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Itamaraty considera que brasileiro preso na Venezuela está desaparecido

Diniz morava em Los Angeles e foi acusado de trabalhar para a CIA -a agência de inteligência dos Estados Unidos

Folha de São Paulo
Brasília
04/01/2018 às 14H12

BRUNO BOGHOSSIAN

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - O Itamaraty considera que o brasileiro preso em dezembro pelo governo da Venezuela por suposta ligação com "organização criminosa" está desaparecido, segundo fontes do Ministério das Relações Exteriores.

A chancelaria brasileira mantinha contato com o regime de Nicolás Maduro em busca de detalhes sobre o caso, mas agora afirma que os venezuelanos se recusam a fornecer informações sobre o preso.

De acordo com integrantes do governo do Brasil, o encarregado de negócios da Venezuela avisou ao Itamaraty que não está autorizado a dar detalhes sobre o catarinense Jonatan Moisés Diniz, 31, detido no dia 27 de dezembro com três venezuelanos no Estado de Vargas, a norte de Caracas. O Itamaraty deve divulgar nota nesta quinta-feira (4) para manifestar uma posição oficial sobre o caso.

Diniz morava em Los Angeles e foi acusado de trabalhar para a CIA -a agência de inteligência dos Estados Unidos. No fim de dezembro, o número dois do regime chavista, Diosdado Cabello, disse que Diniz comandava uma ONG chamada Time to Change the Earth para obter "financiamento" e "procurar detectar objetivos estratégicos". Como prova, apresentou postagens nas redes sociais a favor dos protestos contra Maduro.

Nas publicações, o brasileiro pedia doações para a compra de presentes e comida para crianças e moradores de rua. Ele viajou à Venezuela no início de dezembro e publicou fotos em Caracas e cidades da região.

As provas que o regime de Maduro usou contra Diniz são similares às recolhidas para incriminar venezuelanos por terrorismo, especialmente no período das manifestações. Alguns foram julgados pela Justiça Militar ou continuam presos sem julgamento.

Pela lei venezuelana, os estrangeiros podem ser expulsos se violarem a segurança da população, alterarem a ordem pública ou cometerem em delitos contra os direitos humanos. A Constituição determina que eles não têm direitos políticos, o que pode ser estendido também a manifestações.

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