduais, enquanto a Prefeitura de Vera Cruz confirmou 70 atendimento na UPA de Mar Grande, sendo que três morreram na unidade.

Eram 6h30, chovia muito, o mar estava agitado, e a lancha iniciava uma travessia estimada em cerca de 40 minutos entre o município de Vera Cruz, na ilha de Itaparica, até a capital baiana.

A viagem foi interrompida logo nos primeiros minutos, a cerca de 200 metros do terminal marítimo, quando fortes ondas atingiram a lancha e a deixaram de ponta-cabeça. Os passageiros foram jogados ao mar.

"Uma primeira [onda] atingiu a embarcação, que ficou de lado e fez todos correrem pro lado oposto. Em seguida, uma segunda onda fez a embarcação virar", conta o sonoplasta Edvaldo Santos, 51, morador da ilha de Itaparica que faz o trajeto diariamente para trabalhar em Salvador. Para Edvaldo, a impressão é de que a lancha estava muito lotada.

Matheus Ramos, 23, diz que estava sentado próximo à lateral e que viu o barco virar por cima dele. "Fui atingido no ombro esquerdo. Quando emergi, dei de cara com uma lona e tive que rasgá-la para poder respirar."

Felipe Marques da Silva, 22, estudante de engenharia da computação em uma faculdade privada em Salvador, foi outro que se salvou. Ele dormia na parte interna da lancha quando sentiu ela virar. "Entrou muita água de vez, a parte interna encheu quase toda. Tive sorte que estava perto de uma janela e consegui sair", disse.

Ele conta que conseguiu vestir um colete salva-vidas e permaneceu junto a outros sobreviventes. Eles foram resgatados por um barco de pescadores depois de ficarem cerca de uma hora à deriva –os salvamentos começaram com barqueiros da região.

Eduardo Aguadê, 65, lembra que a maioria conseguiu subir em botes que caíram na água. Ele ajudou um idoso que se segurava numa mochila e diz que o resgate demorou. Os dois ficaram cerca de duas horas ali.

Esse percurso por barco é comum tanto para moradores da ilha que trabalham ou estudam em Salvador como para quem busca uma caminho mais rápido entre a capital e o litoral sul do Estado. Cerca de 5.000 pessoas navegam de um lado para o outro da baía todos os dias.

Um antigo projeto do Estado prevê a construção de uma ponte de 12,2 km entre Salvador e a ilha de Itaparica. Estimada em quase R$ 10 bilhões, ela seria a segunda maior do Brasil, atrás apenas da Rio-Niterói, mas nunca saiu do papel.

Hoje a travessia é feita por duas empresas que têm a concessão da linha, emitida pela Agerba, agência estadual que regula o transporte hidroviário do Estado. A lancha que naufragou era da CL Transportes.

Segundo a instituição, a lancha Cavalo Marinho 1 estava com a documentação regularizada, tinha autorização para a viagem e possuía botes e coletes salva-vidas, mas somente o inquérito aberto irá apontar causas e responsabilidades do acidente.

Esse é o segundo grande naufrágio no país nesta semana. Na terça (22) à noite, no Pará, uma embarcação afundou com 49 pessoas a bordo –21 morreram, 23 se salvaram e cinco seguiam desaparecidas até esta quinta.

Em nota, o presidente Michel Temer (PMDB) "lamentou profundamente as perdas trágicas" na Bahia, assim como o governador Rui Costa (PT) e prefeito de Salvador, ACM Neto (DEM).

A Secretaria da Segurança Pública da Bahia informou que as buscas por vítimas foram suspensas ao anoitecer e serão retomadas nesta sexta (25).

Inicialmente, as autoridades confirmaram 22 mortos, mas à tarde o número foi recalculado para 18. O total de passageiros a bordo também foi apontado como 133 mais cedo, porém, segundo a prefeitura, parte das pessoas que passaram a catraca não embarcou.

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