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Juiz Sérgio Moro diz que eleições trazem risco à Lava Jato

Magistrado destacou que para que as ações contra a corrupção tenham efetividade no país, além da punição, são necessárias mudanças na legislação

Folha de São Paulo
São Paulo (SP)
26/07/2018 às 15H27

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O juiz federal Sérgio Moro afirmou que existe sempre um risco de retrocesso no cenário eleitoral em relação aos avanços da Operação Lava Jato. Em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o magistrado defendeu "lideranças honestas" e "reformas de políticas mais gerais para diminuir os incentivos e oportunidades à corrupção". 

"A dúvida é o que vai acontecer daqui para a frente. Vamos retomar aquela tradição de impunidade ou isso representou uma quebra significativa? Nessa perspectiva existe sempre um risco de retrocesso em relação a esses avanços. E há um risco, ainda, que nós não avancemos mais", afirmou.

Sergio Moro - Agência Brasil/Divulgação/ND
Sergio Moro participou nesta quarta-feira do painel "O combate à corrupção" - Agência Brasil/Divulgação/ND


O magistrado destacou que para que as ações contra a corrupção tenham efetividade no país, além da punição, são necessárias mudanças na legislação. 

"Para avançar mais, precisamos, além de processos efetivos contra a corrupção, de mudanças políticas mais gerais nas leis para diminuir os incentivos e oportunidades para a corrupção. Mas os riscos sempre permanecem. Isso é algo que não vai ser dessa eleição, nem da próxima, sempre vai existir esse risco. Eu espero que não se concretize."

O magistrado participou nesta quarta-feira (25) do painel "O combate à corrupção" em evento promovido pelo jornal, ao lado do advogado criminalista Antonio Claudio Mariz de Oliveira e do promotor do Ministério Público de São Paulo Marcelo Mendroni. 

Durante o debate, o juiz responsável pelos processos da Lava Jato em Curitiba, falou sobre o despacho enviado durante as férias para barrar o habeas corpus concedido ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo juiz de plantão do TRF-4 (Tribunal Regional da 4ª Região), Rogério Favreto. Após uma sequência de decisões, o presidente do tribunal determinou que Lula permanecesse preso. 

 "A imprensa vive questionando o juiz porque as férias são muito longas, com alguma razão, aí quando o juiz trabalha nas férias também critica", disse, em meio a risos da plateia, em teatro na zona oeste da capital paulista.

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