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Júri popular de ex-PM acusado de matar Ricardinho acontece nesta quinta, em Palhoça

Júri está previsto para as 9h, no Fórum de Palhoça. Família da vítima vai ocupar os primeiros assentos do auditório e outras 79 poltronas foram reservados ao público mediante distribuição de senhas

Colombo de Souza
Florianópolis
14/12/2016 às 22H13
O ex-PM Luís Paulo Mota Brentano é acusado de matar o surfista Ricardinho, em 19 de janeiro de 2015 - Flávio Tin/Arquivo/ND
O ex-PM Luís Paulo Mota Brentano é acusado de matar o surfista Ricardinho, em 19 de janeiro de 2015 - Flávio Tin/Arquivo/ND


O ex-PM Luís Paulo Mota Brentano, 26, acusado de matar com dois tiros de pistola o surfista especializado em ondas grandes e tubulares Ricardo Santos, o Ricardinho, começa a ser julgado a partir das 9h desta quarta-feira (15) no Fórum de Palhoça. Ricardinho, como era conhecido na praia da Guarda do Embaú, foi alvejado no dia 19 de janeiro de 2015, entre 8h e 8h30, no acesso à praia.

No dia do crime, Ricardinho pediu para Brentano retirar o carro de cima do local onde seria realizada uma obra de encanamento, segundo testemunhas. O pedido provocou uma discussão e logo em seguida os disparos foram feitos pelo ex-policial de dentro de um Citröen C4. Socorrido, o atleta passou por quatro cirurgias no Hospital Regional de São José, mas as hemorragias não cessaram. Ele morreu no dia seguinte.

Após o brutal assassinato houve protestos, passeatas e manifestações em homenagem ao ídolo que levou o nome da Guarda do Embaú para os concorridos circuitos do surfe mundial. Atualmente, a Guarda do Embaú foi reconhecida como a 9ª Reserva Mundial do Surfe e a primeira do Brasil.

A defesa do ex-militar reconhece o homicídio, mas alega legítima defesa. Diz que Ricardinho partiu para cima de Brentano com um facão, embora a arma branca não tenha sido encontrada na cena do crime. Brentano usou uma pistola semiautomática .40  de patrimônio da Polícia Militar. Durante a instrução processual, ele foi expulso da corporação, porém continua preso no 8º BPM (Batalhão da Polícia Militar) de Joinville, onde trabalhava.

Senhas para o júri

O auditório do fórum onde será realizado o júri popular tem 178 cadeiras. A família do surfista vai ocupar os primeiros assentos. Para a imprensa haverá um local exclusivo e, ao público em geral, serão disponibilizadas 70 cadeiras, a serem ocupadas mediante a distribuição de senhas a partir das 7h30.

Por se tratar de um júri popular bastante concorrido, o Tribunal de Justiça solicitou um esquema de segurança condizente com as circunstâncias do evento. Os advogados dos réus, Rafael Luiz Siewert e Leandro Gornicki Nunes, pediram à juíza Carolina Ranzolin Nerbass Fretta, titular da 1ª Vara Criminal de Palhoça, para que o réu não fosse fotografado.

Vinte e cinco pessoas, entre homens e mulheres, serão sorteadas para compor o corpo de jurados formado por sete pessoas. São elas quem vão definir o destino do ex-PM. De acordo com a assessoria do Tribunal de Justiça, serão ouvidas 23 testemunhas entre defesa e acusação. A intenção da juíza Carolina é ouvir as testemunhas e o réu nesta quinta-feira, até por volta das 19h. Deixando o debate entre acusação e defesa (réplica e tréplica, se houver) para sexta-feira (16), quando então será conhecida a sentença.

Caso o ex-militar seja condenado, ele não poderá recorrer da sentença em uma cela militar. Deverá ser levado para um presídio comum. Pelo fato de ter sido policial, Brentano deve ficar num ambiente isolado da massa carcerária.

Como foi o crime

Depois de uma noite de bebedeira com o irmão caçula de 17 anos nos bares da Guarda do Embaú,  o ex-PM, que estava em férias na praia, estacionou o Citroen C4, na manhã de 19 de janeiro, embaixo de uma sombra, no acesso à trilha que leva à praia, em frente a uma garagem.

Os rodados do carro estavam exatamente em um local onde Ricardinho e o avô  estavam construindo uma obra de drenagem. O surfista, o avô e o tio Mauro desciam a trilha para trabalhar na obra. Ricardinho, então, pediu ao motorista para retirar o carro daquele lugar.

Houve bate-boca e a discussão foi ficando acirrada entre eles, ao ponto de Brentano pegar a pistola e efetuar dois tiros a curta distância. Na sequência, Brentano engatou a marcha a ré e fugiu dali em alta velocidade para a pousada onde estava passando as férias.

Os tiros atingiram diretamente órgãos vitais do surfista. Um pegou a região do tórax (atravessando-o da lateral esquerda à direita) e outro na lombar (alojando-se na vértebra lombar, de trás para frente), ou seja, pelas costas.

Currículo cheio de glória, fama e troféus

Ricardinho nasceu na Guarda do Embaú, Palhoça, em 1991. Criado no local, o menino da Guarda ganhou sua primeira prancha aos quatro anos de idade e logo pegou o jeito no surfe. Dos torneios amadores, ele passou para os profissionais com participações em competições oficias da Liga Mundial de Surfe. Em 2008, participou de sete etapas do Circuito Mundial (WCT), além de inúmeros eventos da Qualifying Series - torneios classificatórios.

Quatro anos depois, ganhou o Prêmio Andy Irons e conquistou o bicampeonato do Qualifying de Teahupo, que lhe rendeu uma vaga para o WCT do Tahiti. A última vez que Ricardinho esteve entre a elite do surfe foi em dezembro de 2013, no Havaí. Apesar de ser eliminado no torneio, ele ganhou os holofotes da mídia internacional ao receber o prêmio Wave Of The Winter, do site Surfline, para a melhor onda surfada durante aquela temporada havaiana.

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