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Segunda-Feira, 24 de Setembro de 2018
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Jorginho recua e Amin tenta correr por fora para presidência da Câmara dos Deputados

Escolha para primeiro na linha sucessória de Temer está marcada para próxima quarta-feira

Fábio Bispo
Florianópolis

A segunda-feira lançou oficialmente a corrida pela cadeira da presidência da Câmara dos Deputados, com eleição marcada para a próxima quarta-feira, às 19h. A disputa pelo mandato tampão, que contou com campanha e panfletagem em Brasília, começou a ficar mais clara com confirmações e renuncias de inscrições. Jorginho Melo (PR), que na sexta chegou a se declarar candidato, cedeu após o partido se unir pela candidatura de Fernando Giacobo (PR-PR), segundo-vice-presidente da Câmara. Por outro lado, Esperidião Amin (PP) confirmou a continuidade no páreo, disposto a disputar votos dentro do próprio partido para garantir a indicação.

Divulgação
Amin é o único catarinense no páreo

 

Amin conta com apoio dos deputados catarinenses e diz estar articulando um cenário com demais partidos: “Preciso saber do meu partido duas respostas, se vamos ter candidatos e quem. Se a primeira reposta for sim, ai eu vou para disputa”, declarou. Maior partido do chamado “centrão”, que congrega 13 legendas, Amin aposta num consenso com o partido frente à possibilidade de ter que dividir votos com Fausto Pinato (PP-SP) e consolidar seu nome como a grande indicação na tarde de quarta-feira.

Se fosse consenso no partido, Amin poderia pensar em contabilizar os votos de João Rodrigues (PSD) e do próprio Jorginho Melo (PR), que desistiu da candidatura. “Se o nome do Esperidião for confirmado como o candidato do PP aí nós vamos conversar aqui no Estado, pois passa a ter viabilidade”, afirmou João Rodrigues (PSD). “Mas até o momento nosso candidato, definido pelo partido, é o Rosso”, comentou logo após a confirmação de Rogério Rosso (PSD-DF).

Jorginho Melo vai na mesma linha de Rodrigues, ao avaliar que a candidatura do catarinense depende ainda de uma definição do cenário. Para ganhar, o candidato à presidência precisa de 257 votos, caso o número não seja alcançado, os dois melhores colocados disputam segundo turno.

Citado ontem em levantamento do Estadão sobre os 16 mais cotados para cadeira por responder processos de improbidade na Justiça, Amin se defendeu apontando que a principal denúncia partiria de uma perseguição política, os demais processos, contra a sua administração como governador entre 1998-2003, o deputado defende que as denúncias só foram oferecidas em 2010, e que ele ainda se defende dos processos. “Como todo homem público, eu tenho que me defender das acusações, e isso deve pesar. Por isso que eu como candidato me orgulho da minha folha corrida”, declarou Amin.

O escolhido para presidir a Câmara dos Deputados no mandato tampão que encerra em fevereiro do próximo ano, além de ter como missão tirar o legislativo dos holofotes da crise política do Planalto, será o primeiro da na linha sucessória do presidente interino Michel Temer (PMDB). 

Governabilidade de Temer divide o PMDB-SC

Com expectativa de até 12 candidaturas para a vaga que até quinta-feira da semana passada era ocupada por Eduardo Cunha (PMDB-RJ), o futuro da eleição para a presidência da Câmara ainda depende da definição do próprio PMDB. Maior sigla da Câmara, a decisão do PMDB pode mais uma vez ser o fiel da balança. O partido se reúne hoje, em Brasília, para tentar alinhar uma posição. No entanto, ainda não há consenso sobre um nome, ou candidatura própria.

Enquanto correntes como a liderada pelo presidente do partido em Santa Catarina, Mauro Mariani (PMDB), defendem candidatura própria, há quem vislumbre novo destino para o partido ao apoiar o “centrão” em troca de governabilidade.

“Defendo que o partido não deve lançar candidato próprio. Já temos a presidência e agora temos que fazer esse gesto em pro da base do governo”, afirmou o deputado Edinho Bez (PMDB). “No presidencialismo é preciso uma base para poder governar, ainda estamos no meio de um processo de impeachment”, emendou.

Celso Maldaner (PMDB) rechaça a possibilidade de o partido encampar a candidatura de Rogério Rosso (PSD-DF), por exemplo, para agradar o “centrão”. “Apoiar o centrão é apoiar o Cunha, eu sou contra isso. Eu defendo a candidatura de Marcelo Castro (PMDB-PI) e acredito que ele e muitos do partido não vão abrir mão disso”, afirmou Maldaner.

Comunista aguarda desdobramentos e não descarta votar em Amin

Ângela Albino (PCdoB) afirmou que a decisão deve vir em acordo dentro do partido: “Ainda não temos um nome, mas posso afirmar que vamos trabalhar em um nome para derrubar a era Cunha. Não vamos aceitar candidatos para marcar posição”, afirmou. Questionada sobre uma candidatura catarinense, Albino afirmou que não haveria vetos de sua parte ao nome de Amin, mas que não votaria apenas por ser catarinense: “O momento é complexo e votar em alguém apenas por ser de Santa Catarina não dá conta do quadro atual”, declarou.

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