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Jair Bolsonaro ou Fernando Haddad: quem vai governar o Brasil a partir de 2019?

Campanha polarizada chega ao fim neste domingo com disputa entre Jair Bolsonaro e Fernando Haddad

Redação ND
Florianópolis
26/10/2018 às 22H31

Os eleitores brasileiros vão decidir neste domingo se serão governados nos próximos quatro anos pelo candidato de direita Jair Bolsonaro (PSL), líder das pesquisas, ou pelo esquerdista Fernando Haddad (PT). Bolsonaro, capitão da reserva do Exército, foi o vencedor do primeiro turno, com 46% dos votos contra 29% de Haddad.

Quem for eleito substituirá em 1º de janeiro de 2019 Michel Temer (MDB), o presidente mais impopular desde o retorno da democracia, que assumiu o cargo em 2016, após o impeachment da presidente Dilma Rousseff. O vencedor do pleito deverá governar junto a um Congresso com partidos debilitados por escândalos e dominado por lobbies.

Bolsonaro, que ainda usa uma bolsa de colostomia devido à facada que levou no abdômen durante um comício em setembro, fez campanha essencialmente nas redes sociais, sem participar de debates desde o atentado, alegando recomendação médica. Haddad prometeu lutar até o último suspiro para impedir que um suposto fascismo se instale no país.

Bolsonaro e Haddad se propõem a reviver tempos heroicos caso sejam eleitos, embora com focos diferentes. O lema de campanha do PT, “O povo feliz de novo”, evoca os governos de Lula, com uma economia pujante, impulsionada pelos altos preços das commodities. O paraíso perdido de Bolsonaro é outro. “Nós queremos um país semelhante àquele que nós tínhamos há 40, 50 anos”, declarou em entrevista. Aquela época foi o início do “milagre econômico” e de um projeto industrializador na era militar.

Na política externa, Bolsonaro demonstra o desejo de uma aproximação com Donald Trump, incluindo um aumento da pressão sobre o regime socialista da Venezuela, em pleno marasmo econômico e social. Se vencer, o guru econômico de Bolsonaro, Paulo Guedes, tentará lançar um programa de privatizações para reduzir a dívida e reativar a economia brasileira.

Na Câmara, o PT continuará sendo a primeira força, apesar de ter perdido vários deputados, após ser um dos partidos mais atingidos pelas investigações sobre o esquema de propinas na Petrobras. Esse escândalo levou à prisão seu líder histórico, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que cumpre desde pena de 12 anos. Em seu lugar, surgiu Haddad, ex-ministro da educação e ex-prefeito de São Paulo.

 

O militar que quer comandar com autoridade

Defensor da família tradicional, de Deus e do porte de armas, Jair Bolsonaro impulsionou sua campanha pelas redes sociais em um país em profunda crise política, econômica e de segurança. Caso seja eleito, ele assegura que pretende governar o país com autoridade, mas sem autoritarismo.

No primeiro turno, em 7 de outubro, Jair Bolsonaro chegou a 46% dos votos válidos, além de seu partido aumentar expressivamente sua presença no Legislativo, formando a segunda maior bancada na Câmara dos Deputados.

O militar da reserva atuou por quase três décadas como deputado. Seu perfil linha-dura colocou este capitão do Exército a um passo de ser eleito presidente da República de um país que parece ter encontrado em seu discurso o consolo para seu descontentamento.

As últimas pesquisas de intenção de voto dão a Bolsonaro, que escapou da morte após uma facada sofrida durante um comício em Juiz de Fora, Minas Gerais,  a preferência do eleitorado.

O candidato do PSL elevou o tom na reta final de sua campanha, embora também tenha aberto a porta para recuar em propostas polêmicas, como a fusão de vários ministérios, como da Agricultura e do Meio Ambiente.

Nascido em 1955 em Campinas, a cerca de 100 km de São Paulo, em uma família de origem italiana, este ex-paraquedista forjou sua carreira principalmente no Rio de Janeiro, onde foi eleito vereador em 1988 e que lhe deu o primeiro mandato como deputado federal dois anos depois. Católico, ele tem cinco filhos de dois casamentos: quatro homens e uma mulher.

 

O professor que quer o PT de volta ao poder

Última esperança da esquerda de impedir a direita de chegar ao poder no Brasil, Fernando Haddad, que substituiu o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na corrida presidencial, não tem o carisma de seu mentor, de quem tentou se distanciar para seduzir o eleitorado centrista.  A sombra de seu padrinho político foi gigantesca para este professor universitário, confrontado com uma missão quase impossível: substituir o líder histórico do PT.

Uma tarefa tão complicada quanto converter os 29% de votos que obteve no primeiro turno em maioria para frear, no segundo turno, neste domingo, o tsunami Jair Bolsonaro.

Não parecem ter sido suficientes os esforços deste ex-ministro da educação de 55 anos para seduzir eleitores cansados, nem tampouco seus alertas reiterados sobre o caráter antidemocrático do rival, a quem acusou de fomentar a violência.

Formado em Direito, com mestrado em Economia e doutorado em Filosofia, casado com uma dentista e pai de dois filhos, Haddad chegou ao ministério da Educação em 2005. Sua trajetória o colocou na linha de frente do PT, mas ele nunca deixou a sombra de seu mentor, Lula.

Não foi a primeira vez que Haddad começa mal em uma eleição. Ele também não era o mais cotado quando se candidatou à prefeitura de São Paulo em 2012, e acabou ganhando. Aqueles tempos, entretanto, eram outros. Os do início do governo de Dilma Rousseff (2011-2016), quando a influência de Lula no meio político era quase incontestável. Quatro anos depois, em 2016, Haddad sofreu uma esmagadora derrota nas urnas logo no primeiro turno, e teve que passar a prefeitura de São Paulo para o empresário liberal João Dória.

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